Projeto da Unicentro avança e apresenta primeiras soluções para desafios da Cooperativa Agrária
Estudantes do curso de Tecnologia em Big Data no Agronegócio concluíram mais uma etapa do projeto Conexão Agrária, com propostas voltadas à análise climática e ao monitoramento de commodities

O conhecimento produzido em sala de aula colocado em prática para solucionar desafios reais do setor produtivo. Esse é o objetivo do projeto Conexão Agrária: Big Data no Agronegócio na Prática, desenvolvido por estudantes do curso de Tecnologia em Big Data no Agronegócio da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em parceria com a Cooperativa Agrária.
A iniciativa propõe aos acadêmicos o desenvolvimento de soluções para desafios reais apresentados pela cooperativa e acaba de avançar mais uma etapa. Na quarta-feira (1º de julho de 2026), os estudantes do terceiro ano do curso apresentaram a primeira versão dos trabalhos desenvolvidos na disciplina de Mineração de Dados.
“São dois desafios principais. O primeiro é uma análise climática relacionada à chuva e à produtividade de culturas que são valiosas para a Agrária, para região de Guarapuava”, explica o professor da disciplina, Diego Braga Santi. “O segundo está relacionado à monitorização de preços dessas culturas”, completa.
Cada um dos desafios recebeu duas propostas elaboradas pelos estudantes. Na temática Análise Climática e Produtividade Agrícola, um dos grupos apresentou uma ferramenta de suporte à decisão baseada em dados: o Índice de Vulnerabilidade Climática Municipal (IVCM). O indicador considera a variabilidade da produção, a variabilidade da chuva, a sensibilidade à chuva e a sensibilidade ENSO, relacionada aos fenômenos El Niño e La Niña.
Além do desenvolvimento do índice, o grupo realizou a integração de bases de dados oficiais, como PAM, CHIRPS, ONI e IBGE, tratou e preparou os dados para análise estatística, aplicou modelos de regressão linear e logística e desenvolveu um dashboard interativo de apoio à decisão. “Levantamos o histórico de produção do período de 2010 a 2024 das culturas de milho, cevada, soja e trigo nos 399 municípios paranaenses. A partir desses dados, fizemos a correlação de cada cultura com as variáveis climáticas consideradas pelo índice”, explica a acadêmica Caroline Albertini.
Segundo a equipe, o diferencial do IVCM é permitir a identificação de estratégias de adaptação e manejo específicas para cada cultura, oferecendo informações que podem subsidiar a tomada de decisão no setor agrícola.
Já na temática Monitor de Preços e Volatilidade de Commodities, o projeto “Análise da oscilação dos preços das commodities agrícolas”, analisou dados de 2007 a 2014 para descobrir os períodos com maior e menor preço das culturas soja, milho e trigo. “O desafio real contribuiu porque podemos crescer com o conhecimento compartilhado entre os membros de fora do câmpus, que são pessoas com demanda real de negócios e experiências”, avalia o acadêmico Wagner Henrique Machado Cichacz , um dos responsáveis pelo trabalho. “Essas pessoas apontam as possíveis melhorias e nos auxiliam naquilo que o mercado está buscando, trabalhando com dados reais”, ressalta.
Os trabalhos foram apresentados a uma comissão da Cooperativa Agrária formada pelo especialista em projetos estratégicos, Alessandro Branco; pelo gerente de Marketing e Estratégia, Rodrigo Lass; pelo pesquisador em mecanização agrícola e inovações tecnológicas da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), Vitor Anunciato; e pelo trader Matheus Mendonça.
Durante as avaliações, Rodrigo Lass destacou a relevância dos projetos e afirmou que, com a iniciativa, a cooperativa “busca profissionais que possam trazer conhecimento, trazer essa expertise e a vontade resolver problemas”. “Além da possibilidade de resolver problemas reais, vemos também o potencial de identificar aqui futuros colaboradores”, complementou Alessandro.
Após a apresentação para a equipe da Agrária, os grupos deverão aperfeiçoar os projetos e apresentar a versão final durante o Wintershow, considerado o maior evento técnico de cereais de inverno da América do Sul, organizado pela Cooperativa Agrária e pela Fapa.
“Os estudantes serão avaliados com base nos mesmos critérios aplicados pela empresa na avaliação de seus colaboradores. A partir desse feedback, haverá um ranking dos trabalhos e os melhores serão beneficiados de alguma forma que ainda será definida”, explicou a coordenadora do curso, Carolina Paula de Almeida.
A professora também reforçou a importância da parceria com a cooperativa para a formação dos estudantes. “Essa iniciativa vem para que o curso possa, realmente, cumprir o seu papel, porque ele foi pensado, justamente, para cumprir uma demanda que já existe dentro do setor produtivo. O objetivo é que nossos estudantes se tornem profissionais capacitados trabalhar com técnicas para atacar problemas reais especialmente da nossa região”, avalia.
PROJETO CONEXÃO AGRÁRIA
Iniciado neste ano, o projeto integra estudantes dos três anos do curso de Tecnologia em Big Data no Agronegócio. Durante o primeiro semestre, os acadêmicos desenvolveram soluções baseadas em dados em disciplinas como Projetos Integradores e nos laboratórios de Inteligência Artificial e Mineração de Dados.
No primeiro ano, os estudantes trabalham no mapeamento de regiões brasileiras com potencial para o cultivo de cevada, na análise da gestão de projetos de Tecnologia da Informação em parceria com profissionais da Agrária e na construção de um painel nacional sobre a produção agrícola por cultura.
No segundo ano, o foco está na análise da variabilidade dos custos de frete, por meio de estudos sobre a composição logística e simulações para apoiar o planejamento da cooperativa.
Já no terceiro ano, os projetos abordam o monitoramento da volatilidade dos preços de commodities agrícolas e a relação entre fatores climáticos e produtividade, contribuindo para análises que podem subsidiar estratégias de mercado e a previsão de safras.
(Por Maíra Machado)
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