Pesquisador da Unicentro realizará projeto sobre justiça socioambiental na Polônia
O professor Rogério Bobrowski vai expandir suas pesquisas sobre infraestruturas verdes urbanas em uma iniciativa envolvendo 12 cidades polonesas

Abra a janela: você consegue ver pelo menos três árvores agora? Ao caminhar pelo bairro, as copas verdes cobrem um terço do seu caminho? Em cinco minutos, seus pés alcançam a grama de um parque ou praça? O que parece um cenário ideal é, na ciência, conhecida como “diretriz 3-30-300”. Criada pelo pesquisador holandês Cecil Konijnendijk, essa regra transforma o verde em números para mostrar que a natureza na cidade não é apenas estética: é um termômetro de justiça social e saúde pública. Por isso, deve ser levada em consideração com seriedade no planejamento urbano.
É com esse olhar que o professor Rogério Bobrowski, do Departamento de Engenharia Florestal e dos programas de pós-graduação em Ciências Florestais (PPGF) e em Engenharia Sanitária e Ambiental (PPGESA) da Unicentro, embarca em mais uma jornada científica entre 2026 e 2028. Atuando no Câmpus de Irati, Bobrowski teve um projeto aprovado por um programa da agência polonesa NAWA, que incentiva a internacionalização e o intercâmbio acadêmico com pesquisadores de todo o mundo. Ele levará a expertise paranaense para a Europa, em uma cooperação com a Universidade de Agricultura de Cracóvia.
O desafio será entender como a disponibilidade dessas “infraestruturas verdes urbanas” (IVUs), ou seja, as praças, parques e bosques, reflete na justiça socioambiental. “A ideia é demonstrar como o acesso a essas áreas ajuda a superar problemas de desigualdade e desafios de gestão”, explica o docente. Na prática, o estudo quer saber se o verde das cidades está distribuído de forma justa.
Dentre outras abordagens, a justiça socioambiental se traduz na ideia de que qualquer pessoa deve ter acesso, de forma igualitária, aos benefícios que as árvores, as florestas e os ecossistemas fornecem à sociedade, independentemente do bairro onde mora, da renda familiar, do gênero, da cor da pele, do grau de instrução ou idade, e que os problemas ambientais como enchentes, ilhas de calor e poluição (do ar, da água, do solo) não estejam concentrados em locais específicos onde moram grupos de pessoas específicas.“O que se quer com isso é que grupos menos favorecidos não continuem sendo os que mais sofrem com os impactos das alterações climáticas globais nas áreas urbanas, com consequente redução da qualidade de vida”, ressalta o pesquisador.
A pesquisa terá um recorte de fôlego: envolverá 12 cidades polonesas espalhadas por quatro províncias (as chamadas voivódias) geograficamente opostas. O professor utilizará tecnologias atuais, como o aprendizado de máquina, para criar bancos de dados espaciais e analisar, em três dimensões, a relação entre a vegetação e as construções.
O objetivo é padronizar o uso da regra 3-30-300, para que números possam embasar políticas públicas que valorizem as áreas verdes na vida urbana.
Segundo Bobrowski, no nível 1 de amostragem serão analisadas as três cidades mais populosas de quatro províncias polonesas, distribuídas entre as regiões de Małopolska, Pomorskie, Dolnośląskie e Podlaskie.
“No nível 2 de amostragem, os procedimentos de avaliação incluem construção de banco de dados espaciais das IVUs, estruturas urbanas e rios; delimitação das ilhas de calor urbano e procedimentos de aprendizado de máquina para downscaling; avaliação técnica das IVUs por amostragem e formulário para determinar a qualidade; análise 3D de vegetação e edificações; aplicação de testes para padronização do uso dos parâmetros da regra 3-30-300 para avaliar justiça socioambiental; cálculo de índices de disponibilidade, usabilidade e qualidade das IVUs”, detalha.
Também serão empregadas análises estatísticas multivariadas e geoestatísticas para realizar comparações entre bairros e cidades. Entre os resultados esperados estão a devida orientação acerca do uso adequado e padronizado de cada parâmetro da regra 3-30-300. “Assim, será possível fomentar políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida e valorização das infraestruturas verdes urbanas”, relata.
Embora o foco desta ação seja a Polônia, Bobrowski já desenvolve iniciativas semelhantes em solo brasileiro, com apoio do CNPq e da Fundação Araucária. Para ele, seja na Polônia ou no Brasil, o objetivo permanece o mesmo: contribuir, por meio da ciência, para que o direito de desfrutar da arborização desde a janela de casa seja uma realidade para todos.
(Por Scheyla Horst - Foto: Amanda Pieta)
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