Uma casa pode mudar uma vida: programa segue com inscrições abertas para famílias acolherem crianças e adolescentes

Família Acolhedora recebe inscrições até 21 de setembro; iniciativa já atendeu 280 crianças em Guarapuava e oferece cuidado temporário a menores afastados do convívio familiar por decisão judicial

30/08/2026 17H00

Imagem ilustrativa

E se, em um dos momentos mais difíceis de sua infância, uma criança encontrasse justamente aquilo que mais precisa: uma casa segura, uma rotina tranquila e alguém disposto a cuidar dela?

É com essa proposta que o Programa Família Acolhedora, da Prefeitura de Guarapuava, está com inscrições abertas para pessoas interessadas em receber temporariamente crianças e adolescentes que foram afastados do convívio com suas famílias de origem por determinação judicial.

As inscrições podem ser feitas até 21 de setembro. A iniciativa busca famílias dispostas a abrir as portas de suas casas, e, principalmente, oferecer segurança, carinho e convivência familiar durante um período delicado.Uma decisão que pode marcar uma infância

O acolhimento não significa adoção. A família cadastrada recebe a criança ou o adolescente de forma temporária e individualizada, enquanto o processo judicial define os próximos passos.

Segundo a coordenadora e assistente social do Serviço Família Acolhedora, Regiane Cristina Lopes-Morais, o programa prepara famílias da comunidade para receber crianças e adolescentes que estão sob medida de proteção.

“O serviço de acolhimento em família acolhedora capacita famílias da comunidade em geral para receber em suas casas crianças e adolescentes que neste momento estão em medida de proteção, ou seja, estão afastados dos seus familiares biológicos por determinação judicial.”

A proposta é funcionar como uma ponte entre a família de origem e uma eventual família substituta, garantindo que a criança tenha seus direitos e necessidades atendidos enquanto o caso é acompanhado pela Justiça.

Muito além de oferecer um teto

Na prática, a missão da família acolhedora vai muito além de oferecer moradia.

A criança continua frequentando a escola, tendo acesso aos serviços de saúde, participando da comunidade e realizando atividades compatíveis com sua idade. O objetivo é preservar, dentro do possível, uma rotina de convivência familiar.

“O nosso papel é prestar assistência para essa criança, para esse adolescente, tanto educacional, material, para que essa criança esteja inserida na comunidade, realize passeios, vá à escola, tenha toda a questão da saúde atendida”, explica Regiane.

O acolhimento também pode representar uma experiência de convivência marcada por respeito, afeto e estabilidade para crianças que passaram por situações de vulnerabilidade.

280 crianças já passaram pelo programa

Os números mostram a dimensão da iniciativa em Guarapuava: 280 crianças já passaram pelo Programa Família Acolhedora.

O acolhimento pode envolver uma única criança ou até mesmo um grupo de irmãos, dependendo do perfil e da disponibilidade da família cadastrada.

Para Regiane, a experiência pode significar para algumas crianças a possibilidade de conhecer uma realidade familiar baseada em segurança e respeito.

“Talvez ser a primeira possibilidade de ele ter uma família tranquila, um ar em paz, saber o que é respeito, regras de convivência, e ter o carinho, o olhar atendido para aquela criança e para aquele adolescente.”

Quem pode ser uma família acolhedora?

Para participar, é necessário atender a alguns requisitos:

* Ter mais de 18 anos;
* Residir em Guarapuava há pelo menos um ano;
* Não fazer uso de substâncias;
* Ter documentação regular;
* Possuir renda familiar;
* Não estar inscrito no Cadastro Nacional de Adoção.

No momento do pré-cadastro, são necessários RG, CPF e comprovante de residência. Ao longo do processo, outros documentos também serão solicitados, como certidão de nascimento e comprovante de renda.

Como se inscrever?

Quem deseja conhecer melhor o programa e iniciar o processo de inscrição deve procurar o Serviço Família Acolhedora.

- Inscrições: até 21 de setembro

- Local: Rua Vicente Machado, 1015, Centro — Guarapuava

- Referência: nos fundos do Hospital São Vicente

Mais do que participar de um programa, a proposta é oferecer a uma criança ou adolescente aquilo que nenhuma medida judicial consegue substituir completamente: a sensação de pertencer a um ambiente seguro e de ser cuidado.

Em momentos de fragilidade, uma família pode representar uma ponte para um futuro diferente.

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