Procura por colégios cívico-militares cresce e fila chega a 20 mil estudantes no Paraná
Ao todo, 20.402 estudantes começaram o ano aguardando uma vaga, quase o dobro do número registrado em 2025, com 11 mil na fila

O início do ano letivo de 2026 na rede estadual do Paraná confirma uma tendência que se intensificou nos últimos anos: a procura por vagas em colégios cívico-militares segue em alta, com milhares de estudantes em listas de espera em todo o Estado. Mesmo com a ampliação do modelo, que chegou a 345 unidades – o maior número do País – o número de crianças e jovens interessados cresce em ritmo maior. Ao todo, 20.402 estudantes começaram o ano aguardando uma vaga, quase o dobro do número registrado em 2025, com 11 mil na fila.
“A grande demanda por vagas nos colégios cívico-militares demonstra o alto nível de confiança das famílias e o reconhecimento dos próprios professores e equipes pedagógicas. Quando há resultados acadêmicos, organização e um ambiente favorável ao ensino, a comunidade responde de maneira muito positiva, e isso fortalece o modelo que implementamos no Paraná”, afirma o secretário estadual da Educação, Roni Miranda.
Um dos exemplos mais representativos dessa demanda é o Colégio Cívico-Militar Dias da Rocha, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, que concentra atualmente a maior fila de espera, com 510 estudantes. A unidade atende cerca de 1.100 alunos, dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, e passou por uma mudança de perfil desde a implantação do modelo, há seis anos.
A diretora do CCM Dias da Rocha, Sandra Betineli da Costa, acompanha de perto essa transformação. Ela chegou à unidade no ano anterior à implantação e afirma que, desde a mudança, muitas notícias positivas acompanharam o desenvolvimento das atividades. “O modelo CCM trouxe uma nova identidade ao colégio, principalmente em relação às práticas de cidadania e ao apoio disciplinar, que trouxeram aos alunos a consciência do que significa integrar a comunidade”, afirma.
Segundo ela, a mudança para o modelo cívico-militar envolveu tanto o fortalecimento das diretrizes pedagógicas e disciplinares quanto a construção de novas expectativas em relação ao desempenho dos estudantes. “Colocamos metas de rendimento até maiores que a nota 6 para passar, sugerimos rotinas de estudo e lembramos que tarefa de casa é um suporte importante no processo de aprendizado. Eu sempre falo que tenho os melhores alunos de Araucária. Eles até se assustam, mas precisam acreditar no potencial deles”, diz a diretora.
Atualmente, cerca de 900 alunos do colégio participam de atividades no contraturno, almoçando no local e permanecendo na escola para ações como clubes de ciência, robótica e acompanhamento pedagógico – mesmo para participar das atividades do contraturno há uma lista de espera interna.
De acordo com a diretora, o envolvimento das famílias com o dia a dia da escola e dos alunos também é constante, o que contribui para o aumento da procura. “Lidar com a expectativa dos pais é um esforço constante e trabalhamos para que todas as famílias sejam atendidas. Educar é um trabalho conjunto que envolve escola e família. Por isso temos muito diálogo com os pais e reuniões frequentes”, afirma.
No início do modelo cívico-militar, o Dias da Rocha contava com apenas um monitor militar – hoje são três profissionais, que apoiam a organização escolar e também auxiliam em outras frentes, como na busca ativa de estudantes com risco de evasão. Segundo a diretora, o acompanhamento próximo dos alunos permite identificar situações que exigem atenção adicional, tanto no ambiente escolar quanto fora dele.
Sabrina de Paulo Oliveira foi uma das mães que pôde comemorar uma vaga no colégio em 2026. Após mais de três anos esperando, a filha dela, Renata Fernanda Oliveira, 14 anos, ingressou no 1º ano do ensino médio no Dias da Rocha. “É o sonho de todos os pais colocarem um filho numa escola melhor, que ofereça o melhor para nossos filhos”, relata a mãe.
Segundo Sabrina, a filha ainda está se habituando à rotina da nova escola, mas já percebeu muita diferença em relação ao comportamento dos colegas e ao ânimo dos professores e funcionários. “Nos primeiros dias ela estranhou, porque existem as regras, mas ela vai se adaptando. Ela está gostando muito dos professores, está deixando a gente muito feliz”, afirma.
EXPANSÃO DO MODELO
Implantado pelo Governo do Paraná em 2021, o Programa Colégios Cívico-Militares é coordenado pela Secretaria de Estado da Educação e combina a gestão pedagógica civil com o apoio de militares da reserva em atividades administrativas e organizacionais. Esses profissionais atuam como monitores e não participam das aulas nem do conteúdo curricular.
A expansão da rede ocorreu com a incorporação de 33 novos colégios ao programa em 2026, resultado de uma consulta pública realizada em novembro de 2025 em 50 unidades da rede estadual. A aprovação foi registrada em quase 60% das escolas consultadas, ampliando a presença do modelo em diferentes regiões do estado. Do total de instituições cívico-militares, 12 também operam em formato de ensino integral, por meio do Programa Paraná Integral (PPI).
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