Prefeitura de Guarapuava articula pagamento a cerca de 30 trabalhadoras após crise da Produserv

Procuradoria-Geral do Município reuniu as profissionais nesta quarta (21) e prepara os próximos passos para viabilizar o pagamento das verbas rescisórias

21/10/2026 15H23

Foto: Rogério Thomas/Gmais

A Prefeitura de Guarapuava está adotando medidas jurídicas e administrativas para viabilizar o pagamento dos direitos de cerca de 30 trabalhadoras terceirizadas que atuavam na limpeza de prédios públicos do município. A iniciativa é conduzida pela Procuradoria-Geral do Município e busca evitar que as profissionais sejam ainda mais prejudicadas pelos problemas envolvendo a empresa Produserv Serviços Ltda.

Na tarde desta quarta-feira (21 de outubro DE 2026), as trabalhadoras participaram de uma reunião com representantes da Procuradoria para assinar documentos necessários ao andamento do procedimento. A próxima etapa está prevista para quinta (22), quando um servidor municipal deve ir até a empresa para recolher as assinaturas restantes e permitir o avanço do processo de pagamento.

Segundo a Prefeitura, a prioridade é encontrar uma solução dentro da legalidade e com a maior rapidez possível, especialmente diante dos relatos de dificuldades enfrentadas pelas profissionais para obter respostas da empresa.

Prefeitura busca solução para garantir os direitos das trabalhadoras

O procurador municipal Gino Lucas Scherdien destacou que o objetivo é impedir que as trabalhadoras arquem com as consequências dos problemas da prestadora de serviços. “Nosso objetivo é que os prestadores de serviço não tenham prejuízo devido aos problemas da empresa. Estamos agindo dentro da legalidade, com a maior celeridade possível, para que as trabalhadoras recebam as rescisões”, afirmou.

A administração municipal reforça que está buscando alternativas jurídicas para viabilizar os pagamentos, considerando as particularidades do contrato e a situação envolvendo a empresa.

A reunião desta quarta-feira foi uma etapa importante para reunir a documentação necessária. A expectativa é que, com a coleta das assinaturas pendentes, o procedimento possa avançar.

Produserv enfrenta crise e acumula reclamações no Paraná

A situação de Guarapuava ocorre em meio a uma crise envolvendo contratos da Produserv em diferentes municípios e órgãos públicos do Paraná.

Reportagens publicadas pela Gazeta do Paraná em julho de 2026 apontaram problemas relacionados a atrasos salariais, benefícios e verbas rescisórias em contratos de terceirização da empresa. Em reportagem de 13 de julho, o veículo informou que aproximadamente 130 contratos mantidos pela Produserv com o Governo do Paraná estavam sob questionamento em meio a reclamações trabalhistas e cobranças de órgãos e sindicatos.

O Ministério Público do Trabalho também informou, em reportagem publicada em 23 de julho, que acompanhava procedimentos relacionados à empresa, incluindo investigações e Termos de Ajuste de Conduta que, segundo o órgão, não estariam sendo cumpridos.

Em Guarapuava, de acordo com as informações repassadas pela administração municipal, a empresa iniciou os trabalhos em maio de 2026. No mês seguinte, a Prefeitura já teria identificado problemas envolvendo a execução dos serviços e tomado conhecimento das dificuldades enfrentadas em outros locais, além de reclamações relacionadas às trabalhadoras do município.

Diante desse cenário, a administração optou pelo cancelamento do contrato em 27 de julho.

Prédios públicos ficaram sem limpeza

Os problemas na execução contratual tiveram reflexos diretos na rotina dos serviços públicos. Por semanas, prédios municipais ficaram sem os serviços de limpeza previstos, inclusive o prédio do Paço Municipal.

A situação ampliou a preocupação com o cumprimento das obrigações contratuais e com os direitos das profissionais que prestavam os serviços.

Com o agravamento do cenário, o município reteve os repasses destinados à empresa para buscar alternativas jurídicas que permitissem encaminhar os valores às trabalhadoras, sem ignorar as exigências legais e administrativas que regem a utilização do dinheiro público.

A medida, segundo a explicação apresentada pela administração, procura evitar que recursos públicos sejam transferidos à empresa sem que a situação das obrigações relacionadas à prestação dos serviços esteja devidamente encaminhada.

Empresa não enviou representantes à reunião

Outro ponto que chama a atenção é a ausência de representantes da Produserv na reunião realizada nesta quarta-feira com as trabalhadoras e a Procuradoria-Geral do Município.

Conforme os relatos apresentados, as profissionais também enfrentam dificuldades para conseguir retorno da empresa sobre a situação dos pagamentos e das rescisões.

A Prefeitura pretende avançar com a documentação necessária para reduzir a demora e buscar a regularização da situação. “O objetivo é regularizar essa questão o mais rápido possível”, enfatizou o procurador Gino.

A coleta das assinaturas na empresa, prevista para quinta-feira, é uma das etapas necessárias para dar sequência ao procedimento.

Pagamento pela Prefeitura não impede busca por outros direitos

A administração municipal também esclarece que o eventual pagamento realizado por meio do procedimento conduzido pela Prefeitura não impede que as trabalhadoras procurem a Justiça do Trabalho caso entendam que ainda existam valores pendentes.

A orientação é importante porque cada profissional pode ter verbas e situações contratuais específicas, que deverão ser avaliadas individualmente.

O caso evidencia os impactos que problemas em contratos de terceirização podem provocar na vida de quem depende do salário para sustentar a família. Para as trabalhadoras, a expectativa agora é que a documentação avance e que os valores devidos sejam regularizados o quanto antes.

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