Pastoral da Criança celebra 40 anos de missão e cuidado com a vida na Diocese de Guarapuava

Celebração reuniu mais de 300 pessoas e recordou uma história iniciada em 1986, marcada pelo trabalho voluntário, pela defesa da vida e pelo acompanhamento de crianças e famílias

20/09/2026 09H50

No ano em que celebra o jubileu de diamante, pelos 60 anos de instalação, a Diocese de Guarapuava comemorou nesse sábado (19 de setembro de 2026), os 40 anos de atuação da Pastoral da Criança. Mais de 300 pessoas participaram da programação realizada na Paróquia Santa Cruz e Nossa Senhora das Dores, em Guarapuava, reunindo lideranças de diferentes gerações que ajudaram a construir e que hoje dão continuidade à missão da Pastoral.

A programação teve início pela manhã, com a acolhida dos participantes e a Santa Missa, presidida pelo bispo diocesano, Dom Amilton Manoel da Silva. Concelebraram o pároco da Paróquia Santa Cruz e Nossa Senhora das Dores e vigário-geral da Diocese, padre Carlos Egler; o coordenador da Fundação Social e Cultural de Guarapuava, padre Itamar Turco; o pároco da Paróquia Sant’Ana, padre Thiago Souza; e frei José Francisco, assessor espiritual da equipe nacional da Pastoral da Criança. Após a celebração, houve almoço e, durante a tarde, confraternização, animação e homenagens.

Uma história iniciada em 1986

A Pastoral da Criança começou sua caminhada na Diocese de Guarapuava em 27 de setembro de 1986, apenas três anos depois do surgimento da Pastoral no Brasil. A primeira experiência aconteceu na Vila Concórdia, comunidade pertencente à Paróquia Santa Cruz, em Guarapuava, com o incentivo do primeiro bispo diocesano, Dom Frederico Helmel, e a participação das Irmãs da Caridade Social.

Uma das pessoas que acompanharam aqueles primeiros passos foi Eva Marquezini, primeira coordenadora paroquial da Pastoral da Criança na Paróquia Santa Cruz. Quatro décadas depois, ela participou da celebração e recordou que o trabalho começou de maneira simples, com a escolha e a formação das primeiras líderes. “Foi feita uma formação com elas para iniciar a Pastoral da Criança. Mas a primeira comunidade que foi iniciada foi na Vila Concórdia”, recordou.

Segundo Eva, uma das maiores dificuldades encontradas naquele período era a situação de pobreza de muitas famílias e a falta de informações para as mães sobre os cuidados com os filhos. Ao mesmo tempo, havia pessoas dispostas a assumir o trabalho e o apoio das religiosas e dos sacerdotes.

Entre as lembranças que mais a marcaram está a visita a uma família em situação de extrema vulnerabilidade. Eva contou que convidou o padre Salvador Renna para acompanhá-la até a casa onde crianças permaneciam sozinhas e em condições muito precárias. “As crianças dormiram dentro de um saco daqueles de estopa. […] Foi uma coisa que despertou no coração de todos”, recordou. Quarenta anos depois, Eva resume o sentimento ao acompanhar os frutos daquele trabalho: “Agora é uma alegria ver chegar a 40 anos”.

Uma missão que atravessa gerações

Se Eva ajuda a contar como tudo começou, Amanda Aparecida Campos Silva mostra que a história continua sendo escrita por uma nova geração. Com apenas 11 anos, ela atua como “brinquedista” da Pastoral da Criança em Quedas do Iguaçu, ajudando a envolver as crianças nas atividades por meio de músicas e brincadeiras.

Amanda conta que praticamente cresceu acompanhando o trabalho da Pastoral e que, com o passar do tempo, também sentiu vontade de participar. “Como eu cresci nesse ambiente, chegou um dia que eu falei: ‘Eu quero ser lider”, contou.

A presença das diferentes gerações marcou a comemoração. Para a coordenadora diocesana da Pastoral da Criança, Vera Aparecida Dangui, o encontro foi também um momento de agradecimento a quem dedicou parte de sua vida à missão. “É com muita alegria e gratidão que a gente está comemorando hoje os 40 anos da Pastoral da Criança. […] Essa gratidão é imensa”, afirmou Vera, destacando a participação de mais de 300 pessoas na celebração.

“Salvar vidas, salvar crianças, salvar famílias”

Durante a Santa Missa, Dom Amilton destacou que recordar quatro décadas de história não significa apenas voltar os olhos para aquilo que já foi realizado. Para o bispo, o aniversário também convida a assumir o compromisso com o presente e projetar o futuro. “Significa olhar para o passado, significa centrar-se na responsabilidade e no compromisso com a vida no presente e significa continuar olhando para a frente”, afirmou durante a homilia.

Após a celebração, Dom Amilton ressaltou que a presença da Pastoral da Criança continua necessária diante das situações de pobreza e vulnerabilidade encontradas tanto nas cidades maiores quanto nos pequenos municípios da Diocese.

O bispo lembrou ainda que, ao longo das últimas quatro décadas, a atuação da Pastoral se ampliou. Se nos primeiros anos havia uma atenção especial ao enfrentamento da desnutrição infantil, atualmente o acompanhamento envolve também as gestantes, os primeiros anos de vida e a realidade das famílias. “A Pastoral da Criança, ao longo do tempo, não se limitou apenas a pesar crianças, à multimistura ou alguma coisa emergente. Mas ela se ampliou no cuidado para com toda a família da criança, gestantes, o período, os primeiros anos da vida dessa criança, para que ela tenha realmente um futuro melhor”, destacou.

Dom Amilton também manifestou gratidão às Irmãs da Caridade Social e a todas as pessoas que assumiram a missão ao longo dos anos, reforçando a necessidade de novas lideranças para dar continuidade ao trabalho.

Memórias de quem ajudou a construir a caminhada

Entre as religiosas que participaram da implantação e da consolidação da Pastoral da Criança na Diocese está a irmã Laura Marcelino, das Irmãs da Caridade Social. Durante a comemoração, ela recordou a alegria encontrada nas pessoas que se colocaram a serviço da vida. “A Pastoral da Criança tem toda uma metodologia que traz justamente vida para as crianças, que orienta, que aponta caminhos, orienta as mães, orienta as lideranças para fazer um trabalho realmente de vida e vida em plenitude”, afirmou.

Irmã Laura também atuou durante anos junto às comunidades indígenas da região. Ela recordou que, além da implantação da Pastoral da Criança, foram desenvolvidas iniciativas como hortas comunitárias. A presença constante das equipes, segundo a religiosa, era necessária para ajudar as comunidades a dar continuidade às ações voltadas às crianças e às famílias.

Pioneirismo reconhecido

A celebração contou ainda com representantes da Pastoral da Criança em âmbito estadual e nacional. Frei José Francisco, assessor espiritual da equipe nacional, destacou o pioneirismo da Diocese de Guarapuava ao implantar a Pastoral apenas três anos depois de seu surgimento. “Primeiramente, está demonstrando o quanto pioneira foi a Pastoral da Criança aqui na Diocese de Guarapuava. Então, é um motivo de muita alegria a gente poder colher esses frutos”, afirmou.

Para o religioso, os 40 anos são ocasião para agradecer a Deus e reconhecer o trabalho desenvolvido pelas lideranças, sacerdotes e comunidades que, ao longo das décadas, acolheram e sustentaram a missão.

A coordenadora estadual da Pastoral da Criança, Maria Verônica Valarini, também ressaltou a contribuição das lideranças que dedicaram seu trabalho ao acompanhamento das famílias. “É com grande alegria que nós estamos aqui para celebrar, juntamente com essas líderes corajosas, que vieram celebrar a vida de tantas crianças que passaram por elas. […] Salvar vidas, essa é a nossa missão”, afirmou.

Presença que continua

Atualmente, a Pastoral da Criança está presente em 24 paróquias e 73 comunidades da Diocese de Guarapuava. São 150 líderes cadastrados, além de aproximadamente 50 pessoas que atuam como apoio. O trabalho mantém como característica fundamental a presença junto às famílias, especialmente no acompanhamento das gestantes e das crianças nos primeiros anos de vida.

Ao reunir pessoas que participaram dos primeiros passos da Pastoral e crianças e jovens que começam agora a assumir seu lugar nessa história, a comemoração dos 40 anos mostrou que a missão iniciada em 1986 permanece viva.

Como resumiu Dom Amilton durante a celebração, o compromisso continua sendo “salvar vidas, salvar crianças, salvar famílias” e fazer com que o cuidado iniciado há quatro décadas encontre novas pessoas dispostas a assumir a missão.

(Com Jorge Tles)


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