Operação Abecedário: MPPR denuncia Professor Pablo, o filho e mais 3 pessoas por suspeitas de fraudes em licitações em Guarapuava

Cinco denúncias apresentadas pelo Ministério Público do Paraná apontam suspeitas de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em contratos ligados a obras e reparos em escolas e CMEI

02/10/2026 09H07

Uma nova etapa da Operação Abecedário coloca novamente contratos públicos da área da educação no centro das atenções em Guarapuava. O Ministério Público do Paraná (MPPR) informou nesta sexta-feira (2 de outubro de 2026) que apresentou cinco denúncias contra pessoas investigadas por suspeitas de fraudes em licitações, corrupção, peculato e outros crimes relacionados à administração pública municipal.

Entre os denunciados está o vereador e ex-secretário municipal de Educação de Guarapuava Pablo Almeida, conhecido como Professor Pablo.

As acusações são resultado das investigações da Operação Abecedário, deflagrada em 2024 para apurar possíveis irregularidades ocorridas entre 2020 e 2024 em contratações de serviços de engenharia destinados a pequenos reparos em prédios públicos, principalmente escolas e centros municipais de educação infantil.

Grupo teria simulado concorrência entre empresas

Segundo o MPPR, uma das denúncias aponta a existência de uma organização criminosa formada por sete empresários, que teria atuado entre 2019 e 2024.

De acordo com a acusação, empresas pertencentes ao mesmo conglomerado econômico e empresas parceiras teriam criado uma aparência de concorrência nos processos licitatórios. O objetivo, segundo o Ministério Público, seria direcionar contratos, obter vantagens indevidas e corromper agentes públicos.

As investigações também apontam que o grupo teria participado de negócios em outros municípios do Paraná.

Suspeita envolve servidor municipal e pagamentos

Outras duas denúncias apresentadas pelo Ministério Público envolvem empresários, um engenheiro civil da Prefeitura de Guarapuava e a esposa dele.

Conforme o MPPR, o servidor teria recebido valores ilícitos em dez ocasiões entre 2021 e 2022. Os pagamentos, segundo a investigação, somariam aproximadamente R$ 85,6 mil em valores atualizados.

Ainda de acordo com a acusação, em oito dessas situações teriam sido utilizadas contas bancárias de familiares e amigos para ocultar a movimentação dos valores.

Pablo Almeida está entre os denunciados

Uma das ações penais mencionadas pelo Ministério Público envolve o ex-secretário municipal de Educação, Pablo Almeida, o Professor Pablo, além do filho dele, empresários e o mesmo engenheiro civil citado nas investigações.

Segundo a denúncia, entre 2021 e 2022, materiais adquiridos com recursos públicos teriam sido desviados para uma obra particular atribuída ao ex-secretário.

O MPPR também sustenta que o filho do então gestor teria sido contratado pelas empresas investigadas e que essa contratação teria servido, segundo a acusação, para viabilizar repasses mensais considerados ilícitos. O Ministério Público aponta 17 pagamentos entre 2021 e 2023.

Conforme os valores apresentados na denúncia, o prejuízo aos cofres públicos e as vantagens consideradas ilícitas nessa frente somariam R$ 50.591,73, em valores atualizados.

Contrato de R$ 4,5 milhões entra na mira

A quinta denúncia envolve dez pessoas, entre empresários e agentes públicos, e está relacionada a uma concorrência pública para serviços de reparos em prédios escolares.

Segundo o Ministério Público, a empresa contratada recebeu R$ 4.504.778,73. A instituição afirma ter identificado, por meio de auditoria, serviços que não teriam sido executados ou que teriam sido cobrados acima dos valores contratados.

Por isso, o MPPR pede o ressarcimento de R$ 2.140.425,42 e também a devolução de um suposto lucro ilícito calculado em R$ 365.337,56, conforme os valores indicados na acusação.

Operação teve 26 mandados em 2024

A Operação Abecedário foi deflagrada em 2024, quando foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Guarapuava.

O Ministério Público informou que as investigações continuam e buscam analisar outras licitações das quais os investigados teriam participado.

Denúncia não significa condenação

As acusações apresentadas pelo MPPR ainda serão submetidas à análise judicial. Ser denunciado não significa ser condenado, e a responsabilidade criminal de cada pessoa deverá ser definida no curso do processo, com direito à defesa e ao contraditório.

O caso deverá continuar gerando repercussão em Guarapuava, especialmente por envolver contratos relacionados à educação pública e agentes que ocuparam posições na administração municipal.

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