El Niño trará chuva acima da média ao Paraná até o fim do ano

No Paraná, as regiões com maior volume de chuva esperado são o Oeste, o Sudoeste e o Centro-Sul

14/08/2026 14H50

Foto: Helio Oliveira

Atuando desde junho no Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno El Niño se intensificou no último mês. De acordo com o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, as previsões de todos os institutos internacionais divulgadas nos últimos dias ressaltam que o fenômeno segue em fortalecimento, o que trará chuva acima da média para todas as regiões paranaenses até dezembro. O que tem feito com que o Estado se prepare para o cenário.

Nesta quinta-feira (13 de agosto de 2026), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) informou que o El Niño se intensificou no último mês, com temperaturas acima da média na superfície do mar. Em julho, uma das principais áreas monitoradas ficou com a temperatura 1,4°C acima da média. 

Há mais de 90% de probabilidade do El Niño chegar à intensidade muito forte, quando as temperaturas da superfície do mar ficam pelo menos 2°C acima da climatologia. Isso deve ocorrer durante a primavera e o verão de 2026 / 2027 no Hemisfério Sul, especialmente em outubro, novembro e dezembro. 

Diante desse cenário, o Simepar aponta que a chuva ficará acima da média na primavera e no verão no Sul do Brasil. No Paraná, as regiões com maior volume de chuva esperado são o Oeste, o Sudoeste e o Centro-Sul. Há previsão de maior frequência de episódios de tempo severo. A influência do fenômeno El Niño sobre as condições climáticas do Paraná deve persistir até o primeiro trimestre de 2027.

INVERNO

Durante o inverno, o El Niño já vem demonstrando impactos no Paraná. Das 45 estações meteorológicas do Simepar no Paraná com mais de cinco anos de operação, somente quatro registraram em julho de 2026 volume de chuva abaixo da média histórica para o mês: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba. 

Nas outras 41 estações, o volume de chuva superou a média, com alguns registros históricos. Os 311 mm de chuva em julho de 2026 na estação meteorológica de Palmas, por exemplo, foi o maior para o mês desde a instalação da estação na cidade, há 28 anos. Também registraram o maior volume de chuva para julho, em 2026, as estações que ficam em Altônia (maior volume de chuva desde 2018); em Cianorte (desde 2017); em Cornélio Procópio (desde 2019); em Cruzeiro do Iguaçu (desde 2022); em Foz do Iguaçu (desde 2017); e em Ubiratã (desde 2018).

Em junho deste ano, o cenário foi parecido. Entre as mesmas estações, apenas uma registrou volume de chuva abaixo da média histórica para o mês: a que fica na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, teve 10,2 mm a menos do que o valor médio para o período. Cidades como Capanema, Cândido de Abreu, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Ponta Grossa, São Miguel do Iguaçu e Ubiratã tiveram volumes acumulados de chuva em junho de 2026 pelo menos 100 mm superiores ao volume médio histórico para o período. 

IMPACTOS

Para a agricultura, a redução das áreas de seca devido ao excesso de chuva pode ser benéfica para o desenvolvimento das culturas. Entretanto, o Simepar analisa que o planejamento dos produtores será essencial. O excesso de chuvas também poderá elevar a umidade do solo, consequentemente impactando as operações em campo, incluindo janelas de plantio e colheita. O excesso de umidade pode favorecer a incidência de doenças fúngicas e dependendo da cultura e do estágio fenológico e do período de ocorrência das precipitações, pode comprometer a qualidade de grãos. O excesso de chuvas também pode elevar o risco de perdas de solo ocasionadas por processos erosivos. 

Apesar do El Niño influenciar o comportamento de precipitação e temperatura no Paraná, indicando meses e estações do ano em que estas variáveis fiquem bem distantes das médias históricas, o Simepar ressalta que o acompanhamento diário e contínuo das previsões do tempo e suas atualizações são indispensáveis, pois os períodos específicos em que os episódios de chuva dependem dos tipos de sistemas atuantes na região (frentes frias, sistemas de baixa pressão ou sistemas semiestacionários, por exemplo).

Mesmo os episódios mais intensos de El Niño não produzem necessariamente os mesmos impactos em todas as regiões. Entretanto, eventos mais fortes aumentam a probabilidade de ocorrência dos padrões climáticos normalmente associados ao fenômeno.

PREPARAÇÃO DOS MUNICÍPIOS

Desde as primeiras notícias sobre a intensidade do fenômeno, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) intensificou as ações de preparação junto aos municípios. Os 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR) realizaram encontros alertando os 399 coordenadores municipais sobre a gravidade do cenário, orientando as prefeituras a realizar atividades para melhorar a drenagem, especialmente nas áreas com histórico de ocorrências. Também foram repassadas informações relativas à importância da atualização do Plano de Contingência e da preparação da população local, diante da realidade de cada região.

Até o momento, 243 prefeituras já realizaram ao menos uma ação de prevenção, como a manutenção e limpeza de bueiros e galerias, desassoreamento de rios e canais, participação em reuniões de orientação ou simulados de mesa.

SIMULADOS E ARTICULAÇÃO

Nos meses de março e abril a Defesa Civil Estadual prestou auxílio às prefeituras de Morretes e Antonina, no Litoral, na organização, planejamento e execução de simulados práticos com moradores de áreas risco prioritárias.

Desde o começo de julho, a Cedec executa um calendário de cinco encontros online para o treinamento por simulados de mesa. Nessa atividade, aplicada por meio da Escola de Gestão, são apresentados cenários adversos de desastres associados ao excesso de chuva como alagamentos, enchentes e deslizamentos para auxiliar as prefeituras na tomada de decisão e articulação entre diferentes atores, permitindo avaliar e validar a capacidade de preparação, mitigação e resposta.

A Cedec também organizou encontros com a Secretaria do Estado do Desenvolvimento Social e Família (Sedef) para apoiar as prefeituras no cadastro da população vulnerável das áreas de risco e revisão dos 1.353 abrigos ativos no Paraná. A secretaria também realizou um curso voltado para os assistentes sociais das prefeituras sobre intervenção e gestão em desastres.

Em parceria com a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial (Seia) está prevista a instalação de 12 torres de telefonia móvel e internet em áreas de risco do Estado. Essa mudança permite que cerca de 12 mil pessoas passem a receber os alertas emitidos pela Cedec em situações adversas.

Junto ao Instituto Água e Terra (IAT), a Cedec viabilizou a dispensa de licenciamento ambiental para obras emergenciais de prevenção, mitigação, resposta e recuperação relacionadas a desastres naturais no Paraná. A Secretaria da Educação, por meio do Programa Brigadas Escolares, fortaleceu a revisão das edificações e a preparação dos alunos e servidores para situações extremas.


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