Do campo ao copo: cervejarias artesanais consolidam Guarapuava como a Capital da Cevada e do Malte

Na 1ª Festa Nacional da Cevada e do Malte, produtores locais mostram como transformaram a cidade em referência cervejeira

12/11/2025 17H00

Foto: arquivo cervejaria

A primeira Festa Nacional da Cevada e do Malte de Guarapuava tem uma atração principal indiscutível: a cerveja. Para que a celebração esteja completa, as cervejarias artesanais da cidade estarão presentes em peso, transformando a festa, que será entre esta sexta (14 de novembro de 2025) e o domingo (16), uma verdadeira comemoração da nossa principal matéria-prima.

Com diversas cervejarias confirmadas, o evento organizado pela Prefeitura de Guarapuava trará o sabor da cidade traduzido em dezenas de estilos. Da tradicional Pilsen às criações ousadas com sabores tropicais como goiaba e pitaia, ou notas rústicas de bacon e erva-mate, a diversidade é a prova viva da vocação cervejeira da região.

Essa vocação que hoje garante a Guarapuava o título de maior produtora de cevada e malte do país, foi construída por diferentes mãos: dos pioneiros aos novos empreendedores.

A tradição pioneira

A história cervejeira da cidade é profunda. Harry Reinerth, da Donau Beer, recorda o início dessa jornada há 21 anos, em 2004. “A ideia inicial era do meu pai. Decidimos investir numa cervejaria, pensando em produzir garrafas para o mercado”, conta.

Contudo, a comunidade abraçou a ideia de forma diferente. “As pessoas começaram a vir cada vez mais, amigos dos amigos. Três anos depois, implantamos um restaurante. Meu pai, apaixonado por marcenaria, construiu todas as mesas e bancos, dando a característica germânica que temos hoje.” Essa tradição se reflete no produto: a Donau Beer segue a Reinheitsgebot, a lei de pureza alemã.

Da Panela ao Pódio

Se a Donau Beer representa a tradição, a Hank Bier ilustra a paixão que se profissionalizou. O que começou como um hobby em 2010, se tornou uma referência. “Nascida como um hobby meu (Leo Sampaio) e do Thomaz Felipe, tudo começou com a paixão por cerveja e com a liberdade de experimentar receitas novas”, explica Leonardo Sampaio. Profissionalizada em 2016, hoje a Hank Bier acumula 58 medalhas.

De uma paixão caseira compartilhada em família e que virou negócio, surgiu a Água do Monge. “A cervejaria surgiu pela paixão em produzir cervejas em casa”, conta a sócia, Larissa Vier. “Tão logo, a paixão virou negócio e hoje somos a cervejaria mais premiada de Guarapuava e região.” O nome vem da mística local: a cervejaria usa a mesma fonte de água no Parque do Jordão que, segundo a história, era usada pelo monge João Maria para curar enfermos.

Especialização, Ambição e Laços de Família

Reforçando a conexão da cidade com a expertise técnica, a Cervejaria Suábia nasceu da especialização. “Tudo começou em 2010, quando Thomas Gärtner iniciou o curso de cerveja de panela”, conta a cervejaria. “Nesse mesmo período, Alexander Weckl estava na Alemanha cursando sommelier em cerveja.” Hoje, um com pós-graduação em produção e o outro mestre cervejeiro formado na Alemanha, lideram a equipe.

O mercado seguiu atraindo novos olhares. “Um projeto que surge durante uma reunião entre amigos, empresários do ramo e ambiciosos”, relata Felipe Toledo sobre a Cervejaria Heimdall. “Decidiram se unir e criar uma marca para competir no crescente mercado cervejeiro guarapuavano. Usando apenas ingredientes selecionados e produzindo estilos clássicos e requintados, a Cervejaria Heimdall vêm conquistando os paladares mais exigentes desde sua fundação, em 2020.”

Para a Cervejaria Irmandade, o negócio, iniciado em 2019, foi a formalização de um propósito maior. “A explicação simples seria que surgiu do hobby de fazer cerveja em casa, lá por 2014”, conta Ricardo de Almeida. “Mas na realidade, o nascimento aconteceu pela paixão de se reunir com os irmãos e com os amigos, para fazer cerveja e para fazer comida. Cozinhar juntos é a real origem.”

Já a Cervejaria Jordana, fundada em 2014, carrega uma tradição empresarial. “Nós somos a primeira cervejaria aqui da área urbana”, explica o diretor Renato Mocellin Lopes. “Nossa família já trabalha com produtos alimentícios há 35 anos. Nós viemos do setor de laticínios e já tínhamos a expertise em utilizar matérias-primas locais.”

Apesar das origens distintas, um sentimento une todos: o orgulho de estar no epicentro da matéria-prima.

Para Harry Reinerth (Donau Bier), que está em Entre Rios, a conexão é diária. “Vemos o plantio, a colheita e a malteação. Isso é um orgulho bastante grande.” Leonardo Sampaio (Hank Bier) concorda: “É mostrar que esse insumo nobre é transformado em cervejas de qualidade reconhecidas nacional e internacionalmente!”

Para o visitante em dúvida, os mestres-cervejeiros dão suas dicas: 

A Donau Bier indica a Gota Dourada, uma German Pilsner. Já a cervejaria Heimdall sugere a Pilsen Lager Tha: “Uma cerveja leve e refrescante. Com notas de casca de pão e amargor sutil.” A Água do Monge indica o lançamento, a Pilsen Premium, “feita com maltes de Guarapuava”.

Para quem busca ousadia, Hank Bier indica a premiada Strong Dark, “que segue a tradição das cervejas feitas em mosteiros na Bélgica”. Ricardo da cervejaria Irmandade também foge do óbvio. “Acredito que a Aurora Goiaba Sour seja uma cerveja que nos represente. É saborosa e aromática, é provocativa.”

Do pioneirismo alemão às panelas caseiras, da expertise técnica aos laços familiares, as cervejarias de Guarapuava provam que o título de Capital da Cevada e do Malte não é sobre quantidade, mas sobre a paixão em transformar o “ouro líquido” em experiências únicas. A festa, de 14 a 16 de novembro, é o convite oficial para brindar a essa história. Todas estas cervejarias estarão presentes na 1ª Festa da Cevada e do Malte, você poderá apreciar os mais diversos sabores.

Na Festa Nacional da Cevada e do Malte, a regra é clara: cerveja sim, volante não. A Prefeitura garante ônibus gratuitos para o público voltar pra casa e ainda vale chamar o app na volta. O importante é chegar em casa em segurança.

 

 


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