Diocese de Guarapuava se despede das Irmãs de São José de Chambéry após 34 anos de missão em Inácio Martins
A saída das religiosas acontece dentro de um processo de reorganização da congregação, diante da diminuição no número de irmãs
Foto: Pascom Inácio Martins
A Diocese de Guarapuava viveu, nesse domingo (19 de abril de 2026), um momento marcado pela gratidão. Uma Missa em ação de graças, celebrada na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Inácio Martins, marcou o encerramento da presença das Irmãs de São José de Chambéry, que atuaram por 34 anos na comunidade. A celebração reuniu fiéis, lideranças, religiosas e membros das pastorais que, ao longo das décadas, caminharam junto às religiosas.
A missão das irmãs teve início em 1993 e deixou marcas profundas na vida da paróquia e também em outras frentes da Diocese, como em Guarapuava e Nova Laranjeiras. Com atuação discreta e constante, estiveram presentes na catequese, na Pastoral da Criança, na pastoral indígena, na formação de lideranças e no acompanhamento de doentes e idosos, sempre próximas do povo. “Nossa imensa gratidão às Irmãs por esses 34 anos que estiveram em Inácio Martins e também por todo o tempo que estiveram em nossa Diocese. Elas deixam profundas marcas de atuação, mas sobretudo pelo testemunho de uma presença inserida de forma discreta, atuante e gratuita junto ao povo”, destacou a coordenadora da Comissão da Vida Religiosa e do CRB Núcleo de Guarapuava, irmã Clotilde Bonfim.
Fundada na França, no século XVII, a Congregação das Irmãs de São José de Chambéry tem como essência o carisma da comunhão e do serviço, expresso no compromisso de “unir” — com Deus e entre as pessoas, especialmente onde há divisões e necessidades. Esse espírito marcou a presença das religiosas em Inácio Martins, onde atuaram tanto na matriz quanto nas comunidades rurais, promovendo a vida comunitária e fortalecendo a fé do povo.
Ao longo dos anos, diferentes irmãs contribuíram com a missão. O primeiro grupo contou com a presença das irmãs Genoveva Chrusciel, Maria Donatila Krzjanovski, Celina Nester e Neuza Delazari, cada uma com serviços específicos nas áreas da saúde, educação, liturgia e organização pastoral. Mais recentemente, a comunidade era formada pelas irmãs Aparecida Andrade, Ivone Burgos Eiras e Neiva Frigotto, que deram continuidade ao trabalho pastoral, missionário e formativo.
Para a irmã Aparecida Andrade, que esteve em missão na Diocese desde 2023, a experiência foi marcada pela acolhida e pela fé do povo. “Encontramos pessoas simples, acolhedoras e de grande sensibilidade humana e espiritual. A fé se manifesta no cotidiano, na solidariedade e na perseverança diante dos desafios”, afirmou. Segundo ela, entre os frutos da caminhada está o fortalecimento das lideranças locais, que hoje assumem com responsabilidade a vida das comunidades.
De Aparecida (SP), onde participa da 62ª Assembleia Geral da CNBB até o próximo dia 24 de abril, o bispo diocesano, Dom Amilton Manoel da Silva, manifestou sua gratidão pela presença das irmãs. “Eu agradeço profundamente a presença das irmãs na comunidade, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Inácio Martins, há mais de três décadas. Quanto bem elas fizeram na linha formativa, na linha caritativa, no atendimento e na presença.”, destacou.
Dom Amilton também reconheceu o sentimento da comunidade diante da despedida, marcada pela compreensão e pela fé. “A comunidade se entristece pela saída delas, mas entende que é uma necessidade da província. Da nossa parte, fica uma eterna gratidão, na certeza de que o carisma continuará impregnado na paróquia, nas comunidades, como serviço a Deus e ao próximo. Este é um legado que elas deixam e que não se apagará”, afirmou.
A saída das religiosas acontece dentro de um processo de reorganização da congregação, diante da diminuição no número de irmãs. Mesmo assim, o momento é vivido com serenidade e senso de missão cumprida. “Foi uma caminhada fecunda, marcada pela acolhida do povo e pelo fortalecimento da vida comunitária”, ressaltou.
Embora a presença física das irmãs se encerre, o legado permanece vivo. O carisma da congregação segue sendo testemunhado por leigos e leigas que continuam atuando nas pastorais e na animação da vida cristã, mantendo acesa a chama da fé e do serviço que, por mais de três décadas, foi cultivada com dedicação em Inácio Martins.
(Com Jorge Teles)
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