Danilo Dominico: raiva, vingança ou apenas uma nova conveniência política?

* Por Rogério Thomas

29/09/2026 15H23

Eu não tenho problema algum com vereador criticar prefeito. Pelo contrário. Fiscalizar é obrigação.

O problema é quando a crítica parece acompanhar a conveniência política.

Nesta segunda-feira, Danilo Dominico voltou às redes sociais para atacar a Prefeitura de Guarapuava. O discurso, porém, precisa ser confrontado com a própria trajetória do vereador.

Logo depois das eleições, Dominico declarou apoio à administração de Denilson Baitala e passou a integrar sua base na Câmara. Agora, depois de literalmente “virar o cocho”, transformou-se em crítico ferrenho do governo.

E aí surge a pergunta inevitável: o que mudou? O governo ou o interesse político?

Dominico também precisa lembrar que já esteve do outro lado. Foi secretário de Habitação e Urbanismo. Questões relacionadas à regularização fundiária e à estrutura urbana passaram por suas mãos. Por isso, ao criticar hoje problemas como os relacionados ao IPTU, é legítimo perguntar: o que foi feito quando ele estava no governo?

A crítica política é legítima. O que considero raso é apresentar problemas complexos como se tivessem surgido ontem.

E credibilidade, na política, não se constrói apenas diante de uma câmera.

Há ainda um histórico que não pode ser apagado.

Dominico foi alvo da Operação Terra Prometida, do Gaeco, que investigou suspeitas envolvendo o período em que comandava a Habitação. Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia contra ele e outros investigados. O caso segue na Justiça, e isso não significa condenação, a defesa contesta as acusações.

Também ficou marcada a frase “Quem manda em Guarapuava?”, dita durante um episódio que ganhou enorme repercussão nas redes sociais.

Por isso, quando o vereador muda radicalmente de posição, é inevitável questionar.

É convicção? É ressentimento? É vingança política? Ou existe uma nova estratégia sendo construída para o próximo ciclo eleitoral?

Não tenho elementos para afirmar a resposta.

Mas o eleitor tem todo o direito de perguntar.

E talvez seja justamente essa a questão mais importante: quem está puxando os fios dessa nova postura?

Porque, em política, às vezes o mais importante não é apenas observar quem fala.

É descobrir quem se beneficia quando ele fala.

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Rogério Thomas

Formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) em Comunicação Social - Bacharelado em Jornalismo. Já correu esse mundão de Deus, mas ainda não viu de tudo.

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