Chuva acima da média faz seca recuar em várias partes do Paraná

Os dados são do Monitor de Secas, estudo da Agência Nacional de Águas feito em parceria com vários institutos, entre eles o Simepar

16/07/2026 17H00

Não há mais seca moderada no Paraná, e a seca fraca recuou no Centro-Sul do estado. Os dados, divulgados quarta-feira (15 de julho de 2026), são do Monitor de Secas, estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) feito em parceria com vários institutos, entre eles o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná.

A redução da intensidade e abrangência da seca no Paraná foi indicada pelo Monitor de Secas entre maio e junho de 2026. Em maio, predominavam áreas de seca fraca, com seca moderada concentrada principalmente no Oeste, Sudoeste e Sul do estado. Em junho, o mapa do estudo aponta que a seca fraca permanece no Paraná apenas no Leste, Campos Gerais, Sudoeste e parte do Oeste.

Essa melhora está associada às chuvas acima da média registradas durante junho em grande parte do Paraná, com excedentes que, em muitos municípios, variaram entre 40 e 120 mm, favorecendo a recuperação da umidade do solo, aponta o Simepar.

Várias frentes frias trouxeram chuva ao Paraná a partir do dia 10 de junho, e entre as 45 estações meteorológicas do Simepar, com mais de cinco anos de operação, apenas uma registrou volume de chuva abaixo da média histórica em junho de 2026: a que fica na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, teve 10,2 mm a menos do que o valor médio para o período.

Já municípios como Capanema, Cândido de Abreu, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Ponta Grossa, São Miguel do Iguaçu e Ubiratã tiveram volumes acumulados de chuva em junho de 2026 pelo menos 100 mm superiores ao volume médio histórico para junho. 

Em Campo Mourão, o volume histórico de chuvas foi ultrapassado nos primeiros onze dias do mês. Outras oito cidades alcançaram o acumulado histórico de chuvas para junho em apenas 15 dias: Altônia, Apucarana, Cândido de Abreu, Cianorte, Jaguariaíva, Londrina, Ponta Grossa, e Umuarama.

O impacto da chuva também foi positivo na agricultura. O boletim Agroclimático do Simeagro, divulgado em maio, aponta que o milho segunda safra inicia o processo de colheita. As lavouras avançaram e estão 39% na frutificação e 61% em maturação. As condições das lavouras permanecem predominantemente favoráveis. O plantio do trigo da safra 2026/27 avançou para 98% da área prevista no estado. As lavouras apresentam bom potencial produtivo, com 99% classificadas como boas e 1% como médias. 

BRASIL 

No Brasil, no mapa divulgado nesta quarta-feira (15), não há registro de seca extrema ou seca excepcional em nenhum estado. A seca grave está concentrada em uma pequena área a nordeste de São Paulo - que também teve recuo em comparação com o mapa de maio. A seca moderada é registrada em algumas áreas de Rondônia, ao oeste do Amazonas, e em várias áreas do Nordeste brasileiro e dos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. 

Já a seca fraca, além do Paraná, está espalhada por praticamente todos os estados brasileiros, com exceção apenas do Amapá e Mato Grosso, que não registram nenhum tipo de seca relativa no mapa de junho. 

O MONITOR 

O Monitor de Secas iniciou em 2014 focado no semiárido, que sofria desde 2012 com a seca mais grave dos últimos 100 anos. Desde 2017 a ANA articula o projeto entre as instituições envolvidas e coordena o processo de elaboração dos mapas.

O Simepar todos os meses faz a análise das regiões Sul e Sudeste, utilizando dados como precipitação, temperatura do ar, índice de vegetação, níveis dos reservatórios e dados de evapotranspiração (a relação entre a temperatura e a evaporação da água). A cada três meses, o Simepar ainda coordena a elaboração do mapa completo.


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