Uma pequena parcela descarta, uma comunidade inteira sofre: o alerta sobre o lixo nas galerias após os alagamentos em Guarapuava

Prefeitura reforça ações emergenciais para desobstruir galerias, mas toneladas de resíduos jogados irregularmente voltam a expor um problema que pode se agravar com a força das chuvas; população é peça-chave para evitar novas tragédias

13/09/2026 10H50

Foto: Secom

O que deveria ser levado pela água não pode ser aquilo que impede a água de passar. Esse é um dos principais alertas deixados pelos alagamentos registrados na Vila Concórdia, em Guarapuava, após as fortes chuvas de quinta-feira (10 de setembro de 2026).

Na sexta-feira (11), equipes da Secretaria Municipal de Obras e da Surg voltaram a campo para realizar uma ação emergencial de limpeza nas galerias e no córrego que corta a região. Durante a vistoria, os servidores encontraram uma quantidade expressiva de resíduos dentro do sistema de drenagem, entre eles móveis, pneus, pedaços de madeira e outros materiais.

O cenário ajuda a explicar por que um problema antigo voltou a se repetir: com as galerias obstruídas, a água encontra dificuldades para escoar justamente quando o volume das chuvas aumenta.

E o alerta é claro: não basta cobrar obras e limpeza. A população também precisa fazer a sua parte.

Lixo descartado de forma irregular pode transformar chuva forte em alagamento

A secretária municipal de Obras, Tatiane Nezi, afirma que as galerias, manilhas e córregos da região já haviam recebido serviços de limpeza recentemente. Mesmo assim, após o novo episódio de alagamento, as equipes retornaram ao local e encontraram grande quantidade de lixo no interior das estruturas.

Segundo a secretária, a vegetação retirada durante o trabalho não foi a responsável pelo alagamento.

O principal problema identificado, de acordo com a Prefeitura, foi justamente o volume de resíduos que comprometia a passagem da água pelas manilhas e galerias.

A situação revela um efeito perverso do descarte irregular: uma parcela da população joga o lixo em locais inadequados, mas quem paga a conta é toda a comunidade.

O problema não termina na sujeira. Pneus, móveis, madeira e outros objetos podem ser carregados pela chuva para córregos, rios e galerias, formando verdadeiros pontos de estrangulamento do sistema de drenagem.

Moradores convivem há décadas com os alagamentos

Na Vila Concórdia, o problema não é novo.

Moradora da região há 43 anos, Rose Cordeiro Glovaski conta que a chuva mais recente provocou alagamentos que permaneceram durante horas.

A água tomou conta do pátio e da rua, aumentando a preocupação de quem vive na região.

Para os moradores, a presença das equipes municipais representa uma esperança de que o problema possa finalmente ser enfrentado de maneira definitiva.

Prefeitura promete solução definitiva, mas obra ainda depende de licenças

Além da limpeza emergencial, o Município trabalha em uma solução estrutural para o córrego.

De acordo com a Secretaria de Obras, já existe projeto aprovado e os recursos necessários para a futura canalização do córrego estão viabilizados. Neste momento, a Prefeitura aguarda licenças ambientais para concluir os procedimentos necessários e iniciar a intervenção.

Enquanto a obra definitiva não sai do papel, as ações de manutenção ganham importância estratégica.

A limpeza das galerias e o desassoreamento buscam aumentar a capacidade de escoamento da água e reduzir os riscos de novos alagamentos durante os períodos de chuva intensa.

Em alguns pontos, o córrego passa por propriedades particulares. Segundo a Prefeitura, os moradores foram procurados e autorizaram a entrada das equipes para que os serviços pudessem ser realizados.

El Niño aumenta a preocupação com eventos de chuva intensa

O cenário merece atenção redobrada diante dos alertas relacionados à influência do El Niño e à possibilidade de condições climáticas mais extremas.

Em períodos de chuva intensa, sistemas de drenagem já comprometidos por lixo e assoreamento ficam ainda mais vulneráveis. Por isso, a prevenção não pode depender apenas da chegada das equipes públicas depois que a água já invadiu ruas e imóveis.

Limpeza, manutenção, obras de infraestrutura e fiscalização são fundamentais. Mas o comportamento da população também é decisivo.

Jogar um pneu no córrego, abandonar um móvel na rua ou descartar resíduos em terrenos e áreas próximas às galerias pode parecer um problema pequeno para quem faz o descarte. Quando a chuva chega, porém, o material pode acabar dentro do sistema de drenagem e provocar consequências para dezenas ou centenas de famílias.

O alerta é para todos: lixo tem lugar certo

A orientação da Prefeitura é para que os moradores façam o descarte correto dos resíduos e utilizem os ecopontos disponíveis no município.

A mensagem é simples, mas urgente: não jogue lixo em rios, córregos, galerias, terrenos baldios ou vias públicas.

A prevenção de alagamentos começa antes da chuva.

Enquanto o Município trabalha na limpeza das estruturas existentes e avança nos procedimentos para a canalização do córrego, a população precisa contribuir para que o sistema de drenagem funcione adequadamente.

Uma cidade preparada para enfrentar chuvas fortes depende de obras públicas, planejamento e, principalmente, responsabilidade coletiva.

Na Vila Concórdia, o recado deixado pelas últimas chuvas é impossível de ignorar: quando o lixo vai para o lugar errado, a água também encontra o caminho errado — e pode acabar dentro de casa.

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