Uma nostalgia chamada locadora de vídeo

* Por Marcos Sidnei Skorupski

27/05/2024 13H48

* Por Marcos Sidnei Skorupski

Gostaria que você se imaginasse no final dos anos 90 ou início dos anos 2000. Você soube que um grande filme seria lançado por meio de uma propaganda na TV ou em uma revista que você leu. O lançamento seria realizado nos cinemas, e vários meses depois, o filme finalmente estaria disponível em fita de vídeo ou em DVD. Dependendo do período em que você cresceu, se tivermos uma idade aproximada, você pôde prestigiar seus filmes preferidos de uma das duas formas que citei.

Quando os lançamentos finalmente chegavam às locadoras, existiam filas de espera para locar. Isto mesmo, filas de espera! Era necessário reservar o tão cobiçado filme, e torcer que, no caso do disco em DVD, não estivesse todo riscado quando chegasse a sua vez de locar.

Lembro que em 2005, tive a oportunidade de assistir King Kong no cinema. Eu tinha oito anos, e durante as mais de três horas de filme, fiquei paralisado e encantado com tudo aquilo – principalmente os dinossauros.

Saindo da sessão, mal podia esperar para poder assistir novamente – o que seria possível apenas quando o filme fosse lançado em DVD. O grande dia chegou e o filme já estava disponível nas locadoras. Fui correndo para tentar garantir a minha locação, mas não tive sucesso. Tive que esperar alguns dias até que chegasse a minha vez. Expectativas estavam a mil!

No final de semana, quando meu irmão saía no sábado à noite para trabalhar ou se divertir, fazia questão de pegar um filme para mim. No domingo de manhã, eu pulava da cama para ver qual seria a surpresa da vez. Foi nesta época em que maratonei as animações da Disney, e ali nascia a grande paixão pelo cinema.

Hoje em dia, acredito que as pessoas mais novas não tiveram a chance de conhecer uma locadora de vídeo, nem de saber como funcionava para assistir filmes em um período não tão distante.

Atualmente, os filmes, pouco tempo depois de serem lançados nos cinemas, já são disponibilizados no streaming. Sem contar a vasta quantidade de material que não vai para as telonas, sendo lançado diretamente nas plataformas. Não sei vocês, mas eu sinto falta de quando o lançamento de um filme era verdadeiramente um evento. Hoje em dia, basta ligar a televisão que temos um cardápio à nossa disposição: sirva-se com o que quiser. Sucesso vai, sucesso vem, e dificilmente algum filme recente nos marca e nos encanta. As plataformas lutam para inovar e não entregar mais do mesmo. O foco muitas vezes está na quantidade, e não na qualidade.

Houve um período em que assistir filmes era considerado um momento de lazer planejado. Passávamos mais de uma hora nos corredores das locadoras, lendo as sinopses, analisando as capas dos filmes, pedindo indicações, conversando com outras pessoas que também procuravam filmes. Hoje, para assistir um filme novo, basta assinar um plano premium em uma plataforma com mais de quinze mil filmes, passar meia hora escolhendo e depois, tirar um cochilo, logo nos primeiros cinco minutos de filme.

27 de Maio de 2024.

OPINIÃO


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