Um lar por um tempo, uma marca para a vida: Guarapuava procura famílias dispostas a acolher crianças afastadas dos pais

Há momentos em que uma criança precisa de mais do que proteção: precisa de colo, rotina, segurança e alguém que diga, mesmo sem palavras, que ela não está sozinha

25/08/2026 12H50

Imagem ilustrativa

Há momentos em que uma criança precisa de mais do que proteção: precisa de colo, rotina, segurança e alguém que diga, mesmo sem palavras, que ela não está sozinha.

Em Guarapuava, famílias que desejam oferecer esse porto seguro podem se inscrever no Programa Família Acolhedora, da Prefeitura. O prazo vai até 21 de setembro de 2026.

A iniciativa prepara e capacita famílias da comunidade para receber temporariamente crianças e adolescentes que foram afastados do convívio com seus familiares de origem por determinação judicial. O objetivo é garantir que, durante um período delicado, esses meninos e meninas continuem tendo acesso à convivência familiar, escola, saúde, lazer e, principalmente, cuidado e afeto.

Segundo a coordenadora e assistente social do Serviço Família Acolhedora, Regiane Cristina Lopes-Morais, o programa funciona como uma espécie de ponte durante o processo de proteção.

“O serviço de acolhimento em família acolhedora capacita famílias da comunidade em geral para receber em suas casas crianças e adolescentes que neste momento estão em medida de proteção”, explica.

Não é adoção. É acolhimento.

Uma das características mais importantes do programa é justamente a diferença em relação à adoção.

A família acolhedora recebe a criança ou o adolescente temporariamente, enquanto a Justiça define os próximos passos de cada caso. Pode ser acolhida uma criança individualmente ou até mesmo um grupo de irmãos, dependendo do perfil e da disponibilidade da família cadastrada.

Nesse período, a família oferece aquilo que muitas vezes parece simples, mas pode ser decisivo: uma casa segura, alimentação, acompanhamento escolar, cuidados de saúde, convivência comunitária, passeios, regras e, sobretudo, afeto.

“A nossa função enquanto serviço, enquanto família acolhedora, é prestar assistência para essa criança, para esse adolescente, tanto educacional, material, para que essa criança esteja inserida na comunidade”, destaca Regiane.

280 histórias já passaram pelo programa

O impacto da iniciativa pode ser medido em um número expressivo: 280 crianças já passaram pelo Programa Família Acolhedora em Guarapuava.

Para a coordenadora, a experiência pode representar uma referência positiva na vida de uma criança que atravessa uma situação de ruptura familiar.

“Talvez ser a primeira possibilidade de ele ter uma família tranquila, um ar em paz, saber o que é respeito, regras de convivência, e ter o carinho, o olhar atendido para aquela criança e para aquele adolescente”, afirma.

Mais do que abrir a porta de uma casa, o programa busca abrir espaço para que uma criança continue vivendo uma experiência de cuidado e pertencimento enquanto seu futuro é definido.

Quem pode ser uma família acolhedora?

Para participar, é necessário:

* Ter mais de 18 anos;
* Residir em Guarapuava há pelo menos um ano;
* Não fazer uso de substâncias;
* Estar com a documentação regular;
* Possuir renda familiar;
* Não estar inscrito no Cadastro Nacional de Adoção.

No pré-cadastro, são solicitados RG, CPF e comprovante de residência. Durante o processo, outros documentos poderão ser exigidos, como certidão de nascimento e comprovante de renda.

Onde fazer a inscrição

As inscrições estão abertas até 21 de setembro de 2026 e devem ser realizadas presencialmente na sede do Serviço Família Acolhedora:

- Rua Vicente Machado, 1015, Centro, Guarapuava - Nos fundos do Hospital São Vicente.

A proposta é simples na essência, mas profunda no impacto: oferecer a uma criança que atravessa uma situação de vulnerabilidade aquilo que toda infância deveria ter — segurança, cuidado, respeito e convivência familiar.

Para quem está disposto a acolher, pode ser apenas um período de alguns meses. Para quem é acolhido, porém, a experiência pode se tornar uma lembrança para a vida inteira.

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