Trégua na chuva deve ajudar rios do Paraná a baixarem de nível; MAS CHUVAS VOLTAM NESTA QUINTA (29)

Os efeitos das chuvas recentes foram particularmente expressivos na bacia do rio Iguaçu

28/10/2026 10H10

A previsão de dias sem chuva na maior parte do Paraná deve favorecer a redução gradual do nível dos rios e ajudar a amenizar os problemas provocados pelas precipitações intensas dos últimos dias. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a tendência é que os cursos d’água retornem aos leitos normais, reduzindo os riscos de inundações.

A trégua na chuva começou na segunda-feira (26 de outubro de 2026) e deve continuar até quinta-feira (29). De acordo com o Simepar, a presença de uma massa de ar frio e seco mantém a precipitação afastada da maior parte do estado. A exceção é na faixa litorânea, onde ainda podem ocorrer chuvas fracas e isoladas.

A expectativa é que a ausência de novas precipitações permita que os rios reduzam gradualmente seus níveis após as cheias recentes. O retorno às condições normais, no entanto, depende da situação de cada curso d’água e do volume de água acumulado nas respectivas bacias hidrográficas.

Rio Iguaçu registra vazões recordes

Os efeitos das chuvas recentes foram particularmente expressivos na bacia do rio Iguaçu. Segundo a Companhia Paranaense de Energia (Copel), as vazões que chegaram aos reservatórios de suas usinas no rio atingiram os maiores patamares de 2026 durante o fim de semana.

Na Usina de Foz do Areia, a vazão de entrada ultrapassou 6 milhões de litros por segundo no sábado (24), volume equivalente ao registrado durante a cheia de 2023. Na Usina de Segredo, o pico chegou a 9 milhões de litros por segundo, o maior desde o início de sua operação, em setembro de 1992.

Já na Usina de Salto Caxias, a vazão atingiu 17,5 milhões de litros por segundo na manhã de domingo (25), o terceiro maior registro desde a inauguração da hidrelétrica, em 1999.
As três usinas permanecem com as comportas abertas para escoar as altas vazões e manter o controle dos níveis dos reservatórios. As decisões sobre a operação são coordenadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A elevação do volume de água também foi observada nas Cataratas do Iguaçu, que registraram a maior vazão do ano na madrugada desta segunda-feira (26). Foram 17,7 milhões de litros por segundo, quase 12 vezes acima da média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo.

Chuvas provocaram transbordamentos em diferentes regiões

Além da bacia do Iguaçu, outros rios registraram elevação durante o período de chuvas intensas. Em Francisco Beltrão, no Sudoeste do estado, o rio Marrecas subiu 1,71 metro em 24 horas até sábado (24), após um temporal que acumulou 120 milímetros de chuva entre a meia-noite e às 7h. O episódio provocou alagamentos e interdições de vias, enquanto as autoridades monitoravam também áreas próximas aos rios Progresso, Lonqueador e Urutago.

Em Morretes, o transbordamento do rio Nhundiaquara atingiu espaços públicos e provocou alagamentos em pontos do município. Segundo informações da Defesa Civil municipal divulgadas no sábado, a cidade havia acumulado 60 milímetros de chuva até a tarde daquele dia. A variação da maré na Baía de Antonina também influencia o escoamento da água dos rios da região.

Chuva retorna na quinta-feira

Apesar da trégua, a previsão do Simepar indica o retorno das chuvas de forma mais abrangente a partir de quinta-feira (29). Inicialmente, a expectativa é de precipitações menos intensas do que as registradas nos últimos dias, o que pode reduzir a possibilidade de novos transtornos.

A intensidade e a distribuição das próximas chuvas, porém, serão determinantes para avaliar seus efeitos sobre os rios. Por isso, a redução gradual dos níveis durante os dias de tempo seco não significa que o risco de novas elevações esteja descartado.
A Copel recomenda que moradores de áreas ribeirinhas e frequentadores dos rios mantenham a atenção durante os períodos de cheia e evitem locais de risco.


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