This must be pop! Moda é pop ou popular?
* Por Expressiva Modas

No início do milênio o pop começou a ficar mais popular, isto é, elementos da cultura pop começaram a fazer parte de maneira cada vez mais presente do cotidiano das pessoas. Músicas, filmes, séries, tudo começou a ser difundido e consumido de maneira mais rápida e orgânica, principalmente entre os jovens que consumiam Backstreet Boys, Britney Spears, Harry Potter e Star Wars para muito além do audiovisual. Um fenômeno crescente e que se expandia cada vez mais até no que conhecemos hoje: a cultura pop.
A dita geração pop das décadas de 1960 e 1970, que ouviam Elvis Presley e Michael Jackson, viam tv, consumiam moda com estampas psicodélicas e iam a festivais e já tinham provado do gosto de popularizar o que consumiam e criar uma identificação entre si, podem nos ensinar muito sobre esse processo de popularizar o pop; afinal, foi a partir desse momento que o termo “pop” passou a ficar conhecido. Apesar de um dia terem sido sinônimos, hoje pop e popular possuem conotações diferentes e isso vale para a cultura e a moda de maneira geral.
Apesar de ser uma redução da palavra original, hoje classificar algo como pop é mais sobre a ênfase de tal assunto e sua relevância no momento, na contemporaneidade. Claro, tem elementos do pop que já são consagrados há décadas e jamais serão destronados, como os Beatles, por exemplo: todo mundo conhece, já ouviu falar, mas nem todo mundo consome; é um fenômeno, um espetáculo, assim como Senhor dos Anéis. Popular, por outro lado, é justamente aquilo que caiu nos gostos e nas graças das massas, do público. Na moda, não há exceção sobre essa classificação entre pop e popular e podemos usar alguns exemplos práticos para entender melhor isso, como a calça jeans, por exemplo, que é um item popular e democrático do nosso guarda-roupa. Todo mundo tem uma calça jeans no armário. Mas só porque a calça jeans é popular, não significa que não seja pop também, afinal, conta parte da história onde, durante o período de guerras, deixou de ser tecido de uniformes fabris e se transformou em calças que mulheres passaram a usar todos os dias, inclusive na famosa arte feminista do cartaz de We Can Do This!, é atemporal. Agora a clássica bolsa Chanel 2.55 é pop, mas não é popular. Provavelmente, esse é o modelo mais replicado do mundo e o que mais inspirou a criação de bolsas; mas, ao mesmo tempo, o nome Chanel carrega décadas de história e tradição, certamente que seus produtos não são destinados para as classes mais populares, para o consumo das massas.
Então, podemos dizer que moda é pop: é pensada e criada para ser consumida, vista, falada, manifestada, usada e “desusada”; é pop no sentido de todo mundo conhece a clássica estampa de correntes da Versace, o monograma da Gucci, uma bolsa Bottega, cria identidades visuais, desperta desejo de pertencer aquele mundo pop cheio de tendências e novidades. Mas a moda não é popular.
Claro, hoje muito se discute sobre moda democrática e acessível, vemos tendências serem reproduzidas por diversas marcas que priorizam a qualidade e a sustentabilidade e essas tendências caem nas graças do grande público. Vemos nichos de pessoas se identificarem com um determinado estilo e proposta de vida e adotarem esse estilo no seu dia a dia, criando tribos dentro da nossa sociedade que optam por usar isso ou aquilo. Seja pop ou popular.
Moda entra nesse sentido para criar uma sensação de identificação e pertencimento, você acaba usando aquilo que melhor te define, te faz sentir parte de algo, parte de um nicho da cultura pop. Mas ao mesmo tempo propicia um espaço de experiência para que você se distancie do seu semelhante e crie sua própria identificação, porque esse é um impulso nato do ser humano: pertencer a um grupo, mas se destacar.
Moda é contemporânea e intempestiva, muda rápido, se renova, se repete, cria e recria, é a perfeita concretização do contemporâneo, pois se realiza em si mesmo no momento em que é concebida, e por isso, é pop. Mas também existe a moda democrática, acessível, que te permite explorar qual o seu papel enquanto sujeito na sociedade e como quer participar das tendências e dos usos e, por isso, moda é popular. Uma reflexão que está longe de acabar, mas que é necessária para entender o que é moda, como ela funciona e qual o seu papel na sociedade.
Mauro Biazi
Mauro Xavier Biazi, jornalista/escritor/fotógrafo/promotor de eventos culturais/ gastronômicos, e uma infinidade de outras atividades, usa das palavras para rascunhar recortes de uma vida de tantos feitos e fatos.Veja Mais
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