Seca não é mais registrada no Paraná, aponta pesquisa da Agência Nacional de Águas
Dados são referentes a agosto. Estudo é da ANA, em parceria com vários institutos, entre eles o Simepar

Os volumes de chuva acima da média favoreceram o desaparecimento da seca fraca que ainda era registrada no Leste do Paraná, deixando todo Estado sem qualquer nível de escassez de chuva. Os dados são do Monitor de Secas, estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) publicado nessa quarta-feira (16 de setembro de 2026), referente à análise de agosto. A pesquisa é realizada em parceria com vários institutos, entre eles o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná).
A seca na região Leste do Paraná persistia há mais de um ano. A redução da intensidade e abrangência dessa condição no Estado começou a ser indicada pelo Monitor de Secas a partir de maio de 2026. Naquele período predominavam áreas de seca fraca, com seca moderada concentrada principalmente no Oeste, Sudoeste e Sul.
Em junho, a seca moderada já não era mais registrada e a seca fraca permanecia apenas no Leste, Campos Gerais, Sudoeste e parte do Oeste. Em julho, a seca já constava no mapa somente em uma área ainda menor da região Leste.
CHUVAS EM AGOSTO
Entre as 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas três contabilizaram chuva abaixo da média climatológica em agosto: Cianorte, Maringá, e Apucarana. Em contrapartida, os registros foram os maiores para o oitavo mês do ano desde a instalação das estações meteorológicas do Simepar em Fazenda Rio Grande, em 2009; em Laranjeiras do Sul, em 2017, e no Distrito de Horizonte, em Palmas, em 2019.
A maior parte do volume de chuva do mês ocorreu em duas passagens de frentes frias com episódios bastante volumosos, provocando mais de 100 mm em menos de 24 horas em cidades do extremo Sul do Paraná.
REGIÃO SUL
A seca não é mais registrada em nenhum dos estados do Sul do Brasil. Nesta região, o fenômeno El Niño aumentou a disponibilidade de calor e umidade, o que potencializou os episódios de chuva. A chuva acima da média também fez a seca fraca recuar no Norte e Nordeste do Mato Grosso do Sul, e no sul de Goiás.
Também devido ao excesso de chuva, a seca recuou em regiões do Rio de Janeiro e de São Paulo – estado que deixou de registrar seca grave. Na Paraíba, não houve mudança na condição de seca em relação ao mês anterior.
NO BRASIL
A situação não é a mesma nas outras regiões brasileiras, onde o principal impacto do El Niño é o aumento nas temperaturas e a redução do volume de chuva. Isso favoreceu o avanço da seca fraca no centro-leste de Goiás e também no Distrito Federal.
A chuva abaixo da média fez a seca evoluir de intensidade em regiões do Acre, Alagoas, Amazonas, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Roraima.
O Monitor também aponta que a seca avançou para novas áreas: passou a ser registrada seca fraca no norte, oeste e extremo sul do Amapá; no Amazonas, a seca moderada teve área ampliada no noroeste e a seca fraca evoluiu no norte, centro e leste do estado.
Houve avanço da seca fraca no Leste e da seca moderada no Nordeste e Sul da Bahia; no Ceará, a seca fraca expandiu por quase todo o estado; o norte do Espírito Santo registrou aumento da área da seca moderada.
No Maranhão, aumentou a área com seca fraca; no norte do Pará e norte do Piauí, a seca fraca avançou; em Rondônia, a seca moderada expandiu no oeste do estado; em Sergipe, a seca moderada avançou no sertão e a seca fraca avançou no nordeste do estado; e no Tocantins, a seca moderada cresceu no centro e oeste do estado.
ATUAÇÃO DO SIMEPAR
O Monitor de Secas iniciou em 2014 focado no semiárido, que sofria desde 2012 com a seca mais grave dos últimos 100 anos. Desde 2017, a ANA articula o projeto entre as instituições envolvidas e coordena o processo de elaboração dos mapas.
O Simepar todos os meses faz a análise das regiões Sul e Sudeste, utilizando dados como precipitação, temperatura do ar, índice de vegetação, níveis dos reservatórios e dados de evapotranspiração (a relação entre a temperatura e a evaporação da água). A cada três meses, o Simepar ainda coordena a elaboração do mapa completo.
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