Sandra Golin critica uso político de acusação arquivada pelo MP: “Quem conheceu a acusação também precisa conhecer o resultado”

Investigação sobre suposta interferência na fila do SUS foi arquivada pelo Ministério Público, decisão foi mantida após recurso e Sandra afirma que episódio continua sendo usado politicamente em Guarapuava

12/09/2026 17H00

Imagem ilustrativa

O caso que envolveu a Saúde de Guarapuava em uma intensa disputa política volta a ganhar repercussão após a manifestação pública de Sandra Golin de Andrade em suas redes sociais neste sábado (12 de setembro de 2026). A ex-diretora-geral da Saúde decidiu falar sobre as acusações feitas contra ela pelo ex-secretário de Saúde, Marcio Brunsfeld, e destacar o desfecho da investigação conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).

O episódio teve origem em acusações de Marcio de que Sandra teria favorecido pacientes ou interferido na fila de regulação de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS). As declarações ganharam repercussão no cenário político local e passaram a ser utilizadas em debates sobre a gestão da Saúde municipal.

Durante a investigação, que tramitou sob sigilo, Sandra não pôde apresentar publicamente todos os esclarecimentos relacionados ao procedimento.

O que aconteceu depois da acusação?

Segundo informações apresentadas pela defesa de Sandra, a apuração realizada pelo Ministério Público não confirmou a suposta prática de interferência na fila do SUS.

A conclusão apresentada pela advogada registra: “Não restou caracterizada a prática de conduta visando furar a fila do Sistema Único de Saúde.”

Houve recurso contra o arquivamento. Entretanto, conforme informado pela defesa, o Conselho Superior do Ministério Público manteve a decisão em 29 de maio de 2026. O procedimento foi encerrado em 1º de junho de 2026.

Com o encerramento da apuração, Sandra passou a questionar a continuidade do uso político das acusações, especialmente quando o resultado da investigação, segundo ela, não é apresentado junto com as denúncias.

“Quem ouviu a acusação também tem o direito de conhecer o resultado”

Em sua manifestação, Sandra afirmou que não questiona o direito de adversários políticos fazerem críticas à sua atuação, mas considera diferente repetir uma acusação grave sem mencionar que o caso foi investigado e arquivado.

“Uma coisa é fazer oposição, questionar ou discordar. Outra coisa é continuar usando uma acusação grave sem contar para as pessoas que ela foi investigada e arquivada. Quem ouviu a acusação também tem o direito de conhecer o resultado.”

Para Sandra, o episódio mostra uma diferença importante entre uma acusação pública e uma responsabilização após apuração pelos órgãos competentes.

A ex-diretora-geral afirma que não pretende transformar o caso em uma disputa pessoal, mas considera necessário defender sua honra e esclarecer o que ocorreu após as acusações.

“Não quero viver olhando para trás. Quero continuar trabalhando. Mas também não vou aceitar que uma acusação que foi investigada e arquivada continue sendo repetida como se o resultado não existisse.”

Sandra afirma ter identificado misoginia nos ataques

Além de questionar o uso político do episódio, Sandra também afirmou enxergar um componente de misoginia na maneira como foi atacada ao longo da repercussão do caso.

Segundo ela, sua postura firme na vida pública e a disposição para defender decisões consideradas difíceis podem ter contribuído para a intensidade das críticas.

“Sempre fui uma mulher de posições firmes. Nunca tive medo de dizer o que precisava ser dito ou de tomar decisões difíceis. E acredito que, muitas vezes, uma mulher que se posiciona dessa forma incomoda. Na minha avaliação, houve, sim, um componente de misoginia na maneira como tentaram atingir meu nome.”

Sandra também classificou como especialmente grave, em sua avaliação, a utilização política posterior de uma acusação que, segundo o resultado apresentado pela defesa, não foi confirmada na investigação.

“Depois de tudo o que foi apurado, continuar explorando politicamente uma acusação que não foi confirmada é, para mim, uma atitude covarde. Não porque ninguém possa me criticar, pode e deve. Mas porque crítica política e acusação são coisas diferentes.”

Acusação, investigação e resultado

O caso ganhou espaço no debate político de Guarapuava depois das declarações do então secretário municipal de Saúde, Márcio Brunsfeld, que apresentou questionamentos relacionados à gestão da pasta e citou episódios envolvendo Sandra.

As acusações tiveram ampla repercussão pública e nas redes sociais, mas o posterior desfecho da investigação passou a ser apresentado por Sandra como um elemento fundamental para que a população conheça a história completa.

A diferença, segundo ela, está justamente entre uma acusação e uma conclusão oficial após investigação.

Uma denúncia pode gerar repercussão e questionamentos. A apuração, por sua vez, busca analisar documentos, versões e demais elementos disponíveis para verificar se houve ou não irregularidade.

No caso de Sandra, a defesa sustenta que o procedimento instaurado para apurar a suposta interferência na fila do SUS terminou arquivado e que a decisão foi mantida após recurso.

Por isso, Sandra defende que o resultado seja divulgado sempre que as acusações forem retomadas no debate político.

“A história não termina na denúncia”

Sandra afirma que pretende continuar trabalhando e contribuindo com a administração municipal, sem transformar o episódio em uma disputa pessoal.

Ela também agradeceu às pessoas que permaneceram ao seu lado durante o período de investigação e à atual administração pela confiança e pelo apoio.

“Sigo trabalhando, servindo às pessoas e contribuindo com Guarapuava.”

A defesa informou ainda que medidas judiciais relacionadas à proteção da honra e da imagem de Sandra já estão sendo adotadas.

O episódio, portanto, continua tendo repercussão no cenário político local. De um lado, permanecem as críticas e os questionamentos que deram origem à controvérsia. De outro, Sandra agora coloca em evidência o resultado da investigação e sustenta que uma acusação não deve ser apresentada isoladamente quando o procedimento oficial já teve seu desfecho.

Para ela, a população tem o direito de conhecer os dois lados da história.

“Quem conheceu a acusação também precisa conhecer o resultado.”

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