Quadrilhas levam terror ao campo e Polícia age com 105 prisões
Nos últimos dois anos e meio, mais de 20 mil ocorrências foram registradas

A ação de quadrilhas especializadas em furtar e roubar gado e implementos agrícolas em propriedades rurais do Paraná, tem tirado o sono dos fazendeiros e colonos, além de acender sinal vermelho na Federação da Agricultura do Estado – Faep.
O presidente da entidade, Ágide Meneguette, disse que “a falta de segurança no campo tem preocupado muito os produtores rurais do nosso Estado. São inúmeros casos relatados em todas as regiões do Paraná e de forma recorrente”. Meneguette pediu ao Governo do Estado a criação de uma força-tarefa que se dedique exclusivamente a investigar e a desbaratar os grupos criminosos que miram fazendas de gado.
Atendendo ao apelo do campo, foram realizadas várias diligências pela Patrulha Rural Comunitária, distribuídas nos batalhões e companhias independentes, com ações preventivas e repressivas em todos os ambientes rurais por meio de patrulhamentos, bloqueios, visitas preventivas às propriedades e demais demandas da segurança pública.
Em um período de 60 dias, foram feitas 105 prisões e duas apreensões de adolescentes. Além disso, foram apreendidas 32 armas de fogo e 237 munições de diversos calibres, 19 veículos com indicativo de furto ou roubo foram recuperados e mais de 4 toneladas de drogas apreendidas.
Durante as ações, no Norte Pioneiro e Noroeste, a polícia identificou outra modalidade de atuação dos bandidos. Os ladrões entram nas fazendas e, usando caminhonetes ou pequenos caminhões, furtam cabeças de gado, deixando os pecuaristas no prejuízo e com a sensação de impotência. No início do ano, um fazendeiro de Mariluz teve 23 cabeças levadas de uma só vez. Desesperado, o pecuarista chegou a oferecer uma recompensa de R$ 10 mil a quem apresentasse informações que o ajudasse a recuperar os animais.
Segundo a Faep, em algumas regiões, as ocorrências são ainda mais preocupantes por envolverem violência. Em Rondon, no Noroeste do Paraná, quadrilhas formadas por bandidos armados têm invadido as fazendas, rendido funcionários e pecuaristas e roubado o que podem: de caminhões lotados de gado a tratores e outros implementos agrícolas. Recentemente, a criadora Simone de Paula teve a um familiar vítima do crime.
Relato de uma vítima: Já passava das 21 horas quando o agricultor João Carlos Carrion encerrava o expediente na fazenda em que é funcionário, em Astorga, Norte do Paraná. Ele desceu do trator e fechava as barras do pulverizador, no instante em que foi surpreendido por dois bandidos armados – um com uma carabina, outro com um revólver. Carrion foi encapuzado, amarrado e colocado no banco de trás do automóvel dos assaltantes. Enquanto um dos ladrões rodava de carro com o agricultor, o outro levava o maquinário. Ele foi libertado em um canavial já na alta madrugada, no município vizinho de Ângulo, a 30 quilômetros de Astorga. O crime ocorreu em 24 de abril deste ano. O trator John Deere 6100 (avaliado em R$ 120 mil) e o pulverizador Columbia (estimado em R$ 30 mil) jamais foram encontrados.
Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), ao longo dos últimos dois anos e meio, o Paraná registrou 2.354 roubos a propriedades rurais (quando bandidos armados rendem as vítimas) e 19.261 furtos (em que ladrões levam os bens quando a vítima não está no local ou não percebem a ação). Além disso, 1.026 veículos foram furtados e 750 foram roubados no meio rural. Juntos, são quase 23,4 mil ocorrências em meio rural, no período: média de 779 por mês. Por um lado, o número de casos vem caindo, mas ainda estão em um patamar preocupante: são 25 furtos ou roubos em meio rural por dia. Os dados dizem respeito apenas aos crimes em que as vítimas registraram boletim de ocorrência.
“É um tipo de ocorrência que nos preocupa. O produtor rural trabalha de sol e a sol, paga seus impostos e, mesmo durante a pandemia do novo coronavírus, manteve a produção e sustentou a economia. Fazemos nossa parte da porteira para dentro. Precisamos que o poder público faça a parte dele e garanta nosso direito à segurança. Precisamos ter segurança para continuar produzindo”, disse o presidente do Sistema
Segundo o capitão Íncare Correa de Jesus, a Operação tem obtido resultados excelentes graças ao comprometimento das equipes de patrulha rural comunitária, apoiadas pelos respectivos comandantes de batalhões e companhias independentes da PM, aliados à participação cada vez mais efetiva da comunidade nas ações de segurança pública. “A operação continua de forma ininterrupta em todas as regiões do Paraná que possuem ambiente rural”, afirmou.
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