Pátria Investimentos compra parte da rede Superpão, de Guarapuava
Pátria compra o controle, mas sócios mantém a gestão

Uma matéria vinculada nesta sexta feira (28 de maio), pelo jornal Valor Econômico, aponta que a Pátria Investimentos comprou parte da rede Superpão, com sede em Guarapuava. Ainda não há informações oficiais sobre a transação, mas a gestora destaca que possui o controle acionário, mas os sócios continuam gerindo os empreendimentos.
MATÉRIA
A gestora brasileira Pátria Investimentos negocia a compra do controle de redes de supermercado e de distribuidoras de alimentos pelo país. As conversas ganharam força no ano passado, e pelo menos três cadeias no Sul e no Sudeste - com faturamento total de R$ 2,2 bilhões - e um grupo de distribuição tem acordos fechados ou estão em negociação avançada, segundo três fontes.
Outras três cadeias regionais foram sondadas e não fecharam negócio. A investida é parte de uma estratégia para a montagem de uma plataforma de ativos de varejo e atacado, que vem sendo liderada por uma equipe de ex-executivos de alto escalão do setor, apurou o Valor.
Os negócios fechados neste ano incluem a rede Superpão, de Guarapuava (PR), com cerca de 40 lojas, o Supermercados Germânia, de São Bento do Sul (SC), com seis pontos, e o Boa Supermercados, de Jundiaí (SP), dono de 13 unidades. Há ainda um acordo sendo negociado com a Tiscoski Distribuidora, localizada em Forquilhinha (SC) - voltada para abastecimento no Sul do país, ela deve apoiar a operação das varejistas na área.
O Pátria negocia a compra do controle, mas os sócios das cadeias se mantêm na gestão e com posição minoritária - é uma forma de viabilizar o negócio com as empresas fundadas, muitas vezes, por famílias. Pelo tamanho das operações, alguns dos negócios, como o da rede Boa, já foram submetidos à avaliação do órgão antitruste (Cade), apurou o Valor.
Na lista das 50 maiores cadeias alimentares do país, o Boa Supermercados faturou pouco mais de R$ 810 milhões em 2019 e o Superpão, com lojas no Paraná e Santa Catarina, vendeu R$ 1,1 bilhão, segundo ranking anual da Abras, a associação do setor. A menor operação, da Germânia, faturou R$ 275 milhões naquele ano. Não há levantamento relativo a 2020.
As empresas foram procuradas, mas não se pronunciaram. O Pátria não comentou o assunto.
Essas cadeias regionais cresceram de forma mais acelerada após o início da pandemia, com o aumento na demanda pela alimentação em casa. Têm uma operação digital que já passou da fase inicial de construção, embora ainda seja pequena. O Superpão vende no Site Mercado, uma das maiores plataformas do país. O Boa opera pelo SuperNow, o shopping center virtual de alimentos da B2W. O Pátria tem buscado negócios no varejo e no atacado, por meio de seu braço de private equity. O Superpão tem três unidades de atacarejo.
Há uma intensa movimentação neste mercado, com o Hortifruti Natural da Terra tendo pedido registro de oferta pública inicial de ações (IPO) em abril, rede cujo maior sócio é o fundo suíço Partners Group. O Oba Hortifruti, da sócia Crescera (ex-Bozano), também protocolou pedido em 2020.
“Essa busca por ativos na área alimentar vem antes da pandemia, mas não tinha avançado muito até este ano. Há múltiplos pedidos meio altos, e a ideia é trazer negócios mais pro!ssionalizados, com algum nível de governança e com uma agenda de ‘turnaround’ implementada. Não é algo fácil de se achar”, diz uma fonte a par dos acordos.
São cerca de US$ 14 bilhões sob gestão do Pátria, que fez sua abertura de capital na Nasdaq neste ano, quando levantou US$ 590 milhões. A gestora vai usar parte do capital para lançar novos fundos.
O Valor apurou que o Pátria também iniciou conversas com a catarinense Rede Top Supermercados com cerca de 20 lojas, após ajustes na operação e a sua pro!ssionalização, mas os contatos não evoluíram. “Ainda estão olhando redes no Sul, que são Estados difíceis de entrar, como Santa Catarina, mas estão também sondando o Nordeste”, diz o diretor de uma varejista.
A movimentação do Pátria vem sendo acompanhada pelo mercado desde a ida de executivos de varejo e indústria para a gestora. O Valor apurou que o Pátria trouxe meses atrás para a área de private equity Peter Estermann, CEO do GPA (Grupo Pão de Açúcar) até novembro, e também o executivo Walter Faria Jr (exMartins e ex-J.Macêdo). Faria começou em fevereiro focado na análise do setor de distribuição, e Silvio Pedra, ex-diretor da Cencosud, na área alimentar. Luiz Elisio Melo, ex-Hortifruti e ex-GPA, é “operating partner” no Pátria desde 2020.
(Com Jornal Valor Econômico)
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