O PREÇO DO PODER: as acusações que colocam o vereador Danilo Dominico contra o Ministério Público
Pedido de afastamento de Danilo Dominico coloca Guarapuava diante de uma pergunta incômoda: até onde vai a confiança pública quando um parlamentar acumula denúncias, polêmicas e suspeitas de uso da máquina pública?
Foto: reprodução redes sociais
A política de Guarapuava vive mais um momento de turbulência, principalmente a Câmara de Vereadores. O pedido de afastamento cautelar do vereador Danilo Dominico (PP), formulado pelo Ministério Público do Paraná, divulgado amplamente pela imprensa nessa segunda-feira (15 de junho de 2026), não representa apenas mais um capítulo judicial envolvendo um agente público. É, sobretudo, um teste para as instituições e para a credibilidade do discurso político local.
A denúncia apresentada pelo MPPR, no âmbito da Operação Terra Prometida, atribui ao parlamentar participação em supostos esquemas envolvendo loteamento irregular, corrupção passiva, estelionato e lavagem de dinheiro. Os fatos investigados remontam ao período em que Dominico ocupava a Secretaria Municipal de Habitação. Entre as acusações estão a suposta comercialização irregular de terrenos públicos, pedido de vantagem indevida e utilização da estrutura da secretaria para conferir aparência de legalidade a negociações consideradas fraudulentas pelos investigadores.
O Ministério Público foi além da denúncia criminal. Pediu também o afastamento cautelar do vereador do exercício do mandato. O argumento é direto: segundo os promotores, haveria risco de reiteração de condutas e influência sobre estruturas ligadas à política habitacional do município, área na qual Dominico ainda mantém atuação institucional como representante legislativo em órgãos relacionados ao setor.
A defesa reage com igual contundência. Sustenta que as acusações são baseadas em versões contraditórias, nega qualquer vínculo entre os fatos investigados e o atual mandato parlamentar e afirma que o vereador está sendo alvo de conclusões precipitadas. Para os advogados, não há justificativa jurídica para afastamento antes do julgamento definitivo.
Mas o problema político de Danilo Dominico vai além do processo.
Ao longo dos últimos anos, o vereador construiu uma imagem pública marcada por episódios de forte exposição e controvérsia. Entre eles, tornou-se emblemático o vídeo em que aparece em uma embarcação gritando a frase que se transformou em símbolo de seus críticos: “Quem manda em Guarapuava”. O episódio ajudou a consolidar uma percepção de personalismo político que, agora, volta a ser debatida diante das acusações formuladas pelo Ministério Público.
Se antes a frase era encarada por apoiadores como demonstração de força política, hoje ela ressurge sob outro contexto: o de um agente público acusado justamente de utilizar influência e estrutura administrativa para obtenção de vantagens indevidas.
É nesse ponto que o embate entre Dominico e o Ministério Público deixa de ser apenas jurídico e passa a ser institucional.
De um lado, promotores afirmam ter identificado indícios suficientes para denunciar o vereador e requerer seu afastamento. De outro, o parlamentar sustenta ser vítima de acusações frágeis e de uma narrativa construída sobre suspeitas ainda não comprovadas.
A questão central, entretanto, não é quem está vencendo a disputa da comunicação.
É saber se a Câmara Municipal conseguirá responder à altura da gravidade dos fatos investigados.
Em democracias maduras, o afastamento cautelar de um agente político não significa condenação antecipada. Significa proteger a investigação e preservar a confiança pública enquanto os fatos são apurados. Da mesma forma, uma denúncia do Ministério Público não equivale automaticamente à culpa de ninguém. O devido processo legal continua sendo um direito fundamental.
Mas existe também o julgamento político.
E esse julgamento já começou.
Independentemente do desfecho judicial, Danilo Dominico enfrenta agora talvez seu maior desafio desde que ingressou na vida pública: convencer a população de que as acusações que pesam contra ele são incompatíveis com sua trajetória política.
Enquanto isso, Guarapuava observa.
E aguarda respostas.
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