Março foi mais quente e menos chuvoso do que a média histórica, aponta Simepar
Entre as 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de seis anos de operação, apenas oito atingiram o volume de chuva histórico para o mês de março

As temperaturas do mês de março ficaram acima da média, e a chuva abaixo da média na maior parte do Paraná. Os dados consolidados do mês foram apresentados nesta quarta-feira (1.º) pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná).
As temperaturas mínimas, geralmente registradas no amanhecer, ficaram dentro da média em toda a faixa Leste do estado, incluindo o Vale do Ivaí. No Centro-Sul, foram ligeiramente acima da média. Já no Oeste, Noroeste e principalmente no Sudoeste, as mínimas ficaram entre 1°C e 2°C acima da média histórica para março.
A temperatura mais baixa registrada pelas estações do Simepar no Paraná em março foi no dia 14, em General Carneiro: 8°C. Algumas estações meteorológicas registraram suas temperaturas mais baixas de 2026 até o momento também no mês de março: 16,5°C em Antonina e 17,5°C na APPA, também em Antonina, além de 12,5°C em Curitiba, 10,9°C em Fazenda Rio Grande, 11,4°C na Lapa, 15,1°C na Marumbi Pico 11,8°C em Pinhais e 14,6°C em Guaraqueçaba no dia 3; e 14,6°C em Cambará no dia 2.
As temperaturas máximas, que ocorrem costumeiramente no período da tarde, ficaram próximas a ligeiramente acima da média na metade norte do Paraná e no Litoral. Da Região Metropolitana de Curitiba até o Oeste, na metade sul do estado, as máximas ficaram entre 1°C e 2°C acima da média – com destaque para cidades do Sudoeste que tiveram máximas entre 2,3°C e 2,8°C acima da média histórica para o mês.
A temperatura mais alta registrada pelas estações do Simepar no Paraná em março foi no dia 30, em Capanema: 38,7°C. Algumas estações registraram suas temperaturas mais altas de 2026 até o momento também no mês de março: 32,3°C em Apucarana no dia 16; 30,3°C no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, e 32,3°C em Ponta Grossa no dia 15; 33,2°C em Irati no dia 17; 28,7°C em General Carneiro, 31,1°C em Guarapuava e 28,6°C no distrito de Horizonte, em Palmas, no dia 29; e 31,5°C em Palmas e 33,7°C em Pinhão no dia 20.
Já as temperaturas médias, ou seja, a média de todas as temperaturas do dia, ficaram entre 1°C e 2°C acima da média no Sudoeste e Centro-Sul, e dentro a ligeiramente acima da média no resto do estado.
“A ausência de chuva leva a maior predomínio de tempo seco e, por consequência, o sol predomina por mais tempo. Isso favoreceu com que as temperaturas, tanto ao longo das noites quanto das tardes, fossem mais elevadas que o comportamento normal. Os destaques foram o Oeste e o Sudoeste. Já a região de Curitiba ficou mais próxima da média histórica, e no Litoral as temperaturas acompanharam a climatologia da temperatura média”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
CHUVA
Entre as 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de seis anos de operação, apenas oito atingiram o volume de chuva histórico para o mês de março. Algumas delas registraram menos de 25 mm durante o mês inteiro, como é o caso de Cascavel, Curitiba, Irati, Loanda, Pato Branco e Santo Antônio da Platina.
Segundo Reinaldo, essa precipitação abaixo da média histórica foi influenciada pela atuação de massas de ar seco que predominaram ao longo do mês. Março é um mês de transição entre o calor, o tempo úmido e quente de fevereiro e de janeiro, para um mês mais seco em abril, mas esse ano as chuvas foram ainda mais irregulares.
“Houve precipitação muito abaixo do normal para a época do ano, reflexo da ausência de umidade que é advectada da região amazônica para o estado do Paraná, o que também justifica a ocorrência de vários dias consecutivos com pouca ou nenhuma chuva principalmente nos municípios das regiões Oeste e Sudoeste”, explicou.
Já a primeira estação meteorológica a atingir a média histórica de chuva em março de 2026 foi a que fica em Londrina. Dos 31 dias do mês, apenas 12 tiveram chuva na cidade, mas o volume foi alto. O município registrou um acumulado de 78 mm de chuva no dia 8, de 87,2 mm no dia 9, e de 38,2 mm no dia 10. Durante todo o mês choveu 262,4 mm, e a média para o período é de 139,4 mm.
Duas semanas antes do mês acabar, outras cinco estações também atingiram o volume médio histórico de chuvas para março. Em Cambará choveu 220,4 mm, e a média histórica para o mês é de 129,8 mm; em Cerro Azul choveu 164,2 mm, e a média histórica para o março é de 121,9 mm; em Cornélio Procópio choveu em março um volume acumulado de 208,8 mm, e a média para o mês é de 152,6 mm; em Fazenda Rio Grande choveu 113,6 mm, e a média é de 90,4 mm; e em Telêmaco Borba choveu 154,6 mm, e a média histórica para o período é de 113,2 mm.
Com a chuva da última semana, mais duas cidades atingiram a média histórica para março: em União da Vitória choveu 114,2 mm, e a média histórica é de 106,9 mm; e Maringá, depois de registrar 69,8 mm no dia 31, ficou com um volume acumulado total de 127,2 mm em março para uma média histórica para o período de 125,9 mm.
ESTIAGEM
Em algumas regiões, a falta de chuva já vem trazendo consequências desde os meses anteriores. “Com as chuvas abaixo da média histórica sendo registradas ao longo do mês de março, houve o agravamento da seca, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste do estado. A combinação de chuva abaixo da média, temperaturas elevadas, aumenta a evapotranspiração, e isso favorece com que a umidade do solo fique mais baixa, podendo acarretar transtornos para o setor agrícola”, ressalta Reinaldo.
Este ano, 14 municípios registraram ocorrências em razão da estiagem no Paraná. Segundo a Defesa Civil Estadual, 11 prefeituras já decretaram situação de emergência: Antonina, Borrazópolis,Capanema, Espigão Alto do Iguaçu, Iretama, Laranjal, Nova Prata do Iguaçu, Roncador, Santa Helena, Boa Vista da Aparecida e Santa Mariana.
O cenário mais crítico se concentra nas regiões Central, Oeste e Sudoeste do estado. Equipes do Núcleo de Atuação Regional (NAR), ligadas à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), acompanham a situação in loco e auxiliam com orientações sobre os decretos e a elaboração de projetos para obras de prevenção e recuperação com recursos do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap).
Nos próximos meses o Governo do Estado fará a entrega de veículos, barracas, materiais de EPI (Equipamento de Proteção Individual), além de kits pick-up e moto-bombas para auxiliar no combate a incêndios florestais.
“As previsões do Simepar nos orientam na condução de boas práticas junto aos municípios e na preparação interna para fortalecer o trabalho realizado nas prefeituras. Neste verão tivemos ocorrência de estiagem em algumas regiões, inclusive no Litoral onde costuma ser muito úmido neste período. Estamos percebendo na prática o avanço gradativo desse quadro em boa parte do Paraná”, explica o coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Fernandes.
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