Maio se encerra com Lua Azul e microlua no mesmo dia

No dia 31, ocorre a chamada Lua Azul, nome dado à segunda Lua Cheia registrada no mesmo mês

27/05/2026 14H10

O mês de maio de 2026 chegará ao fim em grande estilo para os observadores do céu. No dia 31, ocorre a chamada Lua Azul, nome dado à segunda Lua Cheia registrada no mesmo mês. Não há, no entanto, nenhuma mudança na cor. Na mesma data, o satélite natural da Terra estará no ponto mais distante da Terra: isso faz com que a Lua apareça no céu um pouco menor e com menos brilho, sendo assim chamada de microlua. E, para completar o espetáculo, a Lua surgirá próxima da estrela Antares.

"A ocorrência de duas Luas Cheias no mesmo mês é possível porque o intervalo entre duas Luas Cheias dura, em média, cerca de 29,5 dias, enquanto os meses do calendário têm entre 28 e 31 dias. Assim, quando uma Lua Cheia ocorre no dia 1º ou 2 do mês, há uma possibilidade de o ciclo se completar antes do mês findar. Em média, temos uma Lua Azul a cada dois ou três anos", explica o astrônomo Dr. Gabriel Hickel, professor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e parceiro do Observatório Nacional (ON/MCTI) no programa O Céu em Sua Casa.

Como dito acima, além de ser a segunda cheia do mês, a Lua de 31 de maio será uma microlua. Como a órbita lunar em torno da Terra é uma elipse, a distância entre os dois corpos varia periodicamente. Existem o ponto de máxima aproximação (perigeu) e o de maior afastamento (apogeu). Desta forma, quando a fase cheia coincide com o apogeu, temos a chamada microlua cheia. Se ocorre no perigeu, é chamada de superlua cheia. 

"No dia 31 de maio, teremos a Lua Cheia mais distante de 2026, a 406.135 km da Terra. Será a menor e menos brilhante Lua Cheia do ano. Contudo, dificilmente as pessoas notarão diferença. A questão é que o cérebro humano funciona à base da comparação instantânea e, sem ver de forma simultânea uma superlua e uma microlua, não há como comparar. Visualmente, o satélite parecerá cerca de 12% menor e 25% menos brilhante do que uma superlua, mas, na prática, as pessoas observarão uma Lua Cheia normal, por falta de comparação. No entanto, é, de fato, a microlua de 2026", explica Hickel.

CONVIDADA DA LUA AZUL

A Lua Cheia de 31 de maio ganhará um toque especial com a proximidade aparente de Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião, com seu brilho avermelhado característico, contrastando com o prateado da Lua.

COMO OBSERVAR A LUA AZUL

A janela ideal começa no nascer da Lua no dia 30 de maio. Toda Lua Cheia nasce quando o Sol se põe e fica no céu durante toda a noite, se pondo no dia seguinte na hora que o Sol nasce.O ápice da aproximação entre Lua e Antares ocorrerá junto ao pôr da Lua, já no final da madrugada. 

"Nos momentos de nascer e ocaso da Lua, ocorre o efeito da "ilusão lunar" que faz com que o cérebro humano interprete que nosso satélite pareça maior do que é. No entanto, são também os momentos para melhores fotos, em composição com a paisagem. Recomenda-se buscar locais com horizonte aberto e elementos interessantes para a composição das fotos.. Para registrar o momento com o celular, especialistas orientam ajustar a exposição da câmera manualmente para evitar que o brilho excessivo da Lua apague os detalhes da imagem", sugere Hickel. 

ORIGEM DO NOME LUA AZUL

Diferentemente do que o termo Lua Azul sugere, a Lua não ficará com uma tonalidade azulada. O termo Lua Azul foi importado dos Estados Unidos, onde teria surgido em obras literárias britânicas do início do século XIX, que descreviam de forma poética o fenômeno raro de observar a Lua com coloração azulada, devido à presença de partículas de erupções vulcânicas na alta atmosfera. Por razões não muito claras, fazendeiros dos EUA de origem britânica passaram a designar a 13ª Lua Cheia de um ano como Lua Azul. Posteriormente, por erro de interpretação, a famosa revista de Astronomia Sky and Telescope associou, em 1946, o termo Lua Azul à 2ª Lua Cheia de um mês do calendário ocidental (gregoriano). A partir da década de 1980, o termo se popularizou nos EUA e, por influência cultural, no resto do mundo.

A Lua só adquire uma cor azulada real em situações atmosféricas extremas, como após grandes erupções vulcânicas – a exemplo do Krakatoa em 1883 – ou incêndios florestais de grande escala, que lançam partículas na atmosfera capazes de filtrar mais a luz vermelha do que as demais cores. Assim, a Lua pode parecer com uma coloração puxando para tons azuis ou azuis-esverdeados, independente da fase que esteja.

SOBRE O OBSERVATÓRIO NACIONAL

Fundado em 1827, o Observatório Nacional (ON) é uma Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que desempenha um papel fundamental na construção e desenvolvimento dos campos científicos da Astronomia, Geofísica e Metrologia em Tempo e Frequência no Brasil, nas quais realiza pesquisa, desenvolvimento e inovação, com reconhecimento nacional e projeção internacional. Suas atividades incluem a formação de pesquisadores em cursos de pós-graduação, geração, conservação e disseminação da Hora Legal Brasileira e a divulgação e popularização do conhecimento científico produzido.


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