Laboratório bilíngue e sala multifuncional auxiliam na educação de crianças surdas em Guarapuava

No projeto são desenvolvidas práticas pedagógicas, como atividades e jogos didáticos para tornar a linguagem de sinais a primeira língua de crianças surdas

04/10/2021 13H45

(Foto: Secom/Guarapuava)

Em Guarapuava, as crianças com deficiência auditiva recebem atendimento individualizado durante o contraturno escolar oferecido na Sala de Recursos Multifuncional Surdez da Escola Municipal São José, de segunda à quinta-feira. Além disso, contam com o auxílio do Laboratório Bilíngue, numa parceria com o CAS (Centro de Apoio ao Surdo e aos Profissionais da Educação de Surdos do Paraná), nas tardes de sextas feiras. Esse trabalho direcionado é primordial no processo de inclusão das crianças. 

Dez alunos da Educação Infantil ao Ensino Fundamental da rede de Educação Básica do Município são atendidos na Sala de Recursos Multifuncional específica para Deficientes Auditivos. Nela, o acompanhamento é feito de duas a três vezes na semana pela professora Cecilia Rafaelly de Oliveira Rutkoski. “Os alunos aprendem Libras e recebem apoio à escolaridade, complementando o ensino dos conteúdos do ensino regular através de recursos e adaptações. O atendimento também é feito para crianças que ainda não estão frequentando a escola, oferecendo estimulação precoce”, conta.

Já no ensino regular, os estudantes têm o auxílio de um intérprete, que faz a mediação entre o aluno surdo, a professora e as demais crianças. Quando o aluno já tem conhecimento da sua primeira língua (Libras), a mediação serve para ele adquirir a segunda língua (português), e assim ser inserido no processo de aprendizagem.

É importante que o professor de sala de aula também tenha um conhecimento prévio da cultura surda, para adaptar suas aulas com recursos visuais, uma vez que o surdo possui uma necessidade visual diferente dos ouvintes.

“A gente acredita que eles precisam ter um espaço bilíngue, ou seja, como a língua de sinais é a primeira língua deles, o ideal seria que esses alunos tivessem Classes Bilíngues (libras/português), mas estamos trabalhando para isso”, comentou a professora Katiane Pawlas Marconato, assessora pedagógica da equipe de Educação Especial da Secretaria de Educação.

Laboratório Bilíngue 

No projeto Laboratório Bilíngue, são desenvolvidas práticas pedagógicas, como atividades e jogos didáticos para tornar a linguagem de sinais a primeira língua de crianças surdas e, além disso, expandir o aprendizado para suas famílias. 

Os materiais que obtiverem maiores resultados no projeto, servirão de modelo para instituições de outros núcleos de educação atendidas pelo Laboratório. Essa é apenas uma fase do projeto, que terá outros estágios nos próximos anos. 

Jiane Ribeiro Neves, coordenadora do CAS, conta que a parceria da associação com o município é muito importante para aprimorar o trabalho pedagógico como um todo. “Como o município tem vários alunos surdos, nós sempre organizamos as formações continuadas e convidamos as professoras municipais para participar. Contamos com o apoio da prefeitura desde 2018. Para a realização dessa atividade de hoje, por exemplo, é muito bacana essa cooperação para termos ainda mais sucesso no trabalho com essas crianças”, comentou. 

Para Danielli Kendrick, uma das organizadoras do Laboratório, outra etapa primordial para quebrar as barreiras comunicacionais é o trabalho com as famílias dessas crianças.

“Muitas delas vêm de famílias de ouvintes que não têm contato com Libras. As mães, avós, que acompanham os pequenos, também estão participando de cursos. E nós queremos avançar nessa questão, para aumentar a capacidade de comunicação dentro dessas casas”, comentou Daniele. 

Danielli reforçou que apesar da inclusão ter vários limites estratégicos, a discussão sobre integração do diferente na sociedade, não pode parar por aí. “A gente tem que tentar ao máximo criar ações que diminuam as barreiras que existem na sociedade, principalmente na comunicação. E a gente não fala só do direito deles terem acesso às informações, mas principalmente de serem diferentes, terem uma língua diferente e ainda assim se encontrarem socialmente”, concluiu

Dia do Surdo

No dia 26 de setembro foi comemorado o Dia Nacional dos Surdos, data que marca a conquista de direitos e a luta pela inclusão de pessoas surdas na sociedade. Em celebração, os alunos atendidos pelo Município participaram de uma tarde com atividades lúdicas na Praça da Ucrânia. “Oferecemos aos alunos uma tarde com atividades motoras, brincadeiras e interação em Libras, além de fazer uma revisão de algumas temáticas trabalhadas durante os atendimentos. Tivemos também um lanche especial. Foi uma tarde muito legal, tenho certeza de que vai ficar na memória das crianças!”, declarou a professora Cecília.

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