Escolhas diárias: hábitos saudáveis podem evitar ou adiar casos de demência
Entre os principais cuidados estão manter o convívio social ativo, para estimular o cérebro, e combater o sedentarismo com a prática regular de atividades físicas

Em setembro, mês destinado à conscientização sobre a Doença de Alzheimer, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça um alerta fundamental: embora não exista cura para a demência, o controle de fatores de risco e a adoção de hábitos saudáveis podem prevenir ou adiar o risco de desenvolvimento da condição.
As diretrizes são da Organização Mundial de Saúde (OMS) e apontam que a prevenção começa com escolhas diárias. Entre os principais cuidados, a Sesa destaca a necessidade de manter o convívio social ativo, para estimular o cérebro, e combater o sedentarismo com a prática regular de atividades físicas.
É essencial também abandonar o tabagismo, evitar o consumo de álcool e a exposição constante à poluição do ar. Outro pilar vital para blindar a saúde cognitiva é manter sob controle as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), com atenção especial ao acompanhamento médico da hipertensão e do diabetes.
PANORAMA REGIONAL
Os dados de projeção populacional ilustram a preocupação desse cuidado no Estado. De acordo com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o Paraná soma mais de 2,16 milhões de idosos em 2026. Levando em consideração a taxa de prevalência nacional apontada pelo Ministério da Saúde (8,5%), estima-se que cerca de 184.041 pessoas estejam vivendo com demência atualmente em território paranaense.
Em 2025, as Unidades de Saúde registraram 23.637 atendimentos relacionados à condição em todo o Estado. Neste ano, apenas na consolidação parcial dos dados até o mês de julho, já foram contabilizados 20.966 acolhimentos.
O impacto da demência ultrapassa as fronteiras estaduais. O Relatório Nacional sobre Demência consolida que 8,5% da população idosa brasileira convive com a condição. Em âmbito global, os dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mostram que ela afeta a memória, o pensamento e a capacidade funcional de mais de 57 milhões de pessoas. O número de indivíduos diagnosticados a cada ano chega a quase 10 milhões. A doença de Alzheimer é a forma mais comum, respondendo por 60% a 70% dos casos.
Além do impacto humano e da carga emocional e física imposta às famílias e cuidadores, a demência gera perdas econômicas. O custo anual estimado para a economia mundial é de US$ 1,3 trilhão, sendo que aproximadamente metade desse valor decorre dos cuidados não remunerados prestados por familiares e amigos.
SINAIS DE ALERTA
O diagnóstico precoce é o melhor caminho para o tratamento adequado. As famílias devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) caso o paciente apresente algum dos 10 sinais de alerta mais comuns:
- Perda de memória que interfere na vida cotidiana: esquecer informações recentes, datas ou eventos importantes, e fazer as mesmas perguntas repetidas vezes.
- Dificuldade de planejamento ou resolução de problemas.
- Problemas com a linguagem: dificuldade verbal ou escrita, como esquecer ou não conseguir nomear objetos comuns.
- Desorientação: confusão em relação ao tempo e ao lugar onde está.
- Capacidade de julgamento reduzida, refletindo, por exemplo, em menos atenção à higiene pessoal e limpeza do ambiente.
- Dificuldade para acompanhar acontecimentos corriqueiros.
- Perda de objetos: colocá-los em locais inusitados e não conseguir refazer os passos mentalmente para encontrá-los.
- Mudança de humor e comportamento: apresentar quadros repentinos de confusão, desconfiança, ansiedade ou irritabilidade.
- Dificuldade visual e espacial: problemas em entender imagens, comprometimento do equilíbrio e falhas no julgamento de distâncias.
- Afastamento social: perda de interesse pelo trabalho, hobbies e atividades em grupo.
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