ELEIÇÕES 2026: PM registra ameaças, confusões e suspeitas de boca de urna em Guarapuava

Com 167 policiais e 57 viaturas mobilizados, operação acompanhou ocorrências em locais de votação

05/10/2026 11H23

O domingo (4 de outubro de 2026) de eleições foi marcado por forte presença policial em Guarapuava e na região. A Operação Eleições 2026 mobilizou 167 policiais e 57 viaturas, segundo relatório do 16º Batalhão de Polícia Militar, e registrou uma série de ocorrências relacionadas ao processo eleitoral.

Entre os atendimentos aparecem ameaças, discussões, denúncias de boca de urna, suspeitas de arregimentação de eleitores, propaganda eleitoral irregular, aglomerações e uma denúncia de possível compra de votos.

Mas há um detalhe importante: nem todas as denúncias foram confirmadas. Em diversos casos, quando as equipes chegaram aos locais, os envolvidos já haviam deixado a região ou não havia elementos suficientes para constatar a irregularidade.

AMEAÇA PERTO DE LOCAL DE VOTAÇÃO

Em Colônia Vitória, no distrito de Entre Rios, uma ocorrência chamou a atenção ainda pela manhã.

Por volta das 10h, uma pessoa informou à PM que havia visto um homem em um GM Celta em atitude considerada suspeita nas proximidades de um local de votação. Ao fazer um registro fotográfico, a solicitante teria sido ameaçada pelo condutor.

Com as características repassadas, policiais realizaram patrulhamento na região, mas o suspeito não foi localizado.

O caso ocorreu nas proximidades da seção eleitoral nº 045, em frente ao Colégio Imperatriz. A vítima recebeu orientações sobre os procedimentos cabíveis.

FISCAIS, ELEITORES E DISCUSSÕES

Em Guarapuava, uma parte significativa dos chamados esteve relacionada à movimentação nos arredores dos locais de votação.

No bairro São Cristóvão, fiscais partidários e uma administradora de prédio entraram em divergência sobre permanência, circulação e abordagem de eleitores próximo ao portão de uma seção.

Segundo o relato, uma das fiscais não estaria acatando orientações estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Quando a PM chegou, a envolvida já estava dentro da seção e foi orientada.

No Centro, outra ocorrência envolveu discussão entre duas pessoas e uma representante partidária.

Havia relatos de possível propaganda eleitoral, aglomeração de eleitores, ameaças e filmagens. Representantes da Justiça Eleitoral disseram ter ouvido gritos, mas não presenciaram pedido de votos.

Os envolvidos deixaram o local antes da chegada da equipe policial.

SUSPEITAS DE BOCA DE URNA ENTRAM NO RADAR

As denúncias de possível boca de urna também movimentaram o policiamento.

No Batel, uma denúncia apontou que um homem usando calça e moletom cinza estaria fazendo propaganda eleitoral nas proximidades de um local de votação.

A equipe fez buscas, mas não encontrou ninguém com as características informadas.

Mais tarde, ainda no Batel, outra denúncia apontou possível arregimentação de eleitores e distribuição das chamadas “colinhas eleitorais”.

Novamente, quando os policiais chegaram, o suspeito já havia deixado o local. Foram realizadas buscas, mas ninguém foi localizado.

CASO MAIS DIRETO ENVOLVEU FISCAL PARTIDÁRIO

No bairro Industrial, uma ocorrência teve como alvo a suspeita de arregimentação de eleitor ou propaganda de boca de urna.

Segundo o relato recebido pela PM, um homem usando colete de fiscal partidário estaria próximo a uma seção eleitoral e fazendo pedidos de votos.

Ainda conforme a denúncia, ele teria sido orientado a deixar o local, mas tentou fugir ao perceber que a polícia havia sido acionada.

Outra pessoa teria tentado contê-lo, sem sucesso.

O suspeito deixou o local antes da chegada da equipe e não foi localizado.

O fato foi registrado.

POLÍCIA TAMBÉM FOI CHAMADA POR POSSÍVEL COMPRA DE VOTOS

Uma denúncia ainda mais grave foi registrada no distrito de Guará.

A Patrulha Rural foi acionada para averiguar uma possível situação de compra de votos envolvendo um homem que estaria em uma caminhonete de cor prata.

Os policiais realizaram patrulhamento nas proximidades da escola que funcionava como seção eleitoral e também no distrito.

O veículo e a situação denunciada não foram localizados.

Portanto, conforme o próprio relatório policial, o fato não foi constatado.

PRESENÇA POLICIAL EVITOU QUE SITUAÇÕES ESCALASSEM

Em diferentes pontos da cidade, a PM foi acionada diante de relatos de aglomerações ou comportamentos considerados suspeitos.

No Jardim das Américas, por exemplo, equipes foram chamadas duas vezes para verificar possíveis aglomerações próximas a locais de votação.

Em ambas as situações, os grupos já não estavam no local quando os policiais chegaram.

Na Vila Bela, uma denúncia sobre distribuição de material de propaganda também não foi confirmada.

Já no bairro Primavera, uma situação envolvendo um veículo com adesivo de candidato terminou com orientação policial. O proprietário informou que havia estacionado o carro para votar e apresentou comprovante de votação.

ELEITOR AMEAÇOU PRESIDENTE DE SEÇÃO

Uma das ocorrências mais inusitadas aconteceu novamente no Primavera.

Segundo a PM, um eleitor teria ameaçado a presidente de uma seção eleitoral depois de ser informado de que não poderia levar o neto junto até a urna.

O homem não estava mais no local quando os policiais chegaram. A vítima foi orientada sobre os procedimentos cabíveis.

ELEITORA É ORIENTADA POR USAR IDENTIFICAÇÃO DE CANDIDATO

Na Vila Bela, uma eleitora também precisou ser orientada pela equipe policial.

Ela permanecia nas proximidades do local de votação usando boné com identificação de candidato, mesmo depois de já ter votado.

A mulher explicou que estava aguardando o marido. Ele chegou durante a orientação e a situação foi resolvida no local.

DISCUSSÃO ENTRE FISCAIS E SERVIDORES TERMINA COM INTERVENÇÃO POLICIAL

Já no fim da tarde, outra ocorrência foi registrada no Centro de Guarapuava.

Auxiliares e servidores eleitorais, administradores de prédio e fiscais partidários se envolveram em um desentendimento relacionado à conduta dos fiscais, incluindo questões envolvendo materiais de campanha e circulação dentro do local de votação.

A discussão exigiu a intervenção policial para restabelecer a tranquilidade.

Os envolvidos foram orientados quanto às normas eleitorais e o episódio foi encaminhado para conhecimento da Justiça Eleitoral.

BALANÇO: MUITO ALERTA, MAS POUCAS SITUAÇÕES CONCRETIZADAS

O relatório da PM revela um cenário interessante sobre a eleição em Guarapuava e região.

Foram diversos chamados durante o domingo, mas boa parte das suspeitas não se confirmou no momento da averiguação.

Em pelo menos vários dos registros, os policiais chegaram depois que os envolvidos haviam deixado o local ou não encontraram elementos que comprovassem a denúncia.

Isso ocorreu nos casos de possíveis aglomerações, propaganda irregular, boca de urna e na denúncia de possível compra de votos.

Ao mesmo tempo, ocorrências efetivamente atendidas envolveram ameaças e conflitos entre eleitores, fiscais, servidores e responsáveis pelos locais de votação.

O resultado foi uma eleição acompanhada de perto pela segurança pública, com presença ostensiva nos pontos considerados mais sensíveis.

OS NÚMEROS DA OPERAÇÃO

- 167 — policiais empregados

- 57 — viaturas empregadas

- 17 — ocorrências relacionadas à operação descritas no relatório apresentado

Guarapuava e região: pontos de votação monitorados ao longo do domingo

Mais do que o número de ocorrências, o balanço deixa uma mensagem: em uma eleição cada vez mais marcada por disputas acirradas e fiscalização, uma denúncia pode mobilizar uma equipe policial em poucos minutos — mas denúncia não significa, necessariamente, irregularidade comprovada.

E esse é justamente um dos pontos que chamam atenção no balanço de 2026: a polícia foi acionada diversas vezes, investigou as situações e, em muitos casos, não encontrou a irregularidade denunciada.

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