ECA completa 36 anos entre avanços e desafios para proteger crianças
Crianças e adolescentes seguem expostos a velhas e novas violências

O Brasil comemorou nessa segunda-feira (13 de julho de 2026) os 36 anos da Lei 8.069, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A data abre a semana dedicada à legislação e estimula debates sobre políticas públicas voltadas às crianças e aos adolescentes.
O ECA foi uma das primeiras leis aprovadas após a Constituição de 1988 e consolidou o princípio da prioridade absoluta à proteção de crianças e adolescentes. Em situações específicas previstas na legislação, algumas medidas podem se estender até os 21 anos.
“Por causa do ECA, a gente consegue enxergar crianças e adolescentes como sujeitos de direitos”, resume a assistente social Andressa Ferreira Cândido, que trabalha na Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Paraná, onde promove clubes de leitura junto a adolescentes que estão internados no sistema socioeducativo do estado.
Segundo a especialista, há motivos para comemorar os 36 anos do ECA. Desde sua criação, o país reduziu a mortalidade infantil, universalizou o acesso ao ensino fundamental, aperfeiçoou as regras de adoção e estruturou uma rede nacional de conselhos tutelares eleitos pela população.
CONQUISTAS E LACUNAS
Está incompleta, no entanto, a travessia para que crianças e adolescentes tenham garantidos e respeitados todos os seus direitos, pondera Maurício Cunha, presidente executivo do ChildFund Brasil, ONG com sede nos Estados Unidos e que tem como missão apoiar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
“Houve grandes avanços, mas quando a gente olha para os desafios, a gente vê que eles também cresceram muito”, lamenta o presidente do ChildFund Brasil.
“Andamos menos que deveríamos. Por exemplo, o tema do orçamento da criança adolescente: não temos o monitoramento do orçamento da criança. Não conseguimos mensurar o quanto que a gente consegue que está sendo investido de fato na criança e no adolescente, porque isso está espalhado em diversas rubricas, na saúde, na assistência social e na educação”, assinala Cunha que é especialista em política pública e defende a ampliação da oferta de creches. “Um terço das crianças ainda não tem acesso a creche.”
RETROCESSOS E RISCOS DIGITAIS
Para o presidente do ChildFund Brasil, além de faltar alguns passos na efetivação de direitos previstos no ECA, há retrocessos e novos riscos graves como à exposição à violência, ao abuso sexual e ao bullying.
“Tem um tema que eu afirmo que a gente regrediu. É o tema das violências, seja a violência física, psicológica ou sexual. Digo que houve regressão porque houve nesse período o advento da internet. Você tem centenas de milhares de criminosos navegando na rede, criando redes de pedofilia, acessando sites, trocando imagens, se passando por criança.”
Para Maurício Cunha, “o ECA digital, recentemente instituído, aponta caminhos para a melhoria. Ele traz um potencial grande de melhora ao responsabilizar as big techs. Ao impor mecanismos, por exemplo, de verificação de idade. Então, é um avanço significativo.”
Em sua percepção, “o ECA Digital precisa ser melhor regulamentado. Por exemplo, a gente ainda não sabe como vão funcionar esses mecanismos de verificação de idade.”
MAIORIDADE PENAL
Além dos desafios do mundo virtual, o país ainda enfrenta problemas históricos, como o envolvimento de adolescentes em atos infracionais e a consequente internação no sistema socioeducativo. “O sistema é muito oneroso. Um menino parar nessa condição, chegar a essa condição, é a falência da sociedade”, lamenta.
“Mais importante seria trabalhar com políticas públicas eficazes, com o fortalecimento das capacidades protetivas familiares, e a prevenção para que um menino não precise chegar a qualquer forma de encarceramento.”
Para a assistente social Andressa Ferreira Cândido a “internação” no sistema socioeducativo, sob a responsabilidade do Estado, “tem estrutura de privação de liberdade, que é muito semelhante ao sistema penitenciário.”
Cândido estranha quem defenda a prisão de adolescente e a redução da maioridade penal. Segundo ela, o risco é de serem recrutados por facções criminosas. “Indo para o sistema prisional comum, esse adolescente de 16, 17 anos, ele vai estar em contato com pessoas mais velhas, que vão utilizá-los. Eles vão acabar sendo aviãozinho dentro das penitenciárias.”
Veja Mais
-
INVESTIMENTOS!Do diálogo com o hospital ao recurso na conta: Santa Tereza recebe R$ 3 milhões articulados por Zeca Dirceu, Dr. Antenor e Cris Wainer
Novo recurso de custeio amplia a capacidade de atendimento da instituição, referência para 20 municípios. Histórico de articulação da bancada do PT já garantiu cerca de R$ 32 milhões ao hospital entre investimentos, equipamentos e custeio
14/07/2026 08h05 -
FLAGRANTEForagido é localizado e preso durante patrulhamento da PM em Guarapuava
Homem de 35 anos tinha mandado de prisão com condenação transitada em julgado
14/07/2026 07h33 -
CIVISMOEstão abertas as inscrições para o Desfile de 7 de Setembro em Guarapuava; VEJA COMO PARTICIPAR!
Com o tema “Amor pela Pátria, Orgulho por Guarapuava”, edição de 2026 destacará justiça climática, cultura popular e participação da comunidade
14/07/2026 06h29 -
OPORTUNIDADESConfira as vagas de emprego desta terça (14 de julho) na Agência do Trabalhador de Guarapuava
Que tal um emprego novo?
14/07/2026 06h17 -
LUTOÓbitos desta terça (14 de julho) registrados na Central de Triagem em Guarapuava
Nossos sentimentos às famílias enlutadas
14/07/2026 06h15 -
OPORTUNIDADESPrograma de Inclusão ao Emprego realiza seleção para 100 vagas temporárias de auxiliar de produção em Guarapuava
A ação acontece no dia 15 de julho e busca facilitar o acesso da população ao mercado de trabalho, reunindo candidatos e recrutadores em um processo seletivo mais ágil e acessível
13/07/2026 17h00


