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É greve porque é grave

por: Alessandro de Melo

segunda-feira, 8 de julho de 2019 - 14:24:00

Professores da educação básica, de universidades e de outras categorias do serviço público encontram-se em greve desde fim do mês de junho. Gostaria nesta humilde coluna trazer alguns esclarecimentos sobre este fato, de modo bastante simples e objetivo, focando na pauta dos professores das universidades, em especial da UNICENTRO, que é nossa universidade em Guarapuava e Irati, e que abrange toda região centro e oeste do Paraná.

Em primeiro lugar é preciso dizer que estamos há quatro anos sem reajuste salarial, vejam bem, reajuste salarial, não aumento de salário, que este realmente faz muito mais tempo. Lutamos pela reposição de 17,02% que nos é devido destes reajustes, e este é um direito nosso e por ele é justo lutar. É justo que todos lutemos por nossos salários, mas o problema é que os trabalhadores em geral estão totalmente desprotegidos para esta luta, e somente os servidores públicos ainda garantem possibilidades de lutar. Precisamos, portanto, do apoio de todas e todos. Para a cidade, 17,02% dos salários dos servidores da UNICENTRO significaria a entrada no mercado de milhões de reais nos próximos anos, e isso gera emprego e renda, e impostos, para toda cidade e região. Não é uma luta isolada, mas de todos.

Mas nossa luta não é somente por salários. Lutamos contra a Lei Geral das Universidades, que tende a reduzir esta instituição pública à lógica das instituições privadas, e mais, tende com o tempo a reduzir o tamanho e o escopo das ações da universidade. É uma lei que fere de morte a autonomia universitária, que é essencial para o seu funcionamento. A lei visa tutelar o que será objeto da pesquisa e os cursos que devem ou não continuar existindo, apenas pelo número de alunos que possuem, sem considerar outras questões da formação. Além disso, a LGU como é conhecida leva imediatamente à redução do quadro de professores, e, com isso, a precarização do trabalho de todos os professores, em especial dos chamados professores colaboradores, com sobrecarga de trabalho. A LGU, além disso, reduz a universidade, que se pauta em ensino, pesquisa e extensão, a apenas ensino, ou seja, o governo quer mesmo transformar a universidade em faculdade. Logo no período em que a população mais pobre passa a entrar na universidade.

Nossa greve é pela contratação de professores concursados. Temos colegas que foram aprovados em 2014 e que nunca foram chamados para assumir seus cargos, ou seja, os governos sucessivos, de Richa e Ratinho, pouco se importam com a qualidade das universidades, e ainda a querem menores e menos importantes com a LGU.

Lutamos também contra o PCL 04/2019, que simplesmente acaba com os investimentos públicos nos próximos 20 anos, e isso sim é uma pauta que deveria interessar a todas e todos, pois quem é afetada é a população pobre do Paraná, que precisa de um Estado do tamanho de sua gente, e não um Estado mínimo, enxuto, que atenda apenas os ricos. Cortar investimentos para 20 anos é rifar o futuro nosso e da próxima geração, e pior, abre brecha para um desinvestimento para todo o sempre.

Insisto aos leitores e leitoras. Procurem informações em canais alternativos como este, e não caiam nas balelas das televisões abertas, que prestam desserviço de comunicação.

Deixo aqui minha saudação e um abraço. A luta continua!!!

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Coluna Livre

Alessandro de Melo

Professor Associado do Departamento de Pedagogia. Coordenador do Mestrado em Educação da Unicentro. Sociólogo. Doutor e Mestre em Educação.
Temas de política e Educação e algumas generalidades da conjuntura nacional e internacional