Conselhos românticos aos vinte e poucos anos

* Por Marcos Sidnei Skorupski

23/01/2023 13H20

* Por Marcos Sidnei Skorupski

“Eu mandei até flores e chocolates. Como ela retribuiu? Simplesmente sumiu, disse que não estava preparada para isso”. Estas palavras poderiam até fazer parte do roteiro de um filme de comédia romântica, mas não são. São reais. Foi com essas palavras que um amigo me enviou, na semana passada, um áudio de quase nove minutos, desabafando e me pedindo um conselho sobre tudo aquilo que estava acontecendo. Reparou no trecho em que eu disse que foram quase nove minutos de áudio? Sim, a coisa estava feia.

Não vou entrar em detalhes sobre a conversa, mas sim, no que pude refletir na sequência. Vamos analisar os dois lados dessa moeda: de um lado, ela, a destruidora de corações, que sem dó nem piedade, após um ato de romance à moda antiga, sumiu dessa forma. Está errada? Talvez sim, talvez não. Talvez sim, pois quando alguém está se relacionando com outro alguém, é preciso ter responsabilidade afetiva e emocional, deixar claro quais são as suas intenções, principalmente quando percebe que o outro está criando expectativas que não poderão ser supridas. E talvez não, pois pode ser que ela esteja em uma sintonia completamente diferente. Passamos por diversas fases, e talvez ela só esteja querendo aproveitar um pouco mais.

Do outro lado, ele, o sofredor, o desiludido que desistiu de amar. Isso pode durar uma semana, talvez um mês. Nos tempos atuais, acredito que a galera mais jovem supere isso em questão de dias – mas posso estar enganado. Meu amigo está errado? Talvez sim, talvez não. Talvez sim, por ter permitido se entregar a alguém que não sabia ao certo o que sentia e queria, ter ido com muita sede ao pote. Quantas vezes mergulhamos de cabeça, pensando que estamos entrando em um mar, e na verdade era apenas um laguinho chinfrim? E talvez não, pois está se dando ao direito e luxo de gostar de alguém intensamente. Isso não é para qualquer um. Insônia, perda de apetite, desânimo e aquele aperto no peito não são sintomas em vão: isso nos amadurece e nos prepara para viver algo melhor. Claro, quando nos permitimos sair dessa fase curados, e não traumatizados.

De que lado eu estou? No time dos intensos. Nunca soube gostar pouco. Eu mergulho fundo, mas claro, hoje em dia consigo ver de longe quando o mar não está pra peixe. Temos uma vida que deve ser vivida, experimentada e sentida. Pra quê esconder o que sentimos? Ligue quando quiser, demonstre quando sentir vontade, se achar que já é hora, faça como o meu amigo: mande flores e chocolates. Isso é ser plenamente você. E se não for retribuído? E se o desprezo vier? Isso é sobre o outro, não sobre você. Você não está errado por gostar de verdade de alguém. Mas claro, todo excesso peca, lembre disso: ser romântico também é surpreender, deixar um pingo de mistério no ar.

Gosto de pensar que, no caso do meu amigo, há alguém que vibrará com ele na mesma sintonia. Sabe quando o frio na barriga cede lugar para a tranquilidade? Algo assim. Alguém que vai receber flores e chocolates e se encantará com isso, nunca houve coisa mais bela. Talvez, essa pessoa seja um par romântico. Talvez, os amigos que você tem já sejam essa pessoa. O amor acontece de diferentes formas. Fomos agraciados – e aterrorizados – com a possibilidade de amar. E esse presente sim, podemos usar sem moderação.

23 de Janeiro de 2023.

Independente

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