Celebração nesta segunda (2) marca reconhecimento oficial de Nossa Senhora de Belém como Padroeira da diocese e do município de Guarapuava
Outra novidade é o início da celebração já na noite do dia 1º de fevereiro

A Festa da Padroeira Nossa Senhora de Belém passa a ter, a partir deste ano, algumas novidades importantes na forma de ser celebrada em Guarapuava. Isso acontece porque a Santa Sé — responsável pelas decisões oficiais da Igreja Católica no mundo inteiro — reconheceu oficialmente Nossa Senhora de Belém como Padroeira da Diocese e da cidade de Guarapuava.
Com esse reconhecimento, a celebração do dia 2 de fevereiro passa a fazer parte do chamado Calendário Próprio da Diocese, que é a agenda oficial das celebrações mais importantes da Igreja local. Além disso, em Guarapuava, a festa recebe o título de Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria de Belém. Na prática, isso significa que a celebração tem o mais alto grau litúrgico da Igreja, reservado às datas mais importantes da fé cristã.
Por causa disso, a forma de celebrar muda um pouco. Somente nas paróquias do município de Guarapuava, a festa da Padroeira é celebrada como Solenidade, enquanto nas demais cidades da diocese a data continua sendo celebrada como Festa. Essa orientação segue as normas do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, organismo responsável pela liturgia na Igreja Católica.
Ao explicar essa orientação, o bispo diocesano Dom Amilton Manoel da Silva recorda que o dia 2 de fevereiro possui um caráter universal na liturgia da Igreja. “No dia 2 de fevereiro, a Igreja Católica, no mundo inteiro, celebra a Festa da Apresentação de Jesus no Templo. Por isso, não seria o mais adequado celebrar em toda a Diocese como solenidade, o que ficaria defasado diante de uma festa cristológica de toda a Igreja”, explicou. Dessa forma, na segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, a Santa Missa solene da Padroeira será celebrada na Catedral Nossa Senhora de Belém, dentro do contexto da Festa da Apresentação do Senhor, que já faz parte do calendário da Igreja em todo o mundo.
Outra novidade é o início da celebração já na noite do dia 1º de fevereiro. Isso acontece porque, nas solenidades, a Igreja costuma começar a celebração na chamada primeira véspera, ou seja, na oração da noite do dia anterior, que já abre oficialmente o dia da festa. “A solenidade, é sempre precedida de vésperas, então o que significa que no domingo à noite, neste ano, ou sempre no dia 1º de fevereiro, as missas da noite serão já das vésperas do dia seguinte, já é uma preparação para a solenidade de Nossa Senhora de Belém, na cidade de Guarapuava e nos distritos, com orações e as leituras próprias para Nossa Senhora de Belém.” explicou o bispo.
Conforme Dom Amilton, durante a Santa Missa solene do dia 2, às 10h, que será presidida por ele, será feita a leitura do decreto oficial, documento que confirma Nossa Senhora de Belém como Padroeira da Diocese e da cidade de Guarapuava. “Ao iniciarmos a missa solene, a solenidade de Nossa Senhora de Belém, na festa da apresentação de Jesus no templo, o chanceler da diocese estará lendo o decreto em nome do Papa Leão XIV e enviada pelo cardeal Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos”.
Esse reconhecimento é fruto de um caminho iniciado no final de 2025, quando Dom Amilton esteve no Vaticano e entregou pessoalmente ao Dicastério o pedido de confirmação da Padroeira. “Indo à Roma, eu deixei no dicastério o pedido do Conselho Presbiteral para que Nossa Senhora de Belém fosse oficializada como Padroeira da Diocese, e a pedido do Poder Executivo na pessoa do Senhor Prefeito e do Legislativo, os vereadores, foi o pedido para que ela fosse proclamada oficialmente a Padroeira da cidade de Guarapuava”, explicou.
O pedido foi feito após a aprovação das autoridades da cidade de Guarapuava e, no início de 2026, a Santa Sé confirmou oficialmente Nossa Senhora de Belém como Padroeira, marcando um momento histórico para a Igreja local.
Devoção secular: Nossa Senhora de Belém, Padroeira “de fato” e agora “de direito” da Diocese e de Guarapuava
A devoção a Nossa Senhora de Belém acompanha a história de Guarapuava desde suas origens e atravessa mais de dois séculos como expressão viva da fé do povo. Agora, no contexto dos 60 anos de instalação da Diocese e dos 140 anos da Festa da Padroeira, esse vínculo histórico e espiritual recebe também o reconhecimento oficial: Nossa Senhora de Belém, invocada há décadas como padroeira, passa a sê-lo “de direito”, tanto da Diocese quanto da cidade-sede.
Ao resgatar esse percurso, o bispo diocesano Dom Amilton Manoel da Silva recorda que a devoção remonta ainda ao período da fundação do antigo Forte Atalaia. “Nós já temos uma carta de Dom João VI, escrita ao padre Chagas, pedindo que a paróquia que deveria ser criada fosse em honra à Nossa Senhora de Belém”, explicou. Segundo o bispo, essa escolha não foi casual, mas está ligada à tradição portuguesa. “Em Lisboa, no Mosteiro dos Jerônimos, existe a capela dedicada à Nossa Senhora de Belém, considerada padroeira das expedições que saíram de lá”, destacou.
Dom Amilton lembra que essa devoção acompanhou as grandes navegações. “Há registros de que essas expedições, como as de Cristóvão Colombo e de Pedro Álvares Cabral, participavam de missas e levavam consigo uma imagem de Nossa Senhora de Belém”, afirmou, ressaltando que, ainda que não se trate da mesma representação conhecida hoje, já havia ali “um forte indício de uma devoção que se espalhava junto com as descobertas feitas pelos colonizadores”.
A pedido de Dom João VI, o padre Antônio da Rocha Loures Chagas — reconhecido como fundador de Guarapuava — elevou a então paróquia à invocação de Nossa Senhora de Belém. “Com o início do Forte Atalaia, um pouco depois passou a se chamar Freguesia Nossa Senhora de Belém, a pedido do padre Chagas”, explicou o bispo. A partir dali, a cidade cresceu em torno da paróquia, que se tornou o centro da vida religiosa e social.
Com o passar dos anos, a devoção se consolidou no coração do povo. “Nós temos 206 anos de fundação da cidade e 140 anos de festa a Nossa Senhora de Belém”, recordou Dom Amilton, ressaltando que a paróquia sempre foi muito popular e que as festas reuniam fiéis de diversas regiões, inclusive tropeiros que passavam pela cidade. Outras devoções também surgiram, como a de São Sebastião, mas a centralidade de Nossa Senhora de Belém permaneceu.
Quando a Diocese de Guarapuava foi instalada, em 1966, a ligação já estava profundamente enraizada. “Na bula do Papa Paulo VI, quando instituiu a Diocese, ele pede que a catedral seja dedicada à Nossa Senhora de Belém, mas não fala explicitamente da cidade nem da diocese”, explicou o bispo. Ainda assim, a devoção continuou sendo vivida intensamente. “O povo foi chamando, foi invocando Nossa Senhora de Belém como padroeira”, acrescentou.
Além do reconhecimento popular e eclesial, houve também o reconhecimento civil. Dom Amilton recorda que o município de Guarapuava possui decreto de feriado em honra da padroeira. “Hoje nós temos, com o prefeito Baitala, o quarto decreto de feriado municipal em honra da padroeira da cidade, que é Nossa Senhora de Belém”, afirmou, destacando que isso demonstra o reconhecimento por parte do poder público e da população.
Apesar de toda essa história, faltava ainda a formalização canônica. “Havia um reconhecimento por parte do município, por parte do povo, a mesma invocação em toda a Diocese há 60 anos, mas nada oficializado”, concluiu Dom Amilton. A oficialização recente, portanto, não cria uma nova devoção, mas confirma juridicamente aquilo que o povo sempre viveu: Nossa Senhora de Belém, Padroeira “de fato” e agora também “de direito” da Diocese de Guarapuava e de sua cidade-sede.
(Com Jorge Teles)
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