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Capital Paranaense da Cevada e do Malte, Guarapuava produz 40% da cevada do País

Conhecimento dos Engenheiros sobre tecnologia e transformação de alimentos contribui para preservação da qualidade da industrialização de cervejas

quinta-feira, 13 de junho de 2019 - 17:22:00

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 60% da cevada colhida no País é proveniente do Paraná.  A estimativa de produção da safra de 2018, por exemplo, apontava que o Brasil produziria 427.394 toneladas de cevada, destas, 251.968 provenientes do Paraná e, dentro deste contexto de produtividade paranaense, 174.225 toneladas são originárias de Guarapuava, de acordo com levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural do Paraná). Portanto, os números revelam que a terra do lobo bravo é responsável por cerca de 40% de toda a cevada produzida nacionalmente. Além da intensa produção de matéria-prima, Guarapuava também abriga a maior maltaria da América Latina, a Agrária Malte, que atende aproximadamente 30% da demanda nacional.

Em todo este processo de produção da cerveja – desde o plantio até a industrialização – o acompanhamento de um responsável técnico é fundamental para contribuir com a preservação da qualidade do produto. Neste caso específico, o conselheiro do Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), Engenheiro Agrônomo e Sommelier de Cervejas e Vinhos, Paulo Rogério Borszowskei, destaca algumas modalidades das Engenharias que são qualificadas para acompanhar tais procedimentos: Engenheiros Agrônomos, Engenheiros Químicos e Engenheiros de Alimentos.

“A Agronomia e a Engenharia de Alimentos trabalha com a questão da tecnologia de processamento de alimentos, envolve o conhecimento prático e teórico da fermentação e manipulação de alimentos. Já a Engenharia Química, é focada nas transformações, nas questões de reação, redução e oxidação. Tendo um profissional que conheça essas áreas, a certificação e o produto terão o monitoramento da qualidade preservado”, avalia.

Embora os Engenheiros tenham conhecimento específico sobre tecnologia e transformação dos alimentos, para a industrialização da cerveja, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento prevê por lei a participação de um responsável técnico no processo, mas não necessariamente proveniente das Engenharias. “É preciso ter um responsável pelo controle de processo, alguém que tenha conhecimento dos procedimentos operacionais e padrões de limpeza, que conheça todo o processo de operação da fabricação da cerveja”, explica o Engenheiro Agrônomo, ressaltando a qualidade dos profissionais habilitados do sistema Confea/Crea.

O Crea-PR atua fiscalizando as atividades de industrialização de cervejas.  Em 2016, 28 fiscalizações deste segmento foram realizadas em todo o Paraná. “Nestas fiscalizações, nós analisamos os procedimentos da indústria, pra ver se tem processo de engenharia envolvido e quais poderiam ser os profissionais responsáveis. Como esta prática industrial pode ser realizada por diferentes modalidades das engenharias, a escolha do profissional depende do processo adotado pela empresa para produzir a cerveja”, avalia o Gerente da Regional de Guarapuava do Crea-PR, Engenheiro Eletricista Thyago Giroldo Nalim.

O responsável por uma cervejaria deve seguir os parâmetros legais do Ministério da Agricultura,  Anvisa e Inmetro, desde as normas de layout da indústria e boas práticas de fabricação, até as questões que envolvem qualidade, certificação e registro da cervejaria e do produto.

PROJETO CAMINHOS DO MALTE

Desde 2017, através da Lei nº134/2017, de autoria da Deputada Estadual Cristina Silvestri, Guarapuava passou a ser denominada a Capital Paranaense da Cevada e do Malte, estimulando ainda mais os produtores de cevada a investirem nesta área.

Nesse contexto, a Secretaria Municipal de Turismo tem fortalecido o projeto Caminhos do Malte, que visa incentivar o empreendedorismo cervejeiro e o consumo da cevada e do malte na alimentação. "Com o projeto, queremos estimular os produtores artesanais e comerciais a explorarem toda a potencialidade da produção em Guarapuava e mostrarem aos turistas a qualidade de nossos produtos, gerando um sentimento de 'pertença' e tendo orgulho do título Capital da Cevada e do Malte”, explica a coordenadora do projeto Caminhos do Malte, Leila Pires.

Ainda de acordo com a coordenadora, a consolidação da cidade como um polo cervejeiro do Estado será possível através do fortalecimento da cadeia comercial da cevada e do malte. "Desde os produtos, a indústria, o empreendedor de cervejas comerciais e artesanais, empresários ligados ao setor, precisam atuar com tecnologia e qualidade para fortalecer essa cadeia."

Atualmente, Guarapuava conta com quatro cervejarias estabelecidas e seis cervejeiros ciganos (que alugam equipamentos e espaço de outras cervejarias) com registro no Mapa. Até dezembro, outras três cervejarias artesanais serão inauguradas na cidade. Além disso, no próximo mês, nos dias 12, 13 e 14 de julho, ocorrerá o 1º Festival de Cervejas Artesanais de Guarapuava.

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