Caminhões estão presentes em um a cada quatro acidentes no Paraná, confrme levantamento da PRF

O dado ganha ainda mais relevância após o grave acidente ocorrido na BR-373, em Ipiranga, na madrugada de quarta (19)

23/08/2026 09H45

Foto: PRF

Os acidentes envolvendo caminhões aumentaram 11,1% nas rodovias federais do Paraná no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Entre janeiro e junho, foram 1.120 sinistros com esse tipo de veículo, 112 a mais do que os 1.008 registrados no mesmo período de 2025.

O dado ganha ainda mais relevância após o grave acidente ocorrido na BR-373, em Ipiranga, nos Campos Gerais, na madrugada de quarta-feira (19). Uma colisão frontal entre um caminhão e um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva deixou 23 pessoas mortas. A ocorrência está sendo investigada pela PRF, pela Polícia Científica do Paraná e pela Polícia Civil do Paraná (PCPR).

No balanço, a PRF registrou 3.918 acidentes nas rodovias federais do estado nos seis primeiros meses do ano. As ocorrências deixaram 4.280 pessoas feridas e 285 mortas. Em relação ao primeiro semestre de 2025, houve crescimento de 7,7% nos sinistros e de 6,4% nos feridos. Já o número de mortes caiu 5,6%.

Colisões envolvendo caminhões tiveram crescimento. Enquanto o total de acidentes subiu 7,7%, as ocorrências envolvendo veículos de carga aumentaram 11,1%. Com isso, a participação dos caminhões passou de 27,7% para 28,6% dos registros. 

Apesar de representarem pouco mais de um quarto dos sinistros registrados pela PRF, os caminhões estiveram envolvidos em 50,5% das mortes nas rodovias federais do Paraná no primeiro semestre.

Foram 144 mortes em ocorrências que envolveram caminhões, contra 164 no mesmo período de 2025, uma redução de 12,2%. Ao mesmo tempo, o número de feridos aumentou de 1.002 para 1.186, alta de 18,4%.

O balanço mostra que, embora a quantidade de mortes tenha diminuído, os veículos pesados continuam protagonistas em acidentes de maior gravidade.

Para o policial rodoviário federal Maciel Junior, a preocupação está relacionada principalmente à diferença de massa entre caminhões e veículos menores. “A massa desses veículos é muito grande em comparação com veículos leves. Em um acidente movendo esses dois tipos de veículos, o veículo menor não tem a menor chance”, explicou Maciel Junior em entrevista.

Segundo ele, situações como problemas no sistema de freios, pneus em más condições ou excesso de carga podem aumentar a gravidade de um acidente. Por isso, a PRF mantém operações específicas de fiscalização desses itens.

Maciel também destaca que a manutenção precisa ser feita antes de cada viagem. Na avaliação dele, um veículo com problemas mecânicos não deve continuar circulando, mesmo quando o motorista possui experiência. “Nada adianta um motorista experiente com um veículo que não oferece nenhuma segurança”, relatou.

O policial afirma ainda que empresas e motoristas precisam assumir a responsabilidade pela retirada de circulação de veículos que apresentem problemas.

Comportamento do motorista também aparece entre as causas dos acidentes

O balanço da PRF mostra que as colisões frontais foram responsáveis pelo maior número de mortes no primeiro semestre. Foram 90 óbitos, o equivalente a 31,6% das mortes registradas nas rodovias federais do estado. Depois aparecem atropelamentos de pedestres, com 56 mortes, e colisões traseiras, com 40.

A PRF aponta o trânsito na contramão e ultrapassagens indevidas entre os comportamentos relacionados aos acidentes mais graves. O superintendente da PRF no Paraná, Fernando César Oliveira, afirma que a conduta dos motoristas continua sendo um dos principais fatores de risco.

“Apesar do rigor da lei brasileira e do nosso esforço policial na fiscalização, a cada 15 horas uma pessoa perdeu a vida nas BRs que cortam o estado neste primeiro semestre”, disse Fernando César Oliveira, superintendente da PRF no Paraná.

Os dados também indicam que 83% das mortes ocorreram em pista seca e 69% em trechos retos. Para a PRF, as condições da pista não aparecem, na maior parte dos casos, como o principal fator dos acidentes fatais.

Entre os passageiros em caminhões, foram 1.446 pessoas envolvidas em sinistros no primeiro semestre, contra 1.306 no mesmo período de 2025. O número de feridos passou de 336 para 397, enquanto as mortes caíram de 55 para 27, uma redução de 50,9%.

Descanso e fiscalização são apontados como fatores de segurança

Também em entrevista, a sargento Luana, do Batalhão de Polícia Rodoviária do Paraná (BPRv), aponta o excesso de velocidade e a falta de descanso como fatores que podem contribuir para acidentes envolvendo caminhões. “O excesso de velocidade, a falta do descanso do condutor do caminhão. Isso acaba sobrecarregando a condução dele e, infelizmente, acaba se envolvendo em sinistro”, apontou a sargento Luana, do BPRv.

Segundo a policial, os motoristas são convidados a realizar o teste do etilômetro durante as fiscalizações. Em caso de resultado positivo para álcool, são adotadas as medidas previstas de acordo com a quantidade constatada.

Maciel explica que a fiscalização relacionada ao consumo de drogas apresenta desafios diferentes. Segundo ele, não há atualmente um equipamento equivalente ao etilômetro capaz de identificar imediatamente o uso de drogas durante uma abordagem.

A PRF, conforme o policial, observa sinais apresentados pelo motorista e outros elementos encontrados durante a fiscalização. Ele também chama atenção para o efeito da falta de descanso, que pode deixar o motorista em condição semelhante à de alguém sob efeito de substâncias.

“O caminhoneiro que dirige muitas horas sem descansar, o efeito também é parecido com o da droga. Chega uma hora em que o motorista desliga. Ele continua no volante, ele está com o olho aberto, mas ele desliga, o corpo desliga”, relatou Maciel, da PRF.

A população também pode colaborar nesses casos. De acordo com Maciel, motoristas que identificarem caminhões fazendo zigue-zague ou realizando manobras incomuns podem acionar a PRF pelo telefone 191 e informar a rodovia e as características do veículo.

(Com Banda B e ARede)


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