Caderno de perguntas/confidências...
* Por Mauro Biazi

* Por Mauro Biazi
Nos anos 1970 você ser escolhido para esponder a um caderno de perguntas, confidências, era a cereja do bolo. Quase implorávamos para respondê-los. Por várias vezes tivemos todos nós um deles para expor os gostos, paixões, preferências, e que começava perguntado o tradicional: você promete responder só a verdade? E aí vinham as outras, do tipo: o que você faria se...? Quem você levaria para uma ilha deserta? Você gosta de alguém? O que você acha de fulana? Para quem você guardaria um lugar no cinema? Você gosta de loira ou de morena? Escreva as iniciais de sua paixão... e lá vinha uma torrente de questionamentos para alguém em especial descobrir ou ter a certeza de um sentimento nosso a respeito dela.
Quando o caderno chegava am nossas mãos éramos tomados de nervosismo, palidez, timidez, e o coração ultrapassava facilmente 180 batimentos por minuto. E corríamos para casa o mais rápido que fosse possível para ler as respostas de uma pessoa em especial, tudo para saber o que ela havia respondido e se, nas entrelinhas, o alvo éramos nós.
Quem, que tenha vivido tais momentos, seria capaz de jurar não ter sentido tremores, ansiedade e um suor frio que escorria da raiz do cabelo até a ponta do dedão do pé?
Com o caderno em mãos vinha o medo daquela escrita garrancho não ser entendida ou a falta de gramática pôr tudo a perder em meio a conjugações erradas daquele verbo que você não prestou atenção na aula do Vitório Dellabruna.
Nervosismo meio controlado, a pergunta lida, e a caneta deslizava tracejando as palavras adequadas nas linhas. Titubeávamos, por certo, diante de alguma pergunta mais pessoal, constrangedora ou que tinha o único propósito de saber o que sentíamos por determinada pessoa.
Caderno respondido e devolvido, e a nossa cabecinha cheia de caraminholas. Será que ela já leu? O que ela deve estar achando daquela resposta sobre minha paixão? Como ela estará se sentindo lendo aquela revelação? O que será que ela está pensando de mim? Nossa, que vergonha!
Ô, tempo maravilhoso!
(Outras centenas de crônicas como esta no livro Era uma vez...em Guarapuava. Preço: 50,00)
Mauro Biazi
Mauro Xavier Biazi, jornalista/escritor/fotógrafo/promotor de eventos culturais/ gastronômicos, e uma infinidade de outras atividades, usa das palavras para rascunhar recortes de uma vida de tantos feitos e fatos.Veja Mais
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