Após mais de 30 anos, Estado pede desculpas por condenação injusta de ex-PM em Pitanga

Gerson Miluski Carvalho foi condenado a 26 anos de prisão após ser acusado de participação em dois homicídios

16/10/2026 12H50

Foto: PM

Uma condenação que atravessou décadas e chegou à esfera internacional teve um novo desdobramento nessa quinta-feira (15 de outubro de 2026), em Pitanga. O Estado brasileiro reconheceu sua responsabilidade pela condenação injusta do ex-policial militar Gerson Miluski Carvalho, pediu desculpas formalmente à família e assinou um acordo de reparação.

O ato foi realizado no Fórum da Comarca de Pitanga e reuniu representantes do Ministério Público, do Poder Judiciário e da Polícia Militar, incluindo o comandante do 16º Batalhão da PM.

A cerimônia representa um marco no caso, que remonta a 1995 e levanta questões graves sobre a condução de investigações criminais, o respeito aos direitos fundamentais e a confiabilidade de provas utilizadas em processos judiciais. 

Dois homicídios e uma condenação de 26 anos

Gerson Miluski Carvalho foi acusado de envolvimento em dois homicídios ocorridos em 3 de janeiro de 1995, no trevo de acesso ao município de Palmital. As vítimas foram identificadas como Wilson Schon e Irene Maria dos Santos.

O ex-policial foi julgado pelo Tribunal do Júri e condenado a 26 anos de prisão.

A família contestou a condenação e denunciou que ele teria sido submetido a tortura durante a investigação. Segundo os relatos apresentados no caso, a confissão teria sido obtida mediante violência, e o processo também teria utilizado declarações atribuídas a outro policial que, conforme a denúncia, igualmente teria sido torturado.

Essas alegações colocaram sob questionamento os procedimentos utilizados para sustentar a condenação.

Caso chegou ao sistema internacional de direitos humanos

Após tentativas de revisão no Brasil, a família levou o caso ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos.

O registro do caso Gerson Milusk de Carvalho versus Brasil, disponível no portal do Ministério Público da Defesa da Argentina, identifica a Petição nº 40-03 e o Caso 12.503. O documento descreve alegações de violação do devido processo penal, prisão ilegal e tortura, além do uso de declarações supostamente obtidas sob violência para fundamentar a condenação.

A discussão internacional ampliou a atenção sobre as circunstâncias da prisão, a legalidade dos procedimentos investigativos e as garantias que devem ser asseguradas a qualquer pessoa submetida à Justiça criminal.

O reconhecimento de falhas na investigação e no processo judicial levou à adoção de medidas de reparação, culminando no ato realizado em Pitanga.

Pedido de desculpas e acordo de reparação

A cerimônia desta quinta-feira formalizou o reconhecimento da responsabilidade do Estado brasileiro pelos danos relacionados à condenação considerada injusta.

A iniciativa foi articulada pela Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, no contexto das medidas relacionadas ao caso.

Embora o pedido público de desculpas represente um gesto institucional relevante, os detalhes financeiros e as demais condições do acordo de reparação não foram divulgados nas informações consultadas.

Um caso que deixa uma questão fundamental

O episódio reacende um debate essencial para a democracia: como reparar os danos causados quando uma condenação criminal é reconhecida como injusta?

A responsabilização do Estado e o reconhecimento dos erros são passos importantes, mas casos dessa natureza também evidenciam a necessidade de investigações rigorosas, provas confiáveis e respeito ao direito de defesa.

Em Pitanga, o ato oficial marcou uma nova etapa para a família de Gerson Miluski Carvalho, após mais de três décadas de questionamentos sobre a condenação.

O caso deixa uma lição que ultrapassa as fronteiras do município: a busca pela Justiça não termina com uma sentença. Ela também exige mecanismos capazes de reconhecer erros, reparar danos e fortalecer a confiança da sociedade nas instituições.

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