Agrária amplia presença na indústria da soja com novo investimento milionário em Ponta Grossa

Cooperativa de Guarapuava integra o maior projeto de intercooperação da história do Paraná, com capacidade para esmagar 3,4 mil toneladas de soja por dia

17/08/2026 14H50

A Agrária, de Guarapuava, acaba de reforçar sua estratégia de agregação de valor ao agronegócio com a entrada em um dos maiores projetos de intercooperação já realizados no Paraná. A cooperativa é uma das sete sócias da Esmagadora Campos Gerais, em Ponta Grossa, complexo industrial que iniciou as operações neste mês sob gestão do grupo de cooperativas.

O empreendimento reúne Frísia, Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda e Bom Jesus e representa uma nova aposta do cooperativismo paranaense na industrialização da soja. Juntas, as cooperativas reúnem cerca de 57 mil cooperados, 16 mil colaboradores e 2,1 milhões de hectares cultivados, com faturamento anual superior a R$ 47 bilhões.

Um gigante da soja no Paraná

Com capacidade para processar 3,4 mil toneladas de soja por dia, a unidade ocupa uma área de 58,08 hectares e possui capacidade estática para armazenar 300 mil toneladas de grãos.

O complexo conta com estruturas para recepção, beneficiamento e armazenamento de soja, preparação do grão, extração de óleo e farelo, produção e envase de lecitina, além de refinaria. Aproximadamente 200 colaboradores trabalham na unidade.

O empreendimento anteriormente pertencia à multinacional Louis Dreyfus Company (LDC). As cooperativas assumiram oficialmente o complexo em 1º de agosto, e a produção começou dois dias depois, já sob a nova gestão.

Agrária entre as protagonistas

A participação da Agrária no negócio amplia a atuação da cooperativa na cadeia de produção e industrialização da soja e abre espaço para uma etapa estratégica do agronegócio: transformar parte da produção agrícola em produtos de maior valor agregado.

A operação também reforça a presença da cooperativa de Guarapuava em projetos conjuntos com outras grandes organizações do sistema cooperativista paranaense.

A gestão do empreendimento ficará sob responsabilidade da Frísia Cooperativa Agroindustrial, que possui experiência em projetos de intercooperação.

Segundo o superintendente da Frísia, Mario Dykstra, a união das sete cooperativas demonstra a maturidade do cooperativismo paranaense e a capacidade do setor de atuar conjuntamente em investimentos estratégicos.

Óleo, farelo e biocombustíveis

A nova esmagadora terá como principais produtos o óleo de soja degomado e o farelo de soja.

O óleo será destinado principalmente à produção de biocombustíveis, enquanto o farelo atenderá tanto o mercado brasileiro quanto compradores do exterior. O complexo também produzirá lecitina e casca de soja, matérias-primas utilizadas pelas indústrias de alimentos e de nutrição animal.

A operação coloca as cooperativas diretamente em uma etapa de maior transformação da cadeia da soja, aproximando a produção dos cooperados de mercados industriais e ampliando as possibilidades de geração de valor.

Intercooperação ganha escala

A apresentação oficial do empreendimento ocorreu nesta segunda (17 de agosto de 2026), durante encontro com o governador do Paraná, Ratinho Junior, e representantes das sete cooperativas.

Mais do que a aquisição de uma indústria, o movimento sinaliza uma mudança de escala na atuação conjunta das cooperativas. Ao unir capital, produção, estrutura e conhecimento, o grupo passa a disputar uma fatia maior da cadeia da soja.

Para a Agrária, o investimento representa mais um passo na diversificação e industrialização de suas atividades, e coloca a cooperativa de Guarapuava no centro de um dos maiores movimentos de integração do cooperativismo agroindustrial paranaense.

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