Quem passa pelo Centro de Guarapuava no mês de novembro vai notar algo diferente acontecendo na nova Catedral Nossa Senhora de Belém. Foram iniciadas as obras da torre do templo, com uma bonita cruz, indicando que ali é a casa de Deus. Essa torre ficará na parte central da construção, sobre o altar, e deve ter impacto significativo no visual da cidade.

O projeto está em andamento desde o início do ano e, como em todas as etapas da construção, é fruto de doações dos fiéis, através de diversas campanhas de arrecadação realizadas ao longo de 2023.
Segundo o padre Jean Patrik Soares, pároco da Catedral, de acordo com o a maquete inicial, a torre deveria ser feita de concreto. Contudo, durante os estudos que precederam a execução da obra, foi optado por fazer uma estrutura mais leve, de metal treliçado, com inspiração na Torre Eiffel, famoso monumento francês. “Como ficaria muito caro fazer de concreto, pensamos em fazer ela aberta. Essa opção também foi por questão de segurança. Como venta muito em Guarapuava, a estrutura aberta diminui as chances de cair. […] Outro ponto de destaque é a iluminação. A torre terá mais de 400 refletores, que compramos de uma empresa de São Paulo e já estão aqui prontos para a instalação”, afirmou padre Jean.

A torre contará com três apoios, representando a Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, dando suporte para a cruz. “Isso é para lembrar que Cristo é a nossa luz e morreu na cruz para nos salvar”, recorda padre Jean.

O projeto inicial da Catedral foi pensado para receber o peso da torre. A estrutura metálica está sendo montada no chão, e deve ser instalada na Igreja na última semana de novembro ou na primeira semana de dezembro. A expectativa é de que ela possa iluminar a cidade durante as festividades do advento e seja uma atração a mais no local onde é costume as pessoas se encontrarem para celebrar o Natal. Todas as pessoas da diocese são convidadas a conhecer a novidade.

A arquiteta Juliane Zielinski assina o projeto da obra. Tobias Bonk Machado, arquiteto Sacro, ficou responsável pelo projeto de iluminação. A execução da obra será realizada pelo engenheiro Eder Filipin.

PARA LEMBRAR

Quem mora em Guarapuava há mais de 20 anos está tendo o privilégio de, como ocorreu há mais de 200 anos, quando os pioneiros deram os primeiros passos na construção do atual santuário dedicado a padroeira, testemunhar e participar dos diversos estágios da construção. Diferente de outras obras, como uma casa onde se precisa morar o mais rápido possível ou um investimento onde se quer vender com pressa, as igrejas tendem a demorar mais para serem terminadas.

Isso ocorre porque, de certa forma, os templos não tem “grandes financiadores” que possam cobrir todos os custos, mas são frutos de doações das comunidades, onde cada um contribui com um pouco. Por isso, os projetos como o da Catedral de Guarapuava são realizados aos poucos, por etapas.

A primeira dessas fases, que teve início no ano 2000, foi a escavação do local onde a construção seria erguida. Causou muito medo na população, porque o risco de danificar a estrutura da igreja antiga, logo ao lado, era muito grande. Tudo correu bem.

Depois vieram diferentes campanhas. Para as paredes principais, vidros, pisos, altar, bancos, vitral, pintura e iluminação interna e externa, entre outros. Todos os projetos foram precedidos de consulta aos representantes da comunidade, através do Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) e Conselho Paroquial de Assuntos Econômicos (COPAE).

Aos poucos o local de culto foi surgindo, e acolheu importantes eventos. Em 2016, ano do Jubileu de Ouro da Diocese de Guarapuava, recebeu multidões e, ainda com “ares de obra”, acolheu todos os bispos do Paraná que ali celebraram a Santa Missa conclusiva da assembleia ordinária daquele ano.

A festa anual de Nossa Senhora de Belém, padroeira da diocese, recebe pessoas de diversas cidades da região que acompanham os 10 dias de festividade. A Novena Maria Passa na Frete e o Cerco de Jericó, também celebrados anualmente, contam com a participação de significativo número de fiéis.

Com capacidade para 1450 pessoas sentadas, é o principal ponto de encontro para eventos pastorais em nível de diocese. É uma das igrejas onde mais ocorreram ordenações de diáconos e padres, desde que sua obra foi iniciada.

Estava vazia quando o dom Antônio Wagner da Silva, scj, passou o báculo para dom Amilton Manoel da Silva, CP, tornando-o assim o quinto bispo da diocese de Guarapuava. Isso foi no ano de 2020, o pior da pandemia da COVID-19. Apesar de não contar com fiéis de forma presencial, por causa da doença, a Catedral foi a pioneira regional e principal referência nas transmissões on-line das celebrações. Isso permitiu que, mesmo à distância, as pessoas pudessem se encontrar com Deus e participar da Santa Missa.

Enquanto está sendo construída, a Catedral Nossa Senhora de Belém é testemunha da passagem do tempo. É o sonho dos mais velhos se concretizando, local de boas memórias e nostalgia dos jovens que estão entrando na vida adulta e onde as crianças viverão as melhores épocas de suas vidas. Daqui a 200 anos, os que ajudaram na construção da Nova Catedral serão lembrados com o mesmo espírito de gratidão dos que ergueram a Catedral Antiga, 200 anos no passado. É provável que até lá muitos aspectos da arquitetura mudem, como mudou na igreja vizinha, mas a certeza de que Deus está lá, concedendo graças para aqueles que tem fé, é uma verdade que permanecerá sólida por muitos séculos.

(Com assessoria)

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