* Por Marcos Sidnei Skorupski   

Há uma cena no filme “As férias da minha vida”, em que a protagonista faz um breve monólogo, em frente ao espelho. A mesma descobre que, após a realização de exames, possui uma rara doença e tem pouco tempo de vida. Depois disso, ela decide viver intensamente e fazer coisas que nunca tinha feito. Ela inicia o monólogo que mencionei, com a frase do título desse texto: “da próxima vez, vamos fazer diferente”. E continua: “vamos amar mais, vamos rir mais, vamos ver o mundo... não vamos ter tanto medo!”. Esse filme é um dos meus preferidos, já perdi as contas de quantas vezes o assisti.

Existe uma lição extremamente importante aqui, e que aparece em diversos outros filmes, livros e séries, mas que infelizmente, quase nunca é levada a sério. E a lição é sobre aproveitar melhor a vida. “Da próxima vez, vamos fazer diferente”... mas e se não existir uma próxima vez?

Recentemente, saltei de paraquedas. Era um sonho que cultivava há um bom tempo, mas nunca criava coragem o suficiente e nem tinha a organização necessária para transformar o sonho em um projeto real. O tempo passou, pensa aqui, planeja lá, e as coisas foram acontecendo: encontrei um local que realizava o salto, agendei, organizei a questão financeira, providenciei o transporte e pronto! Só esperar o dia!

Seria num sábado, no final da tarde. No dia em questão, trabalharia até meio-dia. Isso não foi um empecilho, afinal, daria tempo de chegar ao local com um bom tempo de antecedência. Pegando a estrada, cheguei ao local previsto. A vontade de desistir era grande, mas a de vencer esse desafio era maior ainda. Saltei. Foi simplesmente a coisa mais maluca e maravilhosa que já fiz em minha vida!

Nos dias seguintes, recebi muitas mensagens, além de amigos me perguntando sobre como havia sido a experiência. Notei que praticamente todos que me perguntavam, comentavam na sequência que também queriam saltar, só não haviam conseguido se organizar para o fazer.

Nestes momentos, me vinha a mente a frase principal deste texto: “da próxima vez, vamos fazer diferente”. A gente sempre pensa que da próxima vez, dará certo. “Semana que vem a gente combina”, “vamos ver para o próximo mês”, “no ano que vem faremos isso, sem falta”. E muitas vezes, estes adiamentos não são acompanhados de planejamento, são apenas jogados ao vento, sem pensar nas possibilidades para transformar estes sonhos em realidade.

A protagonista do filme citado, tinha um “livro de possibilidades”. No livro, estavam registradas as coisas que ela gostaria que acontecessem, sonhos e objetivos. Ao final do filme, após concretizar diversos sonhos e surgirem outros novos, o título do livro é alterado: não é mais um livro de possibilidades... é um “livro de realidades”!

Saltar de paraquedas foi um desafio e tanto, confesso. Mas não me refiro apenas a estas coisas, de grande magnitude, quando falo sobre fazer o que gostamos. Falo das coisas simples, de dedicar tempo para caminhar ao ar livre, conversar com amigos ou até mesmo ir ao restaurante que você gosta... coisas que adiamos constantemente. Lhe desafio a utilizar uma hora do seu dia de hoje para fazer algo que goste muito, que esteja em suas possibilidades e que está adiando há um bom tempo. Que tal transformar essa possibilidade em uma realidade?

26 de Maio de 2023.

           

Independente

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