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O Personalismo define opiniões políticas

por: Prof. Cláudio Andrade

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Constata-se uma crescente no emburrecimento social e isto tem me dado náusea.  

Existem razões de preocupação para conter esta onda da supremacia do poder pelo poder  em relação à política saudável e necessária  e que tem ganhado adeptos nas redes sociais de uma forma avassaladora. Muito próximo de cada um de nós existe alguém que, mesmo sem consciência, presta culto a este tipo de pensamento nocivo ao ser humano seja  curtindo, compartilhando ou comentando conteúdos de natureza anti-humanista sobretudo em relação à coisificação das pessoas diante do mercado selvagem e da ausência de políticas públicas emancipatórias. É como escreveu Hannah Arendt, fazem o mal sem saber que o que fazem é um mal a si próprio e à coletividade.  Este conceito foi conceituado por Arendt como a banalidade do mal, ou seja,  a incapacidade de pensar com consciência. Este comportamento  oferece um ambiente privilegiado para o fracasso moral.  Segundo Arendt ‘o conivente’ com este pensamento pobre e indiferente ao ser humano é aquele que ao receber pelas  redes sociais uma mensagem ou um vídeo  não reflete na sua totalidade  e não pensa holisticamente sobre seu conteúdo, mas superficialmente absorve e reproduz junto aos seus contatos. 

Quando o assunto diz respeito àqueles que cultuam nomes políticos como Trump e Dória, por exemplo, chamamos isto de personalismo político. 

Cada vez mais, encontramos pessoas que cultuam o que nós chamamos de personalismo político que, infelizmente, tem definido opiniões políticas estranhas e esdrúxulas.  Uma legião de pessoas finge defender ideias, causas e princípios, mas invariavelmente acabam defendendo pessoas.  Já perceberam que, via de regra, a avaliação de um comportamento ou opinião depende mais de quem a tomou que do comportamento e da opinião em seu mérito? Fazendo um rápido pente fino nas redes sociais constatamos que só depois da opinião já escolhida e envelopada é que se procura argumentos para sua sustentação.  Isto tem a ver com o que chamamos de ‘ser politicamente correto’ e não uma pessoa dotada de opinião própria. É triste saber que o personalismo faz opiniões mudarem de lado sem o menor constrangimento.  O que tenho visto por aí são pessoas domesticadas e que costumam cultuar políticos de estimação.  Cabe a nós, por fim, transformar este quadro e acabar com este emburrecimento social imaginando algo diferente do que aí está.  

Dá para imaginar algo diferente do que está sendo considerado normal em política nos dias de hoje. Para transformar o mundo é preciso transformar percepções ou modos de enxergar o mundo, sejam ideias sobre nós mesmos ou sobre a sociedade em que vivemos. Por esta razão é que acredito piamente que o combustível para este novo ângulo de percepção passa por uma nova imaginação política. Não podemos retroceder, mas sim avançar. 

As coisas, ao menos aquelas que são secas e duras, têm lá no fundo, bem no miolo, uma outra parte e um outro jeito. Isto significa pensar de forma ousada, longe do seguro e do trivial.  Não se trata apenas de ver ou de se ver em um espelho convencional, mas também da capacidade de formular aquilo que não está lá, de ver em qualquer coisa aquilo que não está lá. Isto é o que chamamos de imaginação radical e que tem feito muita falta nos dias de hoje. Por alguma razão, as pessoas estão se curvando diante dos imperativos do poder soberano e o contraponto quase não existe mais.  Com toda dificuldade imposto pelo mercado as pessoas decidiram cuidar mais da vida privada e literalmente deixaram de lado o interesse pela vida coletiva. Enterramos nossa potencialidade e isto é preocupante e dá náusea. 

 

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Sociedade e Política

Prof. Cláudio Andrade

Professor Universitário (UNICENTRO), Doutor em História e Sociedade pela Universidade Estadual Paulista - UNESP.