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Aprenda a ser jardim, não terreno baldio

por: Flávia Maria Batista

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Há uma música que diz: "eu era a causa e a saída de tudo e eu cavei como um túnel o meu caminho de volta..." 
Eu costumava ouvi-la quando era adolescente e sentia um calor no coração sem entender muito bem o motivo. Até que um dia eu a ouvi de verdade, talvez aquela tivesse sido a primeira vez que a ouvi realmente, com os ouvidos e com o coração, então ela passou a fazer um novo sentido para mim. Eu a compreendi. 

Problemas, problemas! Atire a primeira pedra quem nunca se viu submerso por confusões mentais e num emaranhado de situações aparentemente sem soluções. Acredito que todos já tivemos, temos e teremos estes momentos na nossa vida. Não há novidade nenhuma nisso. 

Talvez haja novidade em algo que eu falarei agora e que eu aprendi (venho aprendendo). Quem são os verdadeiros culpados? Existe realmente um culpado? O que fazer quando tudo que se vê são problemas, dúvidas e confusões?

Costumo dizer que minhas experiências são minhas, portanto, as palavras e o caminho que encontrei para amenizar tudo isso também são meus, então nem sempre fará sentido para todas as pessoas e está tudo certo. Experimentem, vivam a sua experiência. Talvez aqui haja apenas uma luz que pode ou não fazer sentido para você. 

Um dia descobri que meus problemas vinham do fato de que todos eram culpados por tudo, menos eu, todos eram errados, menos eu, todos precisavam mudar, menos eu. Eu tentava resolver novos problemas com as mesmas "soluções" com que tentava resolver os antigos problemas, e os antigos ainda continuavam ali, os novos, consequentemente, também continuariam. Depois de cansar de tantas redes mentais negativas, depois de me sentir esgotada de tanto desenrolar novelos e novelos de problemas eu parei e me perguntei como ainda não havia resolvido os principais problemas da minha vida. 
Então entendi que eu nunca havia tentado resolvê-los de verdade. Eu nunca havia mergulhado, eu nunca havia me jogado no oceano do problema porque só tinha coragem de ficar na beira,  na superfície, colocando somente o pé na água, sem me consumir e sem me molhar por completo. Foi chocante perceber que eu tinha medo. Foi triste perceber que eu não queria resolver nada para sempre ter motivos para me vitimizar. Mas era o que tinha que ser naquele momento. Afinal, eu não era responsável por nenhum problema que eu tinha. 

Então um dia eu acordei. Não havia problema com ninguém, não havia a necessidade de que algo externo mudasse para que eu fosse feliz e alegre, não havia problema fora de mim. Não era a casa do vizinho que precisava ser limpa, era a minha. Os problemas eram meus, as criações dos problemas eram minhas, como então eu esperava que eles fossem resolvidos fora de mim? Nesse dia eu devo ter crescido uns 5 cm, amadurecido uns 10 anos e parado de dar murro na ponta de umas 20 facas. Meus problemas, minhas experiências, minhas escolhas e minha responsabilidade. - Nunca houve problema fora de mim. Isso ecoava na minha alma poderosamente. Eu havia reconhecido, eu havia finalmente entendido a letra daquela canção. Eu a ouvi e percebi que ela me dava uma vaga noção do que fazer. Cavar, cavar como um túnel o meu caminho de volta. 

Eu fiz, eu reconheci todos os problemas que pensava que estavam fora de mim naquele momento, eu juntei tudo na mão. Como as sementes são semeadas em solo fértil, eu fortaleci o solo da minha alma, eu tratei com carinho o terreno, eu adubei, eu molhei, eu alimentei, eu dei meu tempo para cultivar o solo da minha alma. Há que se ter paciência, isso é bem verdade. E eu tive. No caminho eu encontrei jardineiros amigos, reconheci meu próprio jardim familiar e todos me ajudaram e me apoiaram, regaram o terreno da minha alma, foram sóis quando havia chuva torrencial. Sim, acredite, quando você reconhece a sua responsabilidade, quando você para de olhar para o lado para tentar resolver o problema e olha para dentro, todo o universo se move para te ajudar no seu plantio. 

E a colheita vem.  Ah como ela vem! Vem farta, vem colorida, vem linda e com cheiro de primavera. O jardim finalmente floriu. E floriu porque eu quis, porque eu fui responsável. Sempre fui e sempre serei. Ninguém mais é culpado, nem eu mesma, não há problema fora de mim. As soluções nunca estiveram na superfície, estavam escondidas nas profundezas do oceano que sou eu. 

Não se enganem, muitas vezes eu pensei que morreria afogada, que cansaria meus braços e meu corpo de tanto nadar, fiz brotar um oceano de lágrimas dentro de um oceano já existente na alma, mas acreditem, sempre houve alguém que foi meus braços e me trouxe a superfície para respirar e me fazer redobrar o fôlego quando eu não aguentava mais. Eles são chamados amigos e eles existem sim, eles verdadeiramente existem.  Vez ou outra eu percebo que surgem ervas daninhas mas hoje eu sei muito bem como acolhê-las com amor e enviá-las para longe de mim. Não preciso mais delas, elas aparecem para me mostrar algo que devo resolver e logo vão embora. 

Eu percebi que os problemas eram apenas sementes e que eu tinha uma escolha. Ou eu continuava dormindo e culpando os outros,  transformava as sementes em ervas daninhas criando assim um terreno baldio ou eu assumia a responsabilidade pela minha própria vida, transformava as sementes em flores e criava um jardim. 

De repente eu me dei conta que havia um lindo jardim nascendo dentro de mim. E então se fez primavera na minha alma! E eu comecei a amar a primavera. Finalmente descobri que eu era a própria primavera e que aquela tinha sido minha escolha. Hoje eu ouço a música Temporada das Flores em êxtase porque sei o quanto ela fez e faz sentido para mim. 

Por: Flávia Maria Batista 

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Desenvolvimento Pessoal e Autoconhecimento

Flávia Maria Batista

Graduada em Letras pela UNICENTRO e Especialista em Língua Portuguesa e Literatura pela UNIVALE. É professora e terapeuta