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DEBATE

Ciclo de palestras sobre "O golpe de 2016 " causa polêmica nas redes sociais

Evento tem teria início nesta segunda feira (28) na Unicentro, porém devido suspensão do calendário acadêmico foi adiado

segunda-feira, 28 de maio de 2018 - 11:00:00

O departamento de História da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) realiza um Ciclo de Palestras com o tema "O Golpe de 2016 e o futuro da democracia", que teria início nesta segunda feira (28 de maio), foi adiado devido suspensão do calendário acadêmico. O evento causou polêmica nas redes sociais nos últimos dias. Um post publicado no Facebook, de uma empresária guarapuavana, se manifestando contra o evento teria ofendido os professores, afirmando que empresários e toda a comunidade paga os professores, estes que estão realizando o evento. A publicação causou revolta na classe e gerou diversas manifestações sobre o assunto.

O evento, que segundo um dos organizadores, professor Marco Paccola, tem como objetivo principal promover o debate a e reflexão acerca da conjuntura político-econômica e social na qual o país se encontra, estabelecida a partir da ruptura do processo democrático ocorrida em 2016. De acordo com ele, o que aconteceu em 2016 foi um golpe. "O objetivo é esclarecer como se deu este processo e quais suas principais conseqüências para diversas esferas da sociedade e  procura abranger um grande leque de temas, não apenas os desdobramentos políticos do golpe, o objetivo não é explicar apenas como ele acontece ou porque acontece, mas como ele tem impactado nas questões sociais". 

Segundo o professor Dejair Dionísio, envolvido no projeto,"o que queremos é poder, de forma democrática e dentro do previsto na lei, discutir os vários aspectos que volveram a saída da presidenta Dilma do poder, e como isso afetou outras instâncias, uma dela a que atuamos, a Educação. Vários projetos e financiamentos que dependem do Estado, que tem evitado desde então cumprir seu papel, que é o de fomentar subsídios necessários para promoção da igualdade e do acesso à educação, se perderam neste processo, como o congelamento de dinheiro para a Saúde e Educação".

Segundo Paccola, o golpe de 2016 não é um acontecimento puramente político, que se relaciona a disputa pelo poder, "ele representa uma disputa pelo projeto de sociedade que se quer estabelecer, por isso é tão importante entender seus desdobramentos, ou seja, entender o modelo de sociedade que esta sendo imposta".Para o professor é muito importante que esse debate seja realizado no âmbito acadêmico, que ele não fique apenas na rede social, na mídia ou na conversa cotidiana. ''A academia tem o papel fundamental de discutir idéias e organizar os debates no sentido de esclarecer os acontecimentos, é o lugar onde a discussão deve ser incentivada de maneira permanente. A universidade não pode ficar alheia a todo este processo, não pode se esquivar de sua responsabilidade. Estamos propondo este evento exatamente por acreditarmos no papel crítico que a universidade tem na sociedade. É preciso pensar o processo de maneira crítica, mas também responsável e coerente. Além disso, a situação é extremamente delicada e complexa, o que exige um olhar mas atento, uma análise mais detida, de forma a elucidar os fatos".

De acordo com Paccola,eventos similares foram ou estão sendo realizados em diversas universidades do Brasil. "Desde o anúncio da retaliação à disciplina proposta na Universidade de Brasília, diversas universidades se solidarizaram com o tema e propuseram a discussão. O tema já estava sendo trabalhado de forma dispersa, mas a partir daquele momento se intensificaram os cursos sobre o golpe. Tenho participado de alguns eventos semelhantes, na Universidade Estadual de Londrina e na Unicamp, mas nossa proposta é um pouco diferente, pois, como eu falei, pretende analisar não apenas o processo do golpe, mas o modelo de sociedade que ele pretende estabelecer".

Segundo o professor, os últimos vinte anos foram, talvez, o maior período que tivemos sem que houvesse a ruptura do processo democrático por algum tipo de golpe. A característica do Brasil é a exceção, são os golpes, as rupturas. "Nossa república surge de um golpe, em 1889, em 1930 temos o golpe de Vargas, que ainda daria mais um golpe e sofreria outros dois em 1945 e 1954, em 1955 JK foi vítima de uma tentativa de golpe e só pode assumir a presidência por meio de um “golpe” preventivo, em 1961 há o golpe e a conciliação parlamentarista e, finalmente em 1964 o golpe militar. Enfim, há uma sucessão de golpes, e resistências que marcaram nossa história. O que fica evidente nisto é que a via democrática não tem sido a forma de resolver os conflitos da sociedade, ela é constantemente usurpada, colocada em xeque, em função das disputas políticas e econômicas".

O evento, que é para comunidade acadêmica e aberto ao público, acontecerá em seis dias, com diversas palestras relacionadas ao tema. De acordo com Paccola, o interesse em pessoas querendo participar do evento tem se demonstrado grande."Já temos percebido um grande interesse da comunidade acadêmica e também da comunidade externa. Este tema tem um apelo grande, pela polarização que se estabeleceu na sociedade e pela polêmica em torno da discussão, o que contribui ainda mais para a divulgação. É um tema que toca a todos, invariavelmente, o que explica o sucesso do evento até aqui". 
 

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