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Este é o cara!

por: Márcio Nei dos Santos

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

"Toda unanimidade é burra!" Esta célebre frase, do escritor e cronista esportivo Nelson Rodrigues, nunca esteve tão ameaçada como no momento atual da Seleção Brasileira de futebol. Isso porque, neste momento, ninguém ousa discutir a qualidade do técnico Tite, principalmente após a excelente vitória sobre a Argentina, na semana passada. Com o triunfo, o treinador chegou à quinta vitória nos cinco jogos em que esteve no comando do Escrete Canarinho.

O retrospecto deste início de trabalho, que levou o time do Brasil da sexta posição até a liderança isolada das eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia, é impressionante: Na estreia, uma goleada de 3x0, fora de casa, sobre o Equador. No segundo jogo, a vitória mais apertada: 2x1 sobre a Colômbia, jogando em Manaus. Na sequência, a maior goleada: 5x0 sobre a Bolívia, em Natal. Na sequência, uma vitória de 2x0 sobre a Venezuela, jogando fora de casa. E na última quinta-feira (dia 10), no grande teste do novo técnico, um placar convincente, de 3x0, sobre a seleção da Argentina. É bem verdade que o momento dos "hermanos" não é dos melhores na competição sul-americana (agora é a Argentina que aparece na sexta colocação), mas o clássico serviu para confirmar que Tite está "anos-luz" à frente dos demais técnicos brasileiros. Pelo menos neste momento.

Com estes resultados, a Seleção, nestes cinco jogos, acumula a impressionante média de três gols marcados por partida e apenas 0,2 sofrido. Além disso, a sequência de vitórias poderá se tornar histórica dependendo do resultado do jogo desta noite, contra a Seleção do Peru, em Lima (às 0h15, no horário de Brasília). Se chegar à sexta vitória seguida, o time de Tite igualará a marca da Seleção de 70, que venceu os seis jogos daquela eliminatória, enfrentando as seleções da Colômbia, da Venezuela e do Paraguai. Naquela época, as eliminatórias sul-americanas era disputadas no sistema de grupos e, desta forma, a equipe brasileira disputou partidas de ida e volta contra cada uma desta equipes. Todos os jogos foram disputados no mês de agosto de 1969, quando o time ainda era comandado por João Saldanha (substituído por Zagallo, momentos antes da Copa de 1970, em uma história que, até hoje, não foi totalmente esclarecida).

Para se ter ideia da grandeza do feito que a equipe atual pode alcançar nesta terça-feira, basta lembrar que o time que chegou ao tricampeonato mundial no México, em 70, era formado por jogadores lendários como Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Carlos Alberto Torres e Gérson. Independente de qualquer comparação, seria uma marca a ser muito comemorada. Ainda mais, levando em conta o novo formato das eliminatórias sul-americanas, em que todos jogam contra todos e o equilíbrio (pelo menos na teoria) é bem maior do que em décadas passadas.

Mas muito mais do que números, o que Tite trouxe à Seleção Brasileira é algo que dificilmente poderá ser mensurado: a confiança e satisfação dos jogadores em defender a camisa amarela e o prazer de acompanhar o time nacional, para a torcida. O jogos do Brasil tinham se tornado, a muito tempo, desinteressantes para a maioria das pessoas que acompanham o futebol em geral. Mesmo na Copa do Mundo, disputada no Brasil, havia uma clara divisão de sentimentos, com muitos torcendo contra a equipe e contra o sucesso do evento em si. A eliminação, com a goleada de 7x1 pelos alemães, no Mineirão, acabou sendo apenas uma consequência de um trabalho que vinha se arrastando na mão de vários técnicos que não conseguiram devolver à Seleção Brasileira a sua magia, a muito perdida.

Após a Copa de 2014, a expectativa era de uma mudança profunda, mas o que se viu foi a repetição de antigos problemas, personificados nas figuras do ex-técnico Dunga (que nem de longe era a melhor opção para treinar a equipe) e do ex-coordenador Gilmar Rinaldi (que já chegou contestado por atuar como empresário de jogadores). Foi preciso uma campanha fraca nas seis primeiras rodadas da eliminatória e mais um fiasco, com a eliminação na primeira fase da Copa América do Centenário, para que a cúpula da CBF finalmente "abrisse os olhos", chamando Tite para ocupar o cargo mais importante do futebol brasileiro.

Por todos estes motivos, Nelson Rodrigues que me perdoe, mas nesta época de polarização política e cultural, em que todos extravasam suas opiniões nas redes sociais, é interessante perceber que, pelo menos em um assunto, todos concordam: Tite é o cara!

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Márcio Nei dos Santos

Graduado em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda), atua como fotógrafo e repórter esportivo. Desde 2009, é redator do blog Clique Esporte.