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Quando surgem os monstros emocionais

por: Flávia Maria Batista

segunda-feira, 14 de agosto de 2017
 
Reprimir emoções pode causar problemas futuros. Quem nunca conheceu alguém que costumava dizer frases como: "engole o choro", "não demonstre sentimentos" ou algo parecido com isso?
 
Um dia presenciei uma cena que me fez parar para pensar. A mãe arrastava o filho pela rua, num andar rápido e urgente, rosto sério, o menino não deveria ter mais de cinco anos de idade. De repente o menino tropeçou e caiu, começando assim um choro doído, cheio de suspiros. 
Não havia muito diálogo, apenas um amontoado de palavras negativas sem sentido e sem explicações que conseguissem aquietar o coração da criança. De repente algo me perturbou muito. A mãe, sem argumentos convincentes, olhou para o menino e proferiu uma frase que talvez fosse reverberar por toda a vida do menino: "engole o choro, menino, homem não chora"!
 
Naquele momento comecei a perceber que o menino foi ficando quieto, com os ombros caídos e olhar baixo, enquanto a mãe, satisfeita e vitoriosa, respirava aliviada. Era como presenciar uma crença limitante entrando e se instalando lentamente no menino.
Comecei a pensar em todas as vezes que as crianças cresceram com essas crenças, todas as vezes que a mágoa se instalou no inconsciente porque não houve um jeito de colocá-la para fora, pois chorar era um perigo para a integridade do ser humano e o único jeito era calar a dor e arquivá-la na mente, selada por palavras duras e negativas, para que mais tarde tudo aquilo se transformasse em bicho papão. 
Quantas doenças psicossomáticas foram criadas em nome de crenças como estas? 
 
Quantas vidas foram afetadas por frases e crenças como: "não demonstre que se importa", "mostrar sentimentos é sinal de fraqueza"?
Se olharmos com uma visão estudiosa, podemos ver que repressão emocional pode desenvolver asmas, hipertensão e patologias cardíacas nas pessoas. 
Não falo somente pelo menino que tropeçou na rua, utilizei essa percepção para me referir a uma geração que foi reprimida e que dificilmente se sente confortável expressando sentimentos. Ainda hoje somos julgados e reprimidos quando derramamos lágrimas e expressamos a tristeza e a dor. 
Há um provérbio irlandês que diz “As lágrimas derramadas são amargas, mas mais amargas são as que não se derramam“
Quanta maldade e crueldade com a nossa parte que sente, que é repleta de emoções e vida! 
 
Há no choro uma partícula de cura tão linda que não deveria ser subestimada e rejeitada. Chorar lava a alma sim, chorar acalma o coração e é um grande difusor de mágoas e tristezas. Chorar tem um efeito profundamente terapêutico, estimula a liberação de endorfinas em nosso cérebro, que nos ajudam a aliviar a dor e também nos colocam em um estado de relaxamento e paz, se formos falar cientificamente dos benefícios, muito poderá ser dito.
Por tudo isso, lágrimas, choro, deveriam ser considerados remédios sociais, o choro é um bom gatilho para lembrarmos de que estamos vivos, somos seres emocionais e estamos aptos a conviver emocionalmente com quem nos rodeia. 
 
E então? Já não está na hora de olharmos com amor para todos os nossos sentimentos e trazê-los a superfície para respirar um pouco?
 
por : Flávia Maria Batista
Terapeuta de Barras de Access 

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Desenvolvimento Pessoal e Autoconhecimento

Flávia Maria Batista

Graduada em Letras pela UNICENTRO e Especialista em Língua Portuguesa e Literatura pela UNIVALE. É professora e terapeuta

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