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Microorganismos Multirresistentes

por: Emanoel Severo

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sim, estamos falando de microorganismos multirresistentes, seres invisíveis que podem fazer um grande estrago no organismo humano. Há muitos anos já se fala disso, mas nos últimos tempos estamos ficando mais e mais preocupados...e devemos ficar mesmo.

Já escrevi algumas vezes nessa coluna sobre infecções. Já falei que o país não está preparado para atender um surto. Comentei também sobre a importância da lavagem das mãos, sobre a necessidade de utilizar álcool e sobre o risco que corremos quando andamos de ônibus, quando pegamos em dinheiro, quando comemos alimentos sem lavar, quando pessoas andam pelas ruas falando, tossindo e espirrando por todos os lados.

Os “bichos estão” no ambiente, nas superfícies, na comida, nas ruas, nas mãos…
Vírus, fungos, bactérias, sobrevivem no solo, na água, no ar, no corpo, em casa, nas escolas, nos postinhos, nos hospitais.
Lembra quando você ia na farmácia e comprava antibióticos “por conta”? Lembra quando você tomava antibiótico para qualquer coisa? Sabe o farmacêutico amigo que ainda vende o antibiótico sem receita? Sabe quando você sai bravo do consultório médico porque ele só prescreveu analgésicos ao invés de antibióticos? Ou lembra quando você interrompia o tratamento de sete dias com antibiótico porque já sentia-se melhor no terceiro dia e uma semana depois tinha que tomar outra vez?

Pois bem, a sociedade usou antibióticos indiscriminadamente, inconscientemente, inadequadamente…As bactérias, “inteligentes”, desenvolveram mecanismos de resistência, ou seja, começaram a reproduzir “filhotes” capazes de “não morrer” com os antibióticos…
E o que aconteceu? A complexidade das infecções causadas por bactérias “super-poderosas” aumentou os índices de infecções comunitárias (aquelas que acontecem na comunidade, postos de saúde, consultórios odontológicos, etc.) e infecções hospitalares (aquelas relacionadas ao internamento em um hospital ou a procedimentos realizados no ambiente hospitalar).

Quem sabe meu texto esteja um pouco complexo, então vou resumir: os microorganismos estão cada vez mais fortes!
E o que fazer? Prevenir! Ações como higiene do corpo, dos cabelos, da boca, das mãos. Limpeza dos ambientes e ventilação. Lavagem dos alimentos. Utilização de álcool gel.

E porque esses microorganismos causam Infecção Hospitalar?
No hospital o paciente está doente, muitas vezes em estado grave, submetido a vários procedimentos invasivos…Tudo isso é porta aberta para esses “bichinhos oportunistas”.

Isso não significa que a preocupação é só lá no hospital.
Pelo contrário, tudo o que acontece lá fora...está diretamente relacionado com as infecções que acontecem lá dentro.
E o que fazer no hospital?

A mesma coisa: higienização das mãos, utilização de equipamentos de proteção individual, separação do lixo hospitalar, utilização do álcool em superfícies, monitores, equipamentos, redução da circulação de pessoas que não estão envolvidas com os pacientes (esses estão em risco de se contaminar ou levar contaminação), restrição de visitas, proibição de entrada de “coisas de casa” (trás contaminação externa; leva bicho do hospital pra casa).

Ei, você que critica um hospital que descobre uma infecção hospitalar! Saiba que identificar a presença de uma bactéria multirresistente é mérito institucional, pois significa Vigilância. Sabe o que é isso? Investigação de possíveis eventos adversos infecciosos, para aplicar rapidamente protocolos e rotinas de prevenção, precaução e controle, garantindo qualidade do atendimento daqueles que são os principais objetivos de uma instituição de saúde: os pacientes!

Mas criticar é sempre mais fácil. “Descer a lenha” chama mais a atenção do público.
Só que quando for criticar, estude e use argumentos técnicos e científicos.
Quando se faz críticas sem argumentos, haverá sempre alguém com conhecimento suficiente para provar que você está errado.
Como cidadãos, devemos admitir que a situação está cada vez mais perigosa. Mas não criemos pânico. Ainda há uma “luz no fim do túnel”, basta um pouquinho de bom senso e consciência.
Comece Lavando suas Mãos!!!

 

 

 

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O olhar daquele que cuida

Emanoel Severo

Meu nome é Emanoel Severo, tenho 26 anos, sou enfermeiro e trabalho com controle de infecção em serviços de saúde. Especializei-me em Estomaterapia, trabalho no Hospital São Vicente e sou Professor em cursos técnicos, graduação e pós-graduação em Enfermagem - Faculdade Guairacá e Futura Educação Profissional.