AgronegóciosEducaçãoEsportesGeralPolíticaRegiãoSaúdeSegurançaVariedades
ColunistasVídeosÚltimasGaleria de Fotos

Qual é o tipo de política capaz de nos tirar desse impasse?

por: Prof. Cláudio Andrade

sábado, 2 de julho de 2016

Faz tempo que vivemos momentos de revoltas, desgostos e levantes contra o sistema político e a todos que o servem, enquanto objetos ou enquanto sujeitos da dominação. Mesmo assim e apesar disto, em quase todos os ambientes, do mais graduado ao menos graduado, há conversas e discussões que convergem na tese de que ‘diante do quadro do tempo presente’  e ‘diante da crise que não se encerra’ precisamos nos adequar, nos ajustar e compreender nossa posição coadjuvante para vivermos um pouco mais ou para sobreviver.

Assim, involuntariamente legitimamos o discurso de que temos que nos conformar com cortes, fim de alguns direitos, diminuição de toda e qualquer expectativa de um mundo melhor que este. Chamamos isto de ‘a banalização’ da crise. Todavia, sabe-se que para o capitalismo vigente, transformar tudo em ato natural, inclusive a crise, a dívida e os juros, é mais uma estratégia para frear  nossa fé em um mundo normal, razoável, feito para os homens e mulheres.  Assim, para o discurso oficial que tem contaminado a muitos, a crise é como a dívida, não pode deixar de existir, pois do contrário o capitalismo e seus operadores poderiam entrar em colapso. 

Ora, a crise interessa ao poder constituído e, ao que parece, não passará, transformando-se dia após dia  em práticas usuais deste e todo governo. Ela [ a crise ] ficará entre nós, transfigurada em verdade, sacralizada, exigindo de cada um de nós um projeto individual de austeridade e de aceitação de que não há outra saída, senão nos encolhermos. Neste ritual, haverá sempre mais um corte a fazer, mais uma gordura a queimar.

O que não mudará e, ao que parece, se perpetuará, é apenas uma coisa, no dizer de  Safatle: a defesa e a manutenção da elite patrimonial e os rendimentos da oligarquia financeira. Esta sim, imunizada pelos atuais agentes políticos que continuam gastando energia em interesses nitidamente privados.  

A austeridade sempre foi a forma de restringir a vida de muitos para garantir o gozo de poucos. Ao submetermos a isto, estaremos tal qual uma servidão voluntária fazendo o buraco para nossas próprias covas, bem antes do tempo. 

A grande vitória deste discurso que tem se transformado em  fetiche ou no canto da sereia  e atinge a raiz capilar de muitos homens e muitas mulheres é que , infelizmente, os piores tenham perdido o temor e reproduzem astutamente  o veneno do conformismo  e os melhores tenham perdido a esperança e a ousadia de outros tempos. 

Não estaria na hora de apostarmos, mesmo que com poucas chances, em caminhos alternativos ? Não estaria na hora de darmos um voto de confiança em projetos coletivos e individuais  que resistem ao entregar-se e ao submeter-se a estes que estão acostumados a remar a mesma canoa no mesmo rio ? 

COMENTÁRIOS





Sociedade e Política

Prof. Cláudio Andrade

Professor Universitário (UNICENTRO), Doutor em História e Sociedade pela Universidade Estadual Paulista - UNESP.