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De Zico a Messi: a maldição do jogador de clube

por: Márcio Nei dos Santos

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Nasci no ano de 1977 e, por isso, não tenho nenhuma lembrança da Copa de 1978, disputada na Argentina. Só ouvi histórias sobre como o Brasil foi "garfado", com a equipe do Peru entregando um dos jogos mais polêmicos da história das copas, em que a Argentina venceu por 6x0 e, no saldo de gols, superou o Brasil. Com isso, os brasileiros foram para a decisão do terceiro lugar, mesmo sem perder um jogo sequer em terras argentinas. Era o início da Era Zico na seleção que ainda contava com craques tricampeões mundiais como Rivelino e Leão e outras estrelas de seus clubes, como Cerezo, Edinho, Dirceu, Nelinho, Roberto Dinamite e Reinaldo.

Depois, em 1982, eu ainda era muito pequeno para acompanhar as partidas de futebol com a devida atenção. Assim, a única lembrança que tenho muito forte sobre a Copa de Espanha é o álbum de figurinhas que meu irmão mais velho completou. Nele pude ver que parte da base de 78 se manteve e ainda se fortaleceu, com jogadores como Leandro, Júnior, Sócrates, Serginho Chulapa, Éder e Falcão. Um timaço com Zico como o grande nome. Desta vez seria difícil escapar a taça. Mas foi no fatídico dia cinco de julho que o inspiradíssimo Paolo Rossi marcou três vezes e decretou a vitória da Itália por 3x2, eliminando um dos times mais geniais da história do futebol mundial.

Em 86 eu já era "grandinho" e já dava os primeiros pitacos sobre futebol. A espinha dorsal do time da Copa da Espanha ainda estava lá, com Zico, Sócrates, Júnior e Falcão. Além disso, se somavam outros jogadores valorosos como Careca, Muller, Alemão e Branco. As lesões, no entanto, deixaram Zico e Falcão quase sem jogar naquele torneio disputado no México. O Brasil jogava fácil, avançando com tranquilidade na primeira fase e nas oitavas-de-final. Aos meus olhos juvenis, aquela copa não escaparia.

Nas quartas-de-final, porém, o adversário foi a França: o jogo estava equilibrado, empate 1x1, e quase no fim o tempo regulamentar, a arbitragem marcou pênalti para o Brasil. Os jogadores brasileiros chegaram a comemorar a marcação, antevendo o gol da vitória. O destino, porém, quis que Zico (que tinha acabado de entrar em campo) ajeitasse a bola na marca da cal e chutasse para a defesa do goleiro Bats. O jogo seguiu empatado e foi para a decisão por pênaltis, com o Brasil perdendo por 4x3 (com direito a bola batendo na trave, nas costas do goleiro Carlos e entrando e Sócrates, outro craque do time, desperdiçando um dos tiros).
 
Para mim este foi o dia mais triste do futebol! Era a última chance de ver a geração de Zico (que já estava com 33 anos de idade e com um histórico extenso de lesões) levantar a taça de campeão mundial. Tive de engolir o choro e ver a Argentina de Maradona (que fez uma copa impecável) levantar o troféu. Para mim, inclusive, Zico foi tão craque quanto Maradona. Talvez até mais... mas o argentino conseguiu o feito de conduzir sua seleção ao título mundial e, por isso, ficou imortalizado, sendo comparado, até mesmo, com Pelé. Já Zico ficou no quase. Injustiçado, ficou estigmatizado como jogador que só jogava bem em seu clube (o Flamengo).

Por isso que, apesar de toda a rivalidade entre Brasil e Argentina, tenho que admitir que no último domingo fiquei  triste com a derrota da Argentina na Copa América do Centenário, para o Chile. Provavelmente esta foi a última chance de Messi (que, como Zico, perdeu um pênalti decisivo) levantar uma taça por sua seleção principal. Foram quatro vice-campeonatos (três na Copas Américas e uma Copa do Mundo), que fizeram o craque argentino anunciar que não jogará mais pela Seleção Argentina... Uma pena... Vou ficar torcendo para que, as diferenças entre o Messi e sua federação sejam superadas, para que ele tenha pelo menos mais uma chance e não correr o risco de ser lembrado como um jogador genial, mas que apenas joga muito pelo Barcelona.

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Clique Esporte

Márcio Nei dos Santos

Graduado em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda), atua como fotógrafo e repórter esportivo. Desde 2009, é redator do blog Clique Esporte.