AgronegóciosEducaçãoEsportesGeralPolíticaRegiãoSaúdeSegurançaVariedades
ColunistasVídeosÚltimasGaleria de Fotos

Teoria do Nojo

por: Emanoel Severo

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Nos últimos anos, venho estudando o controle de infecção e sua relação com a sociedade. Os livros, artigos científicos e a experiência prática me fizeram chegar a uma triste conclusão técnica: As pessoas realmente não se preocupam!

Reformar o hall de entrada de um restaurante, por exemplo, é muito mais importante que organizar a estrutura da cozinha. 
Será? A preocupação com a habilidade do garçom em tratar carinhosamente o cliente é muito maior que saber se o cozinheiro enfia a mão dentro da calça e com “resquícios genitais” entre seus dedos e unhas tempera o delicioso salmão...

Venho observando o comportamento dos indivíduos ao meu redor. Profissionais de saúde, nos hospitais, clínicas e unidades de saúde; e na comunidade em geral, ônibus, mercados, lojas, bancos, rodoviárias, aeroportos, etc.

Com grandes mestres, referências nessa área, aprendi conceitos e termos científicos; compartilhamos experiências práticas e angústias...
Sabemos que a maior parte do consumo de antibióticos está na agricultura. Sabemos também que o uso indiscriminado destes medicamentos causam aumento na resistência bacteriana. Sabemos que os microorganismos (vírus, bactérias, fungos) estão cada vez mais fortes e resistentes aos antimicrobianos.

Sabemos que as pessoas morrem pela proliferação de doenças infecciosas transmitidas pelo contato pessoa-pessoa, o que é impossível evitar, já que somos seres humanos e vivemos em sociedade. Por volta de 1846, um médico húngaro foi chamado de louco por exigir que as pessoas lavassem suas mãos. Será que Ignaz Philipp Semmelweis imaginava que 168 anos depois ainda encontraríamos gente fazendo descaso para esta ação? Entendi que as pessoas seguem a chamada “Teoria do Nojo”.

Você não enxerga a Salmonella da maionese... Então você come a maionese, sem problemas!
Imagine como deve ser contaminado um quarto ou uma banheira de um motel...Mas como você não enxerga a "DST"...você vai ao motel e sem se preocupar com a higiene do ambiente, expõe suas mucosas! Você não visualiza a bactéria da genital de seu melhor amigo...Por isso, sem receio, você compartilha com ele (e vários outros parceiros) o pacote de salgadinho, sem saber que há alguns dias, ele vem sentido uma coceirinha na virilha. 

O profissional não pode ver o microorganismo multirresistente em suas mãos que tocaram doentes infectados...Por isso atende outros pacientes fazendo descaso às infecções cruzadas, mesmo sabendo da existência dos “bichos invisíveis” e da complexidade da situação em que se encontram os hospitais. 

Eu venho trabalhando o controle de infecção, na perspectiva de implantar ações de prevenção, como na Campanha “Eu Me Comprometo a Lavar Minhas Mãos”, a qual circula as redes sociais. 

Diante dessa vivência, estou tendo convicção de que as pessoas apenas são motivadas pelo...“NOJO”.
É que se você ver fezes em sua mão...aí sim você lava!
É que se você enxerga o fungo do pão...só assim você não come!
É que se você ver a sujeira em uma cadeira... só assim você não senta!
Se sua unha está marrom de sujeira por baixo...aí sim você corta!
Ouvi uma referência em controle de infecção dizer a seguinte frase: “De rato o povo tem medo. De bactéria não!”. 
É que o roedor a gente enxerga...aí tem nojo! 
Sabia que a bactéria mata?

Deixo o seguinte questionamento: Se por um lado as infecções aumentam...Como pode o descaso aumentar também? 
Enquanto profissionais de saúde, controladores de infecção, cidadãos...Não podemos deixar isso acontecer!!!
Vivemos uma era e que a tendência da maioria é a desistência. Cabe a nós o desafio da persistência [...] A persistência muda a consciência, e muda o final da história no final!

 

COMENTÁRIOS





O olhar daquele que cuida

Emanoel Severo

Meu nome é Emanoel Severo, tenho 26 anos, sou enfermeiro e trabalho com controle de infecção em serviços de saúde. Especializei-me em Estomaterapia, trabalho no Hospital São Vicente e sou Professor em cursos técnicos, graduação e pós-graduação em Enfermagem - Faculdade Guairacá e Futura Educação Profissional.